Sábado, 6 de Setembro de 2008

Onde encalhou a arca de Noé?

O monte Ararat é célebre pois, segundo a Bíblia, foi o lugar onde encalhou , a cerca de 2.000 metros, a arca tripulada por Noé e pelos 3 filhos aquando do dilúvio universal. Trata-se de uma cadeia montanhosa de 13 Kms de comprimento, situada entre os actuais países da Turquia e Arménia. 

 

Desde tempos longínquos, o monte viu-se envolvido num halo de fascinação e veneração. Os primeiros cristãos que moravam nos arredores, ergueram ali um templo, o Templo da Arca, e nele festejavam anualmente a data de saída dos tripulantes da nau. O primeiro a dizer ter encontrado a arca foi S. Jacobo, um monge do século VII, tendo achado no meio da neve um pedaço de madeira da arca, que os arménios ainda conservam num relicário. Mas foi a partir do século XVIII, quando um pastor de uma aldeia vizinha disse ter visto um estranho barco no monte sagrado, que se desencadeou uma febre de expedições que chegaram aos nossos dias.

 

Em Agosto de 1916, durante a 1ª Guerra Mundial, um aviador russo, Vladimir Roscovitsky, ao sobrevoar as proximidades de Ararat, teria avistado o gigantesco navio e ao regressar à base comunicou o achado, tendo o czar Nicolau II enviado imediatamente uma expedição de 150 homens que disseram ter estudado, fotografado, medido e desenhado as suas partes durante um mês. Porém, no ano seguinte, com a revolução russa e a deposição do czarismo, desapareceram todos os documentos e provas.

 

Em 1952, o engenheiro George Greene, ao sobrevoar a zona de helicóptero, avistou a forma de um barco à tona do gelo, conseguindo tirar 30 fotografias que, ao serem reveladas, mostravam um objecto semelhante a um navio encalhado num barranco sobranceiro a um precipício. Tentou juntar dinheiro para financiar uma expedição para o recuperar, mas, poucos anos depois, foi assassinado e todos os seus haveres se perderam, incluindo as fotos!

 

Em 1955, o francês Fernand Navarre, acompanhado por 2 guias turcos, assegurou ter chegado até junto da arca de Noé, trazendo no regresso um bocado de madeira escura calafetada com pez, tal como a Bíblia afirma que foi preparada. Mas quando se pensou que tinham sido encontrados os restos da nau, a madeira foi submetida à prova do carbono 14 e provou-se que remontava ao século VI... depois de Cristo!

 

Estas e outras provas obtidas, como se vê, perderam-se ou revelaram-se insignificantes, originando uma certa dúvida na sua seriedade. Mas o que realmente desacredita todas estas buscas é o facto de partirem de um pressuposto errado. Com efeito, o livro do Génesis, ao relatar o fim do dilúvio, não diz que a arca encalhou "no monte Ararat," como todos interpretam, mas "nos montes de Ararat" (Gn 8,4) e, para a Bíblia, "Ararat" não é o nome de um monte, mas de um país, como se vê pelas outras vezes em que aparece mencionado (2Rs 19,3; Is 37,38; Jr 51,27), e corresponde ao antigo Urartu, actual Arménia. Assim, os biblistas concordam que a tradução correcta seria "os montes do país da Arménia", como S. Jerónimo traduziu na Vulgata. Portanto, longe de indicar com precisão o local, a Bíblia dá uma localização vaga, podendo ser qualquer sítio da Arménia, pois esta é um enorme planalto, estendendo-se a sua região montanhosa por mais de 230 Km.

 


(Adaptado de VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia?Apelação: Paulus, 1997; Imagem disponível em http://www.klickeducacao.com.br/Klick_Portal/Enciclopedia/images/Di/8147/2838.jpg)

publicado por ssacramento às 09:53
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