Domingo, 22 de Abril de 2007

"Tu amas-me?"

Inicialmente, o Evangelho de São João terminava no capítulo 20 e o próprio evangelista ou algum dos seus discípulos acrescentou o capítulo 21 por ter necessidade de insistir mais uma vez na realidade da ressurreição de Cristo. "Este é, de facto, o ensinamento que se deduz da passagem evangélica, que a ressurreição de Jesus não é só um modo de falar, mas que ressuscitou, em seu verdadeiro corpo. «Nós comemos e bebemos com Ele depois da sua ressurreição dos mortos», dirá Pedro nos Actos dos Apóstolos, referindo-se provavelmente a este episódio (Actos 10, 41).

À cena de Jesus a comer com os apóstolos o peixe assado nas brasas, segue-se o diálogo entre Jesus e Pedro. Três perguntas: «Tu amas-me?»; três respostas: «Sabes que te amo»; três conclusões: «Apascenta as minhas ovelhas!». Com estas palavras, Jesus confere de facto a Pedro -- e segundo a interpretação católica, aos seus sucessores -- a tarefa de supremo e universal pastor do rebanho de Cristo. Confere-lhe esse primado que lhe havia prometido quando disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus» (Mateus 16, 18-19).

O que mais comove nesta página do Evangelho é que Jesus permanece fiel à promessa feita a Pedro, apesar de Pedro ter sido infiel à promessa feita a Jesus de nunca o trair, nem que fosse à custa da vida (Mateus 26, 35). A tripla pergunta de Jesus explica-se com o desejo de dar a Pedro a possibilidade de suprimir a sua tripla negação durante a Paixão. Deus dá sempre aos homens uma segunda possibilidade, frequentemente uma terceira, uma quarta e infinitas possibilidades. Não expulsa as pessoas do seu livro no primeiro erro. O que ocorre então? A confiança e o perdão do Mestre fizeram de Pedro uma pessoa nova, forte, fiel até a morte. Ele apascentou o rebanho de Cristo nos difíceis momentos do seu início, quando era necessário sair da Galileia e lançar-se nos caminhos do mundo. Pedro será capaz de manter, finalmente, a sua promessa de dar a vida por Cristo. Se aprendêssemos a lição contida na forma de actuar de Cristo com Pedro, dando confiança a alguém depois de que ter errado uma vez, quantas pessoas menos fracassadas e marginalizadas haveria no mundo!

O diálogo entre Jesus e Pedro deve ser transferido para a vida de cada um de nós. Santo Agostinho, comentando esta passagem evangélica, diz: «Interrogando Pedro, Jesus interrogava também cada um de nós». A pergunta: «Tu amas-me?» dirige-se a cada discípulo. O cristianismo não é um conjunto de doutrinas e de práticas; é algo muito mais íntimo e profundo. É uma relação de amizade com a pessoa de Jesus Cristo. Muitas vezes, durante a sua vida terrena, perguntou às pessoas: «Crês?», mas nunca: «Tu amas-me?». Fá-lo só agora, depois que, na sua paixão e morte, deu a prova do quanto nos amou.

Jesus faz que o amor por Ele consista em servir os demais: «Tu amas-me? Apascenta as minhas ovelhas». Não quer ser Ele quem recebe os frutos desse amor, mas quer que sejam as suas ovelhas. Ele é o destinatário do amor de Pedro, mas não é o beneficiário. É como se lhe dissesse: «Considero feito a mim o que farás pelo meu rebanho». Também o nosso amor a Cristo não deve ficar intimista e sentimental, mas deve expressar-se no serviço aos demais, em fazer o bem ao próximo. A Madre Teresa de Calcutá costumava dizer: «O fruto de amor é o serviço, e o fruto do serviço é a paz».

[Comentário do pregador da Casa Pontífica Padre Raniero Cantalamessa. Zenit]
publicado por ssacramento às 18:31
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