Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

"O silêncio impossível"

A impossibilidade do silêncio tem a ver com a imperiosa necessidade de falar, com o não poder ficar calado. Não se pode guardar silêncio, pois há que denunciar as injustiças. Não se pode guardar silêncio, pois há que anunciar o Reino. Não se pode ficar em silêncio, quando existe a mínima possibilidade de que o silêncio seja interpretado como consentir. Quem cala consente. Se é preciso denunciar torna-se impossível o silêncio.

Como não falar de Ti, como não dizer o Teu nome, como não proclamar a Tua palavra? Jeremias não se pôde calar. Dizia "não voltarei a falar", mas isso era impossível, pois um fogo consumia-lhe as entranhas. Com Isaías passou-se o mesmo. Não se pôde calar: "Por amor a Sião, não me hei-de calar, por amor de Jerusalém, não descansarei até que a sua justiça brilhe como um clarão e a sua salvação arda como uma tocha" (Is 62, 1).

Na vida de Jesus também houve momentos de silêncio impossível. Jesus mantinha-se calado, porém quando o Sumo Sacerdote o conjura em nome de Deus para que diga se é o Messias, Ele quebra o silêncio. Jesus fala: "Tu o disseste." (Mt. 26, 57-68). Aquando da entrada jubilosa em Jerusalém, os fariseus estão furiosos com os gritos de louvor a Jesus e pedem-lhe que repreenda os seus seguidores, mas Jesus responde: "Digo-vos que, se eles se calarem, as pedras gritarão." (Lc. 19, 28-40)

Para nós os crentes, frente a um silêncio tímido ou a um silêncio envergonhado há a resposta ao mandato de Jesus: "o que tiveres escutado em silêncio, ao ouvido, anunciai-o desde os terraços, dizei-o dos telhados".

Não cales. Não te cales. Que fiquem todos a saber. Di-lo com os lábios, com os olhos, com o rosto, com as mãos. Há que dizer não ao silêncio cobarde do "quem cala consente" ao silêncio envergonhado de "quem se cala como um morto".

"Chamaste-me, Senhor... elegeste-me...
Como viver sem Ti, como não falar de Ti,
Se o Teu amor me queima por dentro como o fogo?
Tu me seduziste... nomeaste-me profeta..." (Antonio Alcalde)



(Adaptado de Javier Berciano García e Grupo Herramientas Nueve - Que é... o silêncio. Lisboa: Paulinas, 2000)
publicado por ssacramento às 12:29
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Domingo, 29 de Abril de 2007

"O coração do Bom Pastor"

"O coração do Bom Pastor, de Cristo misericordioso que busca a ovelha perdida e que, ao encontrá-la, a coloca aos ombros, traz para casa, chama os amigos e faz a festa, é uma das imagens bíblicas mais maravilhosas para nos revelar o mistério da misericórdia. Busca a ovelha perdida, procura-a por montes e vales, deseja encontrá-la, não se cansa de a procurar. E quando a encontra não sabe fazer outra coisa senão festa: "alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida" (Lc. 15, 4-7). A misericórdia do Bom Pastor, revelação da misericórdia do Pai, não só perdoa mas alegra-se, faz festa, rejubila ao encontrar o pecador arrependido, a ovelha perdida (Lc. 15, 11-32). (...)

O coração do Bom Pastor é o coração amigo de pecadores e vive essa amizade com paixão interior. O modo como trata a mulher apanhada em adultério, como a perdoa e lhe restitui a dignidade, como a manda ir em paz, com o coração purificado e alegre, é uma das muitas manifestações do coração amigo de pecadores (Jo. 8, 1-11). A maneira como convida Zaqueu a descer do sicómoro e Se faz convidado para sua casa, concedendo-lhe o perdão e a graça de tão notável arrependimento, é outra maneira do Bom Pastor exercitar a sua misericórdia (Lc. 19,1-10). A revelação feita à Samaritana, como fonte de água viva, escolhendo aquela mulher sem dignidade, vivendo com um marido que não era dela, volta a surpreender-nos pela capacidade de perdão, de amizade com pecadores, de diálogo com a "miséria" para a libertar e salvar (Jo. 4, 1-42). A maneira como trata Judas, o traidor, chamando-lhe amigo e aceitando o beijo da traição (Mt. 26, 47-51), ou o modo como perdoa as negações a Pedro e continua a depositar nele a confiança, nomeando-o chefe do grupo e confiando-lhe o Primado, são outras tantas maneiras de Se revelar o coração do Bom Pastor, sempre amigo de pecadores (Mt. 26, 69-75; Jo 21, 15-19).

Por isso mesmo Lhe chamam bêbado e glutão, O acusam de ir a casa de pecadores e publicanos, O criticam por este modo misericordioso de proceder, e a própria família chega a afirmar "está fora de Si" (Mc 3, 20-21) e pensa em ir buscá-Lo e levá-Lo para Nazaré. O seu comportamento é desconcertante, diríamos mesmo "escandaloso", para a mentalidade da época. Mas Jesus, o Bom Pastor, não sabe agir de outro modo, o seu coração de misericórdia continua ávido de encontrar as ovelhas perdidas, ansioso de lhes conceder a sua misericórdia. Ele veio para os pecadores e não para os justos, para os doentes e não para os sãos (Lc 19,10; Mc 2, 15-17) (...)

Hoje, em Igreja, na vida e no coração de cada homem, continua a ser o Bom Pastor, o amigo dos pecadores, de marginais, da escória que necessita da sua misericórdia.

Precisamos de aprender com Jesus, o Bom Pastor, a buscar ovelhas perdidas, a alegrarmo-nos com o regresso dos filhos pródigos, a fazer festa sempre que alguém volta à casa do Pai. Precisamos de ir ao encontro de pecadores; não podemos ficar só a tomar conta das ovelhas fiéis que ainda estão no rebanho. Precisamos de sair da igreja, da sacristia, da confraria, do grupo apostólico e ir, com coração de misericórdia, procurar ovelhas perdidas. Sem descanso, sem medo(...). Não podemos ficar instalados, escandalizados com o mal do mundo(...).

Podemos e devemos ter coração de Bom Pastor, quando rezamos pelo mundo, quando acolhemos no nosso coração todos os pecadores e rezamos por eles. Precisamos de ter um "coração universal", onde caiba a humanidade inteira, onde haja lugar para todos, onde os mais pecadores, mais marginais, mais ovelhas perdidas têm a nossa predilecção, o nosso carinho, o nosso amor. Só assim imitamos o Coração do Bom Pastor, só assim somos verdadeiros devotos do seu Coração sempre amigo de pecadores."



(PEDROSO, Dário - Acreditar no amor. Braga: Editorial A. O., 2003)


publicado por ssacramento às 18:57
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Sábado, 28 de Abril de 2007

As festas da Bíblia (I): o Sábado; o Ano Sabático

Em cada semana, uma festa: o sábado

Sábado significa descanso e, segundo o preceito bíblico, é o dia em que cessa todo o trabalho, sendo um tempo sagrado, de Deus. O sábado tem, pois, uma função litúrgica, pois é um dia de louvor ao Deus criador do mundo e do homem: "Concluída no sétimo dia toda a obra que havia feito, Deus repousou no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado. Abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Deus repousou de toda a obra da criação." (Gn. 2, 2-3)

A Bíblia fala da santificação do sábado pelo Senhor, quer dizer, Deus colocou no sábado um pouco da sua própria santidade e o povo tem a responsabilidade de, um dia por semana, imitar a santidade de Deus.

O sábado tem também uma função social já que permite o descanso da família, escravos, estrangeiros e animais, estando associado a um clima de alegria (Dt. 5, 12-15; Os 2, 13). É que se Deus libertou o seu povo, este não tem o direito de escravizar nada nem ninguém: "Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado." (Dt. 5, 15). Guardado por todos, criava um clima de solidariedade e irmandade.

Não é apenas descanso por descanso, mas sim um descanso funcional e dinâmico. Trata-se de um descanso positivo, um memorial semanal da libertação do Egipto e que lembrará perpetuamente o sentido da liberdade (Jr. 17, 20-27).

A proibição de qualquer trabalho dos homens e animais neste dia significa que Deus é o único absoluto do homem no meio das (pre)ocupações da vida semanal. Deste modo, o sábado judaico termina à tarde com a oração "separação" (havdalah), pois separa o dia santo, o tempo de Deus, do resto da semana, o tempo profano.

O fariseísmo, levando ao extremo a proibição do trabalho ao sábado, fez desta festa semanal da liberdade o dia semanal da escravidão, levando Jesus de Nazaré a afirmar que "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. O Filho do Homem até do sábado é o Senhor." (Mc. 2, 27-28)

Desde os primórdios da Igreja que os cristãos deixaram de guardar o sétimo dia, que não poderia ser de festa porque Jesus estava no túmulo, para guardarem o primeiro dia da semana, altura em que Jesus ressuscitou. O Apocalipse de João já fala do domingo, dia da Ressurreição, como "Dia do Senhor" (Ap. 1,10).


Em cada semana de anos, um ano de festa: o ano sabático


Apesar da expressão não surgir na Bíblia, o Ano Sabático liga-se à ideia de "sábado" (7º dia) e, como tal, à ideia de liberdade. Antes de mais, liberdade da terra: "Semearás a terra durante seis anos e colherás os seus produtos. Mas no sétimo ano, deixarás a terra em repouso e abandonarás os seus frutos, que os pobres do teu povo comerão e os animais selvagens comerão o que sobejar (...). Trabalharás durante seis dias, mas no sétimo dia descansarás, a fim de que descansem igualmente o teu boi e o teu jumento e possam respirar o filho da tua escrava e o estrangeiro." (Ex. 23, 10-12; ver também Lc 25, 2-7)

Em Gn. 2, 2-3, a liberdade sabática passa de Deus aos homens e destes aos campos, que ficam livres de produzir alimento e o que produzem pertence aos mais pobres. Portanto, alarga-se o preceito do sábado às coisas, aos animais e escravos (Ex 21, 2-3).

Esta liberdade das pessoas era total, estendendo-se ao domínio económico, pois um homem carregado de dívidas não era um homem livre (Dt. 15, 1-9). No Ano Sabático, os mais pobres ficavam livres das suas dívidas, restituindo-se os bens aos antigos e verdadeiros donos. Muitas vezes, esses bens eram vendidos ou dados em penhora devido às dificuldades económicas e, com a instituição do Ano Sabático, pretendia-se maior igualdade (a que fora estabelecida durante a distribuição das terras pelas tribos) e justiça social.


(Adaptado de Revista Bíblica, nº 244)


publicado por ssacramento às 11:44
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

"Mãos no trabalho, coração em Deus"

O que é?
A Obra de Santa Zita (OSZ), com o lema "Mãos no trabalho, coração em Deus", foi fundada por Monsenhor Joaquim Alves Brás, em 1931, na cidade da Guarda, chamando-se então Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC). Esta associação tinha como objectivo a formação moral, intelectual e profissional das jovens do sexo feminino, que se dedicavam ao serviço da família, como auxiliares, empregadas domésticas ou "criadas de servir", defendendo a sua honestidade e interesses, assegurando-lhes o futuro, acolhendo as associadas no desemprego, na doença e fadiga.

Actualmente, esta instituição tem a sua sede em Lisboa e 21 casas por todo o país, possuindo actividades ligadas à infância, juventude e Terceira Idade.

 


Quem  fundou esta Obra?

O fundador foi Monsenhor Joaquim Alves Brás, nascido a 20 de Março de 1899, em Casegas, concelho da Covilhã, junto da serra da Estrela. Cresceu num ambiente familiar cristão e exemplar, que influenciou toda a sua vida e acção. Em 19 de Novembro de 1917, depois de superadas muitas dificuldades, inclusive uma doença crónica que o reteve no leito dos 11 aos 14 anos, deu entrada no Seminário do Fundão, da Diocese da Guarda, a fim de se tornar Padre.

A 19 de Julho de 1925, um ano antes do tempo previsto, recebeu a ordenação sacerdotal, na capela do Paço Episcopal da Guarda e celebrou a primeira Missa no dia seguinte.

Foi nomeado Pároco da aldeia de Donas, concelho do Fundão, e confessor do Seminário do Fundão, exercendo durante cinco anos. A doença levou a que fosse nomeado Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda.

Sensível aos problemas da sua época e às grandes carências e misérias de muitas famílias, fundou:

  • Em 1931, a Obra de Santa Zita.
  • Em 1933, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, cuja missão é cuidar da santificação da família, através dos apoios necessários (pode consultar este Instituto feminino de Vida Consagrada Secular em http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/iscf).
  • Em 1960, os Centros de Cooperação Familiar e em 1962, o Movimento por um Lar Cristão, que cooperam com a família, na realização da sua sublime vocação e missão.
Com 67 anos, a 13 de Março de 1966 (chamado o "Dia do Fundador"), morreu vítima de um acidente de viação.

O Processo de Beatificação teve início em 1990 e já se encontra em Roma, desde 1992, aguardando-se o momento de ser confirmado pela Igreja a heroicidade das suas virtudes (o Boletim trimestral Flores sobre a Terra, para a causa de beatificação de Mons. Joaquim Alves Brás, está disponível em http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/iscf/pdf/boletim.pdf).


Quem foi Santa Zita?

Zita era oriunda de uma família pobre italiana. Todas as manhãs, ia à cidade vender algo para o sustento dos seus. A rica família dos Fatinelli sentiu-se atraída pelos modos humildes da menina, tendo entrado ao seu serviço como criada de servir onde permaneceu até à morte.
Exemplo de honestidade e zelo pela casa que serviu como se fosse sua, santificou-se na rotina do dia-a-dia, guiada pelo lema "Isto agrada ou desagrada a Deus?".
Ao expirar, a 27 de Abril de 1278, toda a família dos Fatinelli estava ajoelhada à sua volta, rendida pela sua santidade. O seu culto propagou-se rapidamente, sendo Padroeira das Empregadas Domésticas.



(Adaptado de  http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45633&seccaoid=3&tipoid=85 e
DIAS, António J. - Arautos da Santidade. Vida dos Santos. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 2001)

 


publicado por ssacramento às 21:09
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Convite ao silêncio




(Texto de María Cevolani; imagem retirada de http://www.comvocacao.net)

publicado por ssacramento às 19:20
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Hoje é dia de...


Hoje é dia de S. Marcos Evangelista. João Marcos habitava com sua mãe, Maria, em Jerusalém e a sua casa era local de reunião dos primeiros cristãos. Foi lá que S. Pedro bateu à porta quando o Anjo o libertou da prisão. Era primo de Barnabé e seu companheiro durante as viagens apostólicas e no cativeiro de S. Paulo. Em 65 ou 70 d.C. escreveu a catequese de S.Pedro na comunidade de Roma.

O Evangelho de S. Marcos foi o primeiro a ser redigido, cerca de 65 d.C., e aparece escrito em língua grega vulgar. Embora escreva para anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo como Filho de Deus, nele Jesus aparece mais humanizado do que em S. Mateus: é a vida de Jesus de Nazaré, que percorreu os caminhos da Galileia fazendo o bem, o Filho muito amado de Deus que se compadece, admira, indigna, sente medo e angústia, .... A comunidade de Marcos concluiu que só quem segue Jesus pelo caminho da renúncia e da cruz saberá quem Ele é. Estes tornar-se-ão seus discípulos e conhecerão o Filho de Deus.


(Adaptado de DIAS, António J. - Arautos da Santidade. Vida dos Santos. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 2001; e PULGA, Rosana - Bê-Á-Bá da Bíblia. Lisboa: Paulinas, 2001)



Mas hoje também é dia comemorativo da Revolução dos Cravos.


"Ao celebrar-se mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974 sempre se precipitam as análises de ar científico nos acontecimentos desenhados nos últimos anos da nossa história. (...)
Como se a Revolução dos Cravos fosse o único elemento a atravessar-se na nossa caminhada. Tivesse ou não havido a revolução não estaríamos hoje como em 1974. A história faz-se com a emersão de elementos escondidos e aparentemente insignificantes que alimentam os grandes troncos. Como a água, humilde e casta que alimenta, sem se ver, as grandes florestas. Ainda estamos muito longe de compreender os factos que irrigaram a nossa história, para esta chegar como chegou até nós."

Interessante este artigo do P. António Rego, disponível em
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45457&seccaoid=7&tipoid=25


publicado por ssacramento às 18:44
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Que obra realizas?

Sobre a leitura de hoje: Jo 6, 30-35

"Ontem como hoje, Jesus é desconcertante. Quem se aproxima do divino leva consigo a incompreensão dos homens, desilusões e perguntas. Por isso, os judeus pedem sinais, impõem condições. Jesus responde, revelando-se como o verdadeiro pão, que dá a vida ao mundo. Não a vida terrena, mas a vida divina, que o corpo e o sangue de Cristo sacia e transfigura. A obra que Cristo realiza é dar-se a comer no deserto da vida, pacificando dissensões e discórdias.  A Eucaristia é o pão substancial, que responde à fome de bem e de verdade, verdadeiro maná descido do Céu.

O maná do deserto significa o corpo de Cristo, dado como alimento da nossa fé. O maná era figura; Cristo a realidade. O maná era profecia; a Eucaristia o seu cumprimento. Vida nova, pão novo. Cristo é o pão definitivo que nos sacia para sempre e substitui todos os gostos. (...)

A Eucaristia (...) sacia todas as fomes, mata todas as sedes. Comungar Cristo é aderir a Ele, assimilá-lo em íntima comunhão de pensamentos e corações. (...) Pão de Deus é a fé, que nos sacia a toda a hora e nos dá o gosto do divino, saboreando amor em tudo o que acontece. Acreditar é comungar a Palavra, receber o Senhor.

Senhor, dá-nos sempre desse pão!"



(GUERRA, Paulo - Pão da Palavra I. Braga: Editorial Apostolado da Oração, 2001)
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Aprendei a amar

"Perguntei a Madre Teresa se também havia entre as Missionárias da Caridade a queda de vocações comum a muitos institutos religiosos.
- Não. Estamos sempre a crescer. Há raparigas que me dizem: 'Quero uma vida de pobreza, de amor e de sacrifício.' Respondo-lhes: 'Bem, minha filha. São as únicas coisas que te posso dar.' A generosidade das jovens gerações é uma grande coisa. Os jovens estão esfomeados de Deus. É esta a grandeza da juventude.

Voltei a pensar nas palavras da Madre ao ler o resultado de uma sondagem realizada pela Eurispes, em Abril de 2003, entre adolescentes dos catorze aos dezoito anos, a quem se perguntou quais eram os seus ídolos. Pois bem, nos dois primeiros lugares estavam Madre Teresa e João Paulo II: segundo o comunicado da Eurispes, 'eles encarnam o ídolo da nossa época para um quarto dos jovens interpelados, crentes ou não.' Parece incrível! (...) Ambos representam modelos de ideais contra a corrente, como o sacrifício, a doação de si, a busca do sentido verdadeiro da vida, a coerência, a paixão pela paz. É precisamente isto que conquista a juventude que frequentemente julgamos viciada por demasiados bens materiais, perdida por detrás de uma vontade de divertimento, irreflectidamente desempenhada.

Vale a pena recordar a carta que a Madre Teresa enviou aos milhares de raparigas e rapazes que chegaram de todo o mundo a Chestocova para celebrar com João Paulo II o Dia Mundial da Juventude, a 15 de Agosto de 1991:

'Caros jovens, o maior mal de hoje é a falta de amor e de caridade, a terrível indiferença com os irmãos e irmãs, filhos de Deus nosso Pai, que vivem marginalizados, presas da exploração, da corrupção, da pobreza e da doença.

Já que a vida se abre diante de vós, a minha oração por vós é que possais compreender cada vez melhor o seu sentido verdadeiro... A vida é um dom maravilhoso de Deus e todos foram criados para amar e ser amados. Não é um dever ajudar os pobres material e espiritualmente: é um privilégio, porque Jesus, Deus feito Homem, assegurou-nos que 'tudo o que fizerdes ao último dos meus irmãos a mim o fareis...'

Não permitais que falsos objectivos - dinheiro, poder, prazer - vos tornem escravos e vos façam perder o sentido autêntico da vida.

Aprendei a amar procurando conhecer cada vez mais profundamente Jesus, crer firmemente nele, escutá-lo em oração profunda e na meditação das suas palavras e dos seus gestos que revelam perfeitamente o amor, e sereis levados pela corrente do amor divino que faz com que os outros participem no amor. Só no céu é que veremos quanto somos devedores aos pobres, por nos terem ajudado a amar melhor o Senhor. Deus vos abençoe. Madre Teresa.' "


(ZAMBONINI, Franca - Madre Teresa. A mística dos últimos.Prior Velho: Paulinas, 2003)
(Imagens retiradas de http://www.bordighera.it/Galleria/32Giussani/09.jpg e http://franciscodeassis.no.sapo.pt/mteresa.jpg)




O programa proposto pelo Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações, a realizar na Paróquia de Lordelo do Ouro (Porto), para esta semana das vocações é o seguinte:

  • Eucaristias - 23 a 28/04 (19 horas), precedidas de Terço Vocacional (18,30 horas);
  • Adoração ao Santíssimo - 26/04 (8,30-19 horas);
  • Encontro com as famílias - 27/04 (21,30 horas);
  • Vigília de Oração - 28/04 (21,30 horas), presidida por D. Manuel Clemente.
publicado por ssacramento às 10:51
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Domingo, 22 de Abril de 2007

"Tu amas-me?"

Inicialmente, o Evangelho de São João terminava no capítulo 20 e o próprio evangelista ou algum dos seus discípulos acrescentou o capítulo 21 por ter necessidade de insistir mais uma vez na realidade da ressurreição de Cristo. "Este é, de facto, o ensinamento que se deduz da passagem evangélica, que a ressurreição de Jesus não é só um modo de falar, mas que ressuscitou, em seu verdadeiro corpo. «Nós comemos e bebemos com Ele depois da sua ressurreição dos mortos», dirá Pedro nos Actos dos Apóstolos, referindo-se provavelmente a este episódio (Actos 10, 41).

À cena de Jesus a comer com os apóstolos o peixe assado nas brasas, segue-se o diálogo entre Jesus e Pedro. Três perguntas: «Tu amas-me?»; três respostas: «Sabes que te amo»; três conclusões: «Apascenta as minhas ovelhas!». Com estas palavras, Jesus confere de facto a Pedro -- e segundo a interpretação católica, aos seus sucessores -- a tarefa de supremo e universal pastor do rebanho de Cristo. Confere-lhe esse primado que lhe havia prometido quando disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus» (Mateus 16, 18-19).

O que mais comove nesta página do Evangelho é que Jesus permanece fiel à promessa feita a Pedro, apesar de Pedro ter sido infiel à promessa feita a Jesus de nunca o trair, nem que fosse à custa da vida (Mateus 26, 35). A tripla pergunta de Jesus explica-se com o desejo de dar a Pedro a possibilidade de suprimir a sua tripla negação durante a Paixão. Deus dá sempre aos homens uma segunda possibilidade, frequentemente uma terceira, uma quarta e infinitas possibilidades. Não expulsa as pessoas do seu livro no primeiro erro. O que ocorre então? A confiança e o perdão do Mestre fizeram de Pedro uma pessoa nova, forte, fiel até a morte. Ele apascentou o rebanho de Cristo nos difíceis momentos do seu início, quando era necessário sair da Galileia e lançar-se nos caminhos do mundo. Pedro será capaz de manter, finalmente, a sua promessa de dar a vida por Cristo. Se aprendêssemos a lição contida na forma de actuar de Cristo com Pedro, dando confiança a alguém depois de que ter errado uma vez, quantas pessoas menos fracassadas e marginalizadas haveria no mundo!

O diálogo entre Jesus e Pedro deve ser transferido para a vida de cada um de nós. Santo Agostinho, comentando esta passagem evangélica, diz: «Interrogando Pedro, Jesus interrogava também cada um de nós». A pergunta: «Tu amas-me?» dirige-se a cada discípulo. O cristianismo não é um conjunto de doutrinas e de práticas; é algo muito mais íntimo e profundo. É uma relação de amizade com a pessoa de Jesus Cristo. Muitas vezes, durante a sua vida terrena, perguntou às pessoas: «Crês?», mas nunca: «Tu amas-me?». Fá-lo só agora, depois que, na sua paixão e morte, deu a prova do quanto nos amou.

Jesus faz que o amor por Ele consista em servir os demais: «Tu amas-me? Apascenta as minhas ovelhas». Não quer ser Ele quem recebe os frutos desse amor, mas quer que sejam as suas ovelhas. Ele é o destinatário do amor de Pedro, mas não é o beneficiário. É como se lhe dissesse: «Considero feito a mim o que farás pelo meu rebanho». Também o nosso amor a Cristo não deve ficar intimista e sentimental, mas deve expressar-se no serviço aos demais, em fazer o bem ao próximo. A Madre Teresa de Calcutá costumava dizer: «O fruto de amor é o serviço, e o fruto do serviço é a paz».

[Comentário do pregador da Casa Pontífica Padre Raniero Cantalamessa. Zenit]
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Sábado, 21 de Abril de 2007

Rezando com Santo Inácio




http://www.comvocacao.net
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Semana de Oração pelas Vocações

Inicia-se já no próximo domingo a Semana de Oração pelas Vocações. O tema da Mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial de Orações pelas Vocações, que se celebra a 29/04/2007 (IV Domingo de Páscoa),  convida-nos a reflectirmos sobre a "vocação ao serviço da Igreja-comunhão". Vejamos o que ele nos diz:


Este dia "é uma bela ocasião para vos colocar diante da importância das vocações para a vida e missão da Igreja e para intensificarmos as nossas orações para o seu crescimento em número e em qualidade. (...)

No ano passado iniciei nas audiências das quartas-feiras uma nova série catequética sobre o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Sublinhei que a primeira comunidade cristã foi originariamente construída quando alguns pescadores da Galileia, após o seu encontro com Jesus, foram tocados pelo seu olhar e pela sua voz, aceitando, em seguida, o seu urgente convite: “Vinde comigo, e farei de vós pescadores de homens” (Mc 1, 17; cfr Mt 4, 19). Na verdade, Deus tem escolhido sempre determinadas pessoas para trabalharem com Ele, de modo mais directo, e executarem o seu plano de salvação. O Antigo Testamento mostra como no início Deus chamou Abraão para fazer dele “uma grande nação” (Gen 12,2); depois, chamou Moisés para fazer sair do Egipto os filhos de Israel (cfr Ex 3, 10). Deus escolheu outras pessoas, especialmente os profetas, para defender e manter viva a aliança com o seu povo. No Novo Testamento Jesus, o Messias prometido, convidou cada um dos apóstolos para ficar a seu lado (cfr Mc 3, 14) e envolver-se na sua missão. Por ocasião da Última Ceia, quando lhes confiou a missão de perpetuar a memória da sua morte e ressurreição até à sua vinda gloriosa no fim dos tempos, dirigiu-se ao Pai e fez a conhecida oração: “Eu dei-lhes a conhecer quem Tu és e continuarei a dar-te a conhecer, para que o amor com que me amaste esteja neles, e Eu esteja neles também” (Jn 17, 26). A missão da Igreja, portanto, baseia-se na comunhão íntima e fiel com Deus.

A Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II descreve a Igreja como “um povo unido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (n. 4), no qual se reflecte o próprio mistério de Deus. Reflecte-se nela o amor da Santíssima Trindade; pela obra do Espírito Santo, os seus membros formam “um só corpo e um só espírito” em Cristo. Esse povo, organicamente estruturado sob a direcção dos seus Pastores, vive o mistério da comunhão com Deus e com os seus irmãos, de modo especial quando se encontra na Eucaristia. A Eucaristia é a fonte da unidade eclesial pela qual Jesus rezou antes da sua Paixão: “Pai ... que todos sejam um [...] a fim de que o mundo acredite que Tu me enviaste” (Jo 17, 21). Essa intensa comunhão favorece o surgimento de generosas vocações para o serviço da Igreja: o coração daquele que crê, cheio de amor divino, é animado a dedicar-se totalmente à causa do Reino. Para que as vocações sejam incentivadas, é importante organizar um trabalho pastoral direccionado precisamente ao mistério da Igreja-comunhão. De facto, quem vive na comunidade eclesial caracterizada pela harmonia, pela co-responsabilidade acolhedora, facilmente aprende a discernir o chamamento do Senhor. O cuidado das vocações, portanto, necessita de uma constante “educação” para ouvir a voz de Deus, como Eli fez quando ajudou o pequeno Samuel a compreender o que Deus lhe estava a pedir e a executar imediatamente a ordem dada (cfr I Sam 3, 9). É óbvio que o dócil e atencioso escutar, apenas pode acontecer num clima de íntima comunhão com Deus. Isso acontece principalmente na oração. De acordo com a ordem explícita do Senhor imploramos o dom das vocações, em primeiro lugar, pela oração incansável e em comunidade, ao “Senhor da messe”. O convite está no plural: “Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9, 38). O convite do Senhor corresponde exactamente ao estilo do “Pai-nosso” (Mt. 6, 9). (...). Uma outra expressão de Jesus é, nesse contexto, extremamente iluminadora: “Se dois de entre vós se unirem, na terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no céu” (Mt 18, 19). O Bom Pastor convida-nos, portanto, a rezar ao Pai celestial, unidos e perseverantes, para que mande vocações para o serviço da Igreja-comunidade. (...)

No centro de cada comunidade cristã está a Eucaristia, fonte e cume da vida eclesial. Aquele que se coloca a serviço do Evangelho e se alimenta com a Eucaristia progride no amor a Deus e ao irmão, contribuindo para a construção da Igreja-comunhão. Podemos afirmar que o “amor eucarístico” motiva e alicerça a actividade vocacional de toda a Igreja porque, como escrevi na encíclica Deus caritas est, as vocações para o sacerdócio, para os ministérios e serviços, desabrocham no Povo de Deus onde há pessoas nas quais Cristo pode ser visto através da sua Palavra, nos sacramentos e, especialmente, na Eucaristia. Isso acontece porque “na liturgia da Igreja, na sua oração, na comunidade viva dos crentes, nós experimentamos o amor de Deus, sentimos a sua presença e aprendemos deste modo também a reconhecê-la na nossa vida quotidiana. Ele amou-nos primeiro, e continua a ser o primeiro a amar-nos; por isso, também nós podemos responder com o amor” (n. 17).

Finalmente, voltemo-nos para Maria que deu apoio à primeira comunidade onde “todos tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração” (Act 1, 14) para que Ela ajude a Igreja a ser ícone da Santíssima Trindade no mundo de hoje. Um sinal eloquente do amor divino para todas as pessoas. Que a Virgem Maria, que respondeu prontamente ao chamamento do Pai, dizendo “Eis a escrava do Senhor” (Lc 1, 38), interceda para que no seio do povo cristão não faltem os servidores do amor divino, ou seja, sacerdotes que, em comunhão com os seus bispos, anunciem fielmente o Evangelho e celebrem os sacramentos, cuidem do Povo de Deus, e estejam preparados para anunciar o Evangelho a todas as pessoas. Que a sua ajuda faça crescer nos nossos dias o número de pessoas consagradas, que contra a corrente, vivam os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, dando profeticamente testemunho de Cristo e da sua mensagem libertadora de salvação. (...)"

(http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45400&seccaoid=9&tipoid=70)
(a 1ª imagem está disponível na Internet em http://lacosazuis.blogs.sapo.pt/arquivo/mundo-orar.jpg)



"Jesus Cristo, Filho de Maria, a Mãe do belo Amor,
toca o coração de muitos jovens,
para que, na escuta da Tua Palavra,
respondam com um Sim generoso
e confiante e sejam protagonistas
numa Igreja que vive, celebra e testemunha o Evangelho do Serviço e da Comunhão. Ámen."

(Folha Pão e Vida nº 408 - http://paoevida.blogspot.com)

 

publicado por ssacramento às 18:37
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Um conto para reflectir

"Um construtor civil trabalhava há muitos anos por conta de uma grande empresa.

Um dia, recebeu ordens para construir uma bela moradia segundo um projecto ao seu gosto. Podia construí-la no lugar onde lhe apetecesse e sem olhar a despesas.

Os trabalhos começaram rapidamente, mas aproveitando a grande confiança que lhe foi dada, o construtor pensou em utilizar materiais falsificados, contratar  operários pouco competentes cujo ordenado fosse inferior, metendo assim ao bolso uma  boa quantia.

Quando a vivenda ficou terminada, o construtor entregou a chave ao dono da empresa. Este restitui-lha sorrindo e, dando-lhe um aperto de mão, disse:

- Esta casa é a nossa oferta para si, como sinal de estima e de reconhecimento."


E eu, sou honesto(a) na minha profissão? Cumpro o meu dever com lealdade?



(FERREIRA, Pedrosa - Educar Contando. Porto: Edições Salesianas, s/d)
publicado por ssacramento às 22:36
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Simbologia ligada à semente

A Bíblia é o livro sagrado de um povo de agricultores e pastores e, por isso, não é de admirar o uso da linguagem simbólica das sementeiras e das sementes para falar de realidades espirituais e transmitir mensagens de fé.

A semente, embora pequena, tem a capacidade de produzir uma enorme quantidade de outros grãos e de estar na origem de uma grande árvore. Um saco de semente pode encher um campo de trigo. A semente já contém em si mesma o que no futuro se vai manifestar. Ela é o símbolo de todas as capacidades e possibilidades, da abundância de vida. É este o sentido dado no 1º capítulo da Bíblia, quando o Senhor promete o florescer da vida em abundância, criando as sementes de todas as árvores, plantas e ervas (Gn. 1,11).

O povo hebraico utilizou a mesma palavra ("zera", traduzido geralmente na Bíblia por descendência) para falar da semente das plantas e da "semente" que origina a vida humana e animal, pois toda a semente vem do Senhor (Jer. 31,27).  Neste povo surge uma Mulher, Maria, que deu ao mundo a verdadeira "Descendência", Jesus Cristo, o qual venceu, pela morte e ressurreição, a serpente do mal. Esta Mulher é também a Igreja, perseguida nos cristãos pela serpente, que se transforma num dragão vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas (Ap. 12,3).

Se a semente produz frutos, a acção de semear orgina a esperança de um fruto que ainda não se colheu, que passará muitas peripécias e dificuldades, que pode aparecer impossível. A acção de semear contrapõe-se à alegria da colheita (Sl. 126,6).

A semente é sinal das bençãos de Deus e para falar da fidelidade de Deus ao seu povo ou da fidelidade do povo a Deus, os profetas usam o símbolo da semente (Is. 30,23). Quando não se pode semear ou se semeia e não há produção, significa uma qualquer maldição (Is. 5,10). O semear para ceifar é também símbolo da luta pela sobrevivência de cada dia (Mt. 6,26).

O gesto do semeador é dos mais belos e característicos da vida no campo, sendo um símbolo do bem ou do mal praticados (Job. 4,8; Prov. 11,18). Longe de Deus a sementeira das obras humanas só produz espinhos (Jer. 12,13).

A semente é ainda símbolo da palavra de Deus. Os três primeiros evangelistas insistem na comparação entre semente e Palavra de Deus. Na parábola da semente e do semeador, diz-se que o "semeador semeia a Palavra" (Mc. 4,14) e esta foi uma das poucas parábolas que Jesus explicou aos seus discípulos. "A semente é a Palavra de Deus" (Lc. 8,11) e Jesus compara-se a um semeador a semear a semente da Palavra no campo do coração de cada um de nós. A urgência da escuta da Palavra, a atenção e o acolhimento que se lhe deve prestar aparecem na frase final de Jesus "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". Não escutar a Palavra de Deus, proclamada por Jesus, é sujeitar-se a ser campo onde o inimigo lança as sementes do joio.

Esta ideia também aparece na parábola do trigo e do joio (Mt. 13, 24-30), que são semeados no mesmo campo, quer dizer, no coração de cada homem e mulher, a semente da Palavra de Deus e a semente do mal andam juntas. Assim, o mundo é comparado a um campo onde é semeada a Palavra de Deus, só que outras sementes más também são semeadas. O que ouve a Palavra de torna-se ele próprio uma semente boa. A melhor explicação da parábola vem da boca do próprio Jesus (Mt. 13,37-43). Ao ouvir a Palavra de Deus, cada cristão recebe dela a sua força e essa semente deve dar frutos de caridade (1Pe 1, 22-23).

É que se o coração do ser humano é um campo aberto à semente do Evangelho, o corpo humano do cristão também é santificado pela semente da Palavra que é garantia da Ressurreição. Como a semente tem de morrer para poder germinar, assim também o nosso corpo, qual semente, para entrar na ressurreição, tem que passar pela morte (Jo 12,24-25). O mesmo sentido é apresentado por São Paulo quando se refere à ressurreição corporal (1Cor 15,35-44).

Toda a vida do cristão é um campo onde ele próprio, acolhendo a semente da Palavra de Deus, está chamado a semear a semente das boas obras e cada um colherá o que tiver semeado (2Cor 9,6).

Nascidos da semente da Palavra de Deus, os cristãos tornam-se um campo onde a vida surge em abundância. A pequenez da semente não a  impede de se tornar uma árvore. A parábola do grão de mostarda diz que a Igreja começou pela semente de um pequenino grupo tornando-se uma árvore (Mt. 13, 31-32). Tal como esse grão de mostarda, Jesus exige de nós fé na sua Palavra (Mt. 17,20).

E nós, como poderemos ser hoje semeadores da semente da Palavra de Deus?


(Adaptado de um artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica, nº 242)



http://www.padremarcelinho.com.br/historinhas.html (História "O Semeador")
publicado por ssacramento às 19:16
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Rescaldo da Visita Pascal

"A festa da Páscoa é para nós cristãos a festa das festas, pois é nela que se baseia toda a nossa esperança, todo o evangelho que anunciamos. Cristo morreu por amor a nós, mas a sua morte transformou-se em fonte de vida e de vida eterna. Esta é a Boa Nova que foi passando de geração em geração até aos nossos dias e que nos reúne em todas as eucaristias para darmos graças a Deus por tal acontecimento.

É uma notícia demasiado importante para a guardarmos dentro das paredes da igreja, por isso saímos às ruas para anunciar que a esperança na felicidade eterna continua viva, pois Cristo Ressuscitou.

Reúnem-se vários fiéis para em conjunto levarem a Boa Nova a quem a desejar receber e assim pobres e ricos, doentes e sãos, crentes e não crentes recebem em sua casa a Santa Cruz que lhes anuncia a alegria da Ressurreição de Cristo. Os sinos que começam a tocar no Glória da Vigília Pascal prolongam-se agora pelas ruas da paróquia para que todos dêem glória a Deus pelo amor que nos tem. As famílias reencontram-se, as portas fechadas ao desconhecido abrem-se a Cristo Ressuscitado.

Este é o dia da Páscoa que Deus desejou que se festejasse, perpetuamente, desde os tempos do êxodo e que nós continuamos a celebrar, incentivados pela força da alegria da ressurreição de Cristo.

Neste dia em que as nossas casas se abriram para entrar Cristo Ressuscitado, pedimos ao Senhor que também os nossos corações se tenham aberto para que esta Boa Nova permaneça neles e nos acompanhe durante toda a vida, até à Páscoa definitiva."

Artigo escrito pelo seminarista Renato Poças e publicado na Folha Pão e Vida, nº 407 -
http://paoevida.blogspot.com


publicado por ssacramento às 15:40
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Parabéns, Santo Padre!


O Papa Bento XVI faz hoje 80 anos.

A Santa Sé disponibilizou o envio on-line de uma felicitação pessoal de aniversário ao Papa Bento XVI. Para isso basta seguir a hiperligação
http://isidoro.vatican.va/auguri/auguri.php?lingua=po e preencher o formulário aí disponível.

Com o nome Joseph Ratzinger, "nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. (...)

O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa. (...)

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.

Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.

No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, (...) conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura». (...)

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.

A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. (...) Paulo VI criou-o Cardeal (...)

Em 1978, participou no Conclave, (...) que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional (...). No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.(...)

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. (...)

Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.(...)".


O resto da biografia pode ser consultada em

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/biography/documents/hf_ben-xvi_bio_20050419_short-biography_po.html


Na última sexta-feira, foi também apresentado oficialmente o livro de Joseph Ratzinger, «Jesus de Nazaré», e hoje serão lançados 350.000 exemplares nas livrarias italianas. A Portugal, o livro chegará em Maio.


Aqui fica o prefácio do livro, numa tradução da Agência Zenit (não corresponde à versão oficial a ser publicada).

"Cheguei ao livro sobre Jesus, do qual apresento agora a primeira parte, após um longo caminho interior. Nos tempos de minha juventude -- anos trinta e quarenta -- publicou-se uma série de livros apaixonantes sobre Jesus. Recordo o nome de alguns autores: Karl Adam, Romano Guardini, Franz Michel Willam, Giovanni Papini, Jean Daniel-Rops. Em todos estes livros, a imagem de Jesus Cristo delineava-se a partir dos evangelhos: como viveu sobre a Terra e como, apesar de ser plenamente homem, levou ao mesmo tempo os homens a Deus, com o qual, como Filho, era uma coisa só. Assim, através do homem Jesus, Deus tornou-se visível, e a partir de Deus pôde ver-se a imagem do homem justo.

A partir dos anos cinquenta, a situação mudou. A sepração entre o «Jesus histórico» e o «Cristo da fé» tornou-se cada vez maior: afastaram-se um do outro rapidamente. Mas que significado pode ter a fé em Jesus Cristo, em Jesus Filho do Deus vivo, se depois o homem Jesus era tão diferente de como o apresentavam os evangelistas e de como o anuncia a Igreja a partir dos Evangelhos?

Os progressos da pesquisa histórico-crítica levaram a distinções cada vez mais subtis entre os diversos extractos da tradição. Por trás deles, a figura de Jesus, sobre a qual se apoia a fé, fez-se cada vez mais incerta, assumiu características cada vez menos definidas.

Ao mesmo tempo, as reconstruções sobre este Jesus, que devia ser procurado a partir das tradições dos evangelistas e suas fontes, tornaram-se cada vez mais contraditórias: desde o revolucionário inimigo dos romanos que se opunha ao poder constituído e naturalmente fracassa, ao manso moralista que tudo permite e inexplicavelmente acaba por causar a sua própria ruína.

Quem ler várias destas reconstruções pode constatar rapidamente que são mais fotografias dos autores e dos seus ideais que a verdadeira interrogação sobre uma imagem que se tornou confusa. Enquanto isso, ia crescendo a desconfiança para com estas imagens de Jesus, e a própria figura de Jesus se ia afastando cada vez mais de nós.

Todos estas tentativas deixaram, como denominador comum, a impressão de que sabemos muito pouco sobre Jesus, e que só mais tarde a fé na sua divindade plasmou a sua imagem. Enquanto isso, esta imagem foi penetrando profundamente na consciência comum da cristandade. Semelhante situação é dramática para a fé, porque torna incerto seu autêntico ponto de referência: a amizade íntima com Jesus, de quem tudo depende, debate-se e corre o risco de cair no vazio. [...]

Senti a necessidade de dar aos leitores estas indicações de carácter metodológico para que determinem o caminho de minha interpretação da figura de Jesus no Novo Testamento. Pelo que se refere à minha apresentação de Jesus, isto significa antes de tudo que eu tenho confiança nos Evangelhos. Naturalmente, dou por descontado quanto o Concílio e a moderna exegese dizem sobre os géneros literários, sobre a intencionalidade de suas afirmações, sobre o contexto comunitário dos Evangelhos e suas palavras neste contexto vivo. Aceitando tudo isto na medida em que me era possível, quis tentar apresentar o Jesus dos Evangelhos como o verdadeiro Jesus, como o «Jesus histórico» no verdadeiro sentido da expressão.

Estou certo de que -- e espero que o leitor possa perceber também -- esta figura é muito mais lógica e, do ponto de vista histórico, também mais compreensível que as reconstruções que pudemos encontrar nas últimas décadas.

Eu creio que precisamente este Jesus -- o dos Evangelhos -- é uma figura historicamente sensata e convincente. Só se aconteceu algo extraordinário, só se a figura e as palavras de Jesus superavam radicalmente todas as esperanças e as expectativas da época, só assim se explica a Crucifixão e sua eficácia.

Aproximadamente vinte anos depois da morte de Jesus, encontramos já plenamente desdobrada no grande hino a Cristo que é a Carta aos Filipenses (2, 6-8) uma cristologia, na qual se diz de Jesus que era igual a Deus mas que se desnudou a si mesmo, se fez homem, se humilhou até a morte na cruz e que a ele incumbe a homenagem da criação, a adoração que no profeta Isaías (45, 23) Deus proclamou que só a Ele se devia.

A investigação crítica faz com bom critério a pergunta: o que aconteceu nestes vinte anos desde a Crucifixão de Jesus? Como se chegou a esta Cristologia?

A acção de formações comunitárias anónimas, de quem se tenta encontrar expoentes, na realidade não explica nada. Como é possível que grupos de desconhecidos pudessem ser tão criativos, ser tão convincentes até chegar a imporem-se deste modo? Não é mais lógico, também do ponto de vista histórico, que a grandeza se encontre na origem e que a figura de Jesus rompesse todas as categorias disponíveis e assim poder ser compreendida só a partir do mistério de Deus?

Naturalmente, crer que ainda sendo homem Ele «fosse» Deus e dar a conhecer isto envolvendo-o em parábolas e ainda de um modo cada vez mais claro, vai muito além das possibilidades do método histórico. Ao contrário, se a partir desta convicção de fé se lêem os textos com o método histórico e a abertura se torna maior, estes abrem-se para mostrar um caminho e uma figura que são dignos de fé. Declara-se, então, também a luta em noutros âmbitos presentes nos escritos do Novo Testamento em torno da figura de Jesus e, apesar de todas as diversidades, chega-se ao profundo acordo com estes escritos.

Está claro que com esta visão da figura de Jesus vou muito além do que o que diz, por exemplo, Schnackenburg em representação de uma boa parte da exegese contemporânea. Espero, pelo contrário, que o leitor compreenda que este livro não foi escrito contra a exegese moderna, mas com grande reconhecimento pelo muito que ela continua a contribuir.

Fez-nos conhecer uma grande quantidade de fontes e de concepções através das quais a figura de Jesus pode fazer-se presente com uma vivacidade e uma profundidade que há poucas décadas não podíamos nem sequer imaginar. Eu tentei ir além da mera interpretação histórico-crítica, aplicando novos critérios metodológicos, que nos permitem uma interpretação propriamente teológica da Bíblia e que naturalmente requerem fé, sem que por isso eu queira renunciar à seriedade histórica. Creio que não é necessário dizer expressamente que este livro não é em absoluto um acto magisterial, mas a expressão de minha busca pessoal do «rosto do Senhor» (salmo 27, 8). Portanto, cada um tem liberdade para me contradizer. Só peço às leitoras e aos leitores uma antecipação de simpatia, sem a qual não existe compreensão possível.

Como já disse no começo deste prefácio, o caminho interior até este livro foi longo. Pude começar a trabalhar nele durante as férias de 2003. Em Agosto de 2004, tomaram forma os capítulos 1 a 4. Após minha eleição à sede apostólica de Roma, utilizei todos os momentos livres que tive para levá-lo adiante. Dado que não sei quanto tempo e quantas forças me serão concedidas ainda, decidi publicar agora como primeira parte do livro os primeiros dez capítulos que vão desde o baptismo no Jordão até a confissão de Pedro e à Transfiguração."

(http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=44905&seccaoid=8&tipoid=217)




publicado por ssacramento às 09:51
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Domingo, 15 de Abril de 2007

Domingo II da Páscoa ou "Domingo da Divina Misericórdia"

"É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de "Domingo da Divina Misericórdia". Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna. Cristo ensinou-nos que "o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a "ter misericórdia" para com os demais. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7)" (Dives in misericordia, 14). Depois, Ele indicou-nos as múltiplas vias da misericórdia, que não só perdoa os pecados, mas vai também ao encontro de todas as necessidades dos homens. Jesus inclinou-se sobre toda a miséria humana, material e espiritual.

A sua mensagem de misericórdia continua a alcançar-nos através do gesto das suas mãos estendidas rumo ao homem que sofre. Foi assim que O viu e testemunhou aos homens de todos os continentes a Irmã Faustina que, escondida no convento de Lagiewniki em Cracóvia, fez da sua existência um cântico à misericórdia:  Misericordias Domini in aeternum cantabo.

A canonização da Irmã Faustina tem uma eloquência particular:  mediante este acto quero hoje transmitir esta mensagem ao novo milénio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a  conhecer  sempre  melhor  o  verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos."

(http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/documents/hf_jp-ii_hom_20000430_faustina_po.html)


Estas foram as palavras do Papa João Paulo II, em 30/04/2000, proclamando o II Domingo da Páscoa como  "Domingo da Divina Misericórdia", aquando da canonização da Irmã Maria Faustina Kowalska (1905-1938).

E quem foi a Irmã Maria Faustina? A sua biografia pode ser consultada em http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20000430_faustina_po.html

Em 30/11/1980 e ainda sobre a Misericórdia Divina, o Papa João Paulo II apresentou a Encíclica "Dives in Misericordia", que pode ser consultada na íntegra em
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_30111980_dives-in-misericordia_po.html

É nesta continuidade que nos vai aparecer a primeira encíclica do Papa Bento XVI "Deus é Amor" (Deus Caritas Est), "anunciando ao homem de hoje o amor misericordioso de Deus" (Folha Pão e Vida, nº 407). A referida Encíclica pode também ser consultada em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html

Finalmente, sobre as leituras de hoje, destaco também as palavras do Papa João Paulo II, em 22/04/2001, ao celebrar o  "Domingo da Divina Misericórdia":
 

"Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos" (Ap 1, 17-18).

Ouvimos na segunda leitura, tirada do livro do Apocalipse, estas palavras confortadoras. Elas convidam-nos a dirigir o olhar para Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, até à mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde:  "Não temas!"; morri na cruz, mas agora "vivo pelos séculos dos séculos"; "Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive".

"O Primeiro", isto é, a fonte de cada ser e a primícia da nova criação:  "O Último", o fim definitivo da história; "O que vive", a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias crucificado e ressuscitado reconhecemos os traços do Anjo imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus  algozes  e  abre  para  os  pecadores penitentes as portas do céu; entrevemos  o  rosto  do  Rei  imortal  que  já tem "as chaves da Morte e do Inferno" (Ap 1, 18).


2. "Louvai o Senhor porque Ele é bom,  porque  é  eterno  o  Seu  amor" (Sl 117, 1). Façamos nossa a exclamação do Salmista, que cantamos no Salmo responsorial:  porque é eterno o amor do Senhor! Para compreendermos profundamente a verdade destas palavras, deixemo-nos conduzir pela liturgia ao centro do acontecimento da salvação, que une a morte e a ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio em que se abre em plenitude o amor do Pai que, pela nossa redenção, não se poupa nem sequer perante o sacrifício do seu Filho unigénito.

Em Cristo humilhado e sofredor, crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. Também depois da ressurreição do Filho de Deus, a Cruz "fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor para com o homem... Crer neste amor significa acreditar  na  misericórdia"  (Dives  in  misericordia, 7).

Desejamos dar graças ao Senhor pelo seu amor, que é mais forte do que a morte e do que o pecado. Ele revela-se e torna-se actuante como misericórdia na nossa existência quotidiana e convida todos os homens a serem, por sua vez, "misericordiosos" como o Crucificado. Não é porventura amar a Deus e amar o próximo e até os "inimigos", seguindo o exemplo de Jesus, o programa de vida de cada baptizado e de toda a Igreja?

3. Com estes sentimentos, celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado [2000], ano do Grande Jubileu, também é chamado "Domingo da Divina Misericórdia". É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, (...) para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. A elevação às honras dos altares desta humilde Religiosa, filha da minha Terra, não significa um dom só para a Polónia, mas para a humanidade inteira. De facto, a mensagem da qual ela foi portadora constitui a resposta adequada e incisiva que Deus quis oferecer às interrogações e às expectativas dos homens deste nosso tempo, marcado por grandes tragédias. Jesus, um dia disse à Irmã Faustina:  "A humanidade  não  encontrará  paz,  enquanto não tiver confiança na misericórdia divina" (Diário, pág. 132). A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milénio.

4. O Evangelho, que há pouco foi proclamado, ajuda-nos a compreender plenamente o sentido e o valor deste dom. O evangelista João faz-nos partilhar a emoção sentida pelos Apóstolos no encontro com Cristo depois da sua ressurreição. A nossa atenção detém-se no gesto do Mestre, que transmite aos discípulos receosos e admirados a missão de serem ministros da Misericórdia divina. Ele mostra as mãos e o lado com os sinais da paixão e comunica-lhes:  "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21). Imediatamente a seguir, "soprou sobre eles e disse-lhes:  recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoardos, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus confia-lhes o dom de "perdoar os pecados", dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade.

Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão.

5. O Coração de Cristo! O seu "Sagrado Coração" deu tudo aos homens:  a redenção, a salvação, a santificação. Deste Coração superabundante de ternura Santa Faustina Kowalska viu sair dois raios de luz que iluminavam o mundo. "Os dois raios, segundo o que o próprio Jesus lhe disse, representam o sangue e a água" (Diário, pág. 132). O sangue recorda o sacrifício do Gólgota e o mistério da Eucaristia; a água, segundo o rico simbolismo do evangelista João, faz pensar no baptismo e no dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14).

Através do mistério deste coração ferido, não cessa de se difundir também sobre  os  homens  e  as  mulheres  da nossa época o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade  autêntica  e  duradoura,  unicamente  nele  pode  encontrar  o  seu segredo.

6. "Jesus, confio em Ti". Esta oração, querida  a  tantos  devotos,  exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador.

Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples acto de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado.

Maria, Mãe da Misericórdia, faz com que conservemos sempre viva esta confiança no teu Filho, nosso Redentor. Ajuda-nos também tu, Santa Faustina, que hoje recordamos com particular afecto. Juntamente contigo queremos repetir, fixando o nosso olhar frágil no rosto do divino Salvador:  "Jesus, confio em Ti". Hoje e sempre. Amen."


http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2001/documents/hf_jp-ii_hom_20010422_divina-misericordia_po.html
publicado por ssacramento às 10:59
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