Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Santo Inácio de Loyola

Santo Inácio ou Iñigo López de Loyola nasceu em 1491, em Loyola, sendo o último de 13 irmãos. Viveu na corte, tendo estado 12 anos como fidalgo do senhor de Arévalo e 4 anos às ordens do duque de Nájera, vice-rei de Navarra. Em 1521, com 30 anos, mudou radicalmente de vida, como ele próprio escreveu na sua autobiografia. Lutou heroicamente em Pamplona, tendo ficado ferido da perna direita, que lhe ficou mais curta que a outra. Enquanto doente, para se distrair, pediu livros de cavalaria, mas deram-lhe a Vida de Cristo, do Cartuxano e Vidas dos Santos.
Lentamente, começou a mudar e se "S. Domingos fez isto, pois eu tenho de o fazer também. S. Francisco fez aquilo, pois eu tenho de o fazer também." Assim, decidiu-se a "assinalar-se" em grandes empresas para a maior glória de Deus.
Depois de fazer uma viagem a Jerusalém, o seu primeiro desejo foi entrar na Cartuxa de Sevilha.
Durante um ano reza e faz penitência. Na Santa Cova nascem os Exercícios Espirituais que recebeu do Senhor. Parte para a Terra Santa. Volta a Barcelona, onde passa 2 anos a estudar para poder ajudar as almas. Estuda ano e meio em Alcalá e um mês em Salamanca. Ao mesmo tempo dava os Exercícios. Suspeitavam dele. Teve 5 processos com a Inquisição e esteve 2 vezes preso. Oferecem-lhe ajuda, mas apenas confia em Deus.
Em 1528, parte para Paris, sozinho, a pé, com neve e gelo. Passa 7 anos a estudar, preparando-se para o sacerdócio. Em Monmartre nasce a Companhia de Jesus, cativando outros seguidores. Parte Inácio para Loyola, doente. Volta a Veneza onde o grupo o espera, já aumentado com novos membros. São ordenados sacerdotes em Veneza. Inácio, para se preparar melhor, demora ano e meio para celebrar a sua primeira missa em Santa Maria, a Maior, em Roma.
O Papa Paulo III aprova a Companhia. Em Roma realizam grande trabalho pastoral. Inácio envia Francisco Xavier para a Índia, outros para o Brasil, Etiópia e depois para todo o mundo, sempre às ordens do Papa, em favor da Reforma Católica.
Santo Inácio foi um grande asceta e místico. Teve o dom das lágrimas na celebração da Missa. Era amoroso e sentimental. Viveu a mística do serviço. A sua virtude preferida era a obediência. Morreu a 31/07/1556, sendo canonizado pelo Papa Gregório XV em 1622.

(JUSTO, P., LOPEZ, Rafael - Os santos do Mês. Cucujães: Editorial Missões, 2003)
publicado por ssacramento às 18:06
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007

A última andorinha

"Era o momento das andorinhas regressarem através dos mares para as suas terras, mas uma delas chegou tarde. Que fazer? Decidiu empreender a viagem, sozinha. O sol brilhava com força.
Depois de várias horas de voo, faltou-lhe o ânimo e começou a ficar esgotada. Decidiu então deixar-se cair nas águas e morrer.
Nesse momento, viu outra andorinha que voava junto às águas do mar na mesma direcção. Animou-se e fez um novo esforço, retomando o voo. Cada vez que se sentia cansada, olhava para a sua fiel companheira que voava mais abaixo, junto às águas azuis do mar e seguia em frente. E foi assim que percorreu dezenas de quilómetros sem se deixar desanimar.
Quando chegou a noite, a andorinha amiga desapareceu. Porém, a meta estava próxima e teve ainda forças para continuar. Felizmente, chegou ao fim com vida.
Ao interrogar-se onde estaria a sua amiga da viagem, descobriu que essa companheira era apenas a sua própria sombra projectada no mar."


(FERREIRA, Pedrosa - Tutti Frutti. Pequenas histórias para saborear. Porto: Edições Salesianas, 2003)
publicado por ssacramento às 21:53
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Domingo, 29 de Julho de 2007

(Casa-Acolhimento) Santa Marta

Hoje, dia da Festa de Santa Marta. É também tempo de lembrar a construção da Casa-Acolhimento Santa Marta, cujo início de obra está previsto para o próximo dia 15 de Setembro, dia da fundação da paróquia em 1927.

O que é a Casa-Acolhimento de Santa Marta? Trata-se de uma obra sócio-caritativa da nossa Paróquia, ao serviço dos doentes, idosos, sós e carenciados.

A 29/07/1999, a Paróquia realizou a escritura de compra do terreno, de 1.200 m2, situado nas traseiras da Igreja do Santíssimo Sacramento. O projecto prévio foi aprovado pela Câmara Municipal do Porto a 04/01/2002 e o licenciamento da obra ocorreu em Setembro de 2006. O custo da obra e equipamento está estimado em 1.500.000 €. Até ao momento, as ofertas para a obra foram já de 688.514 €. Mas ainda não são suficientes! Por isso, neste domingo, nas Eucaristias celebradas na Igreja da Paróquia do Santíssimo Sacramento, foi feito um ofertório especial com este objectivo.

O contributo de todos é necessário! "Veja nos pobres o Evangelho vivo e todo o seu tesouro". Caso esteja interessado em contribuir para a construção da Casa-Acolhimento Santa Marta, contacte:

Igreja Paroquial do Santíssimo Sacramento
(Pe. José Pereira Soares Jorge)
Rua de Guerra Junqueiro, 600
4150-387 Porto
Telef: 22 606 60 08            Fax: 22 600 29 81            e-mail: santissimo@iol.pt

Atenção, não realizamos peditórios na rua ou pela Internet.



Quem foi Santa Marta?

Santa Marta, irmã de Maria e Lázaro, vivia em Betânia e os três eram muito amigos de Jesus. Aqui passava Jesus horas de descanso, à beira de mãos que o serviam com carinho e ouvidos dóceis e acolhedores. No final do dia, quando terminavam as duras jornadas de Jerusalém, Betânia era para Jesus o lugar preferido de descanso.


São três os episódios protagonizados nesse local, três admiráveis encontros com Jesus. No primeiro, quando Jesus chegou a Betânia, Marta tudo fez para obsequiar um hóspede tão querido. Um pouco nervosa, delicada, solícita, activa, Marta queixa-se a Jesus de que Maria, para O escutar melhor, a deixa sozinha com o serviço. Jesus responde-lhe que não se preocupe, que não se impaciente, porque o principal é a amizade, estar juntos. Jesus elogia a atitude de Maria. Santa Teresa afirma que é o "nada te perturbe, só Deus basta", porém também diz que se Marta tivesse tomado a mesma atitude de Maria, quem teria servido o divino Hóspede?

O segundo episódio sucede aquando da morte de Lázaro. As irmãs avisam Jesus que Lázaro, o seu amigo, está doente. Quando Jesus chega já Lázaro morrera. Marta logo saiu ao encontro de Jesus. Já não é apenas a mulher entendida em coisas de cozinha e serviço, pois mantém um diálogo com Jesus. Lázaro ressuscitará, diz-lhe Jesus. - Sim, já sei que ressuscitará no último dia, diz Marta. Então Jesus consola-a: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá".

O último episódio foi seis dias antes da Páscoa. Simão, o Leproso, dava um banquete em honra de Jesus e estavam convidados os seus amigos. Marta servia, Lázaro estava à mesa, e Maria ungiu os pés de Jesus.

(JUSTO, P., LOPEZ, Rafael - Os santos do Mês. Cucujães: Editorial Missões, 2003)

publicado por ssacramento às 10:25
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Sábado, 28 de Julho de 2007

O novo santuário de Fátima

Igreja da Santíssima Trindade é o nome atribuído ao novo templo construído no Santuário de Fátima. A escolha deste nome deve-se à fundamentação teológica, essencialmente trinitária, das aparições do Anjo aos Pastorinhos, em 1916, de Nossa Senhora, em 1917, e continuadas em Tuy e Pontevedra até 1929.

A exiguidade das dimensões da Basília de Nossa Senhora do Rosário, cuja primeira pedra foi benzida a 13 de Maio de 1928, levou à preocupação de construção de um novo espaço de oração, cujo projecto remonta ao "Estudo de Estruturação Pastoral", elaborado pelo Reitor do Santuário em 1974, e continuado em 1996, pelo Serviço de Ambiente e Construções. No concurso internacional lançado pelo Santuário para a concretização deste novo projecto, concorreram nove trabalhos, sendo escolhido o do arquitecto grego Alexandros Tombazis, em que se combina luz e tecnologia, sendo o maior recinto público fechado do país. A obra, inicialmente orçamentada em 40 milhões de euros, mas cujo custo final rondará os 60 milhões de euros devido à construção do túnel (mais 9 milhões de euros), erros e omissões, foi iniciada em Fevereiro de 2004.

O novo templo, que pretende assinalar os 90 anos das Aparições de Nossa Senhora, será sagrado e inaugurado pelo Legado Pontifício, Cardeal Tarcísio Bertone, a 13 de Outubro do corrente ano.

Toda a estrutura da igreja é suportada por duas grandes vigas de betão branco de 182,5 metros e é revestida a calcário branco, do mar, da região de Porto de Mós, numa alusão à cor predominante das aparições. Tem forma circular, com 18 metros de altura e 125 de diâmetro. Apresenta 12 portas laterais simétricas, de bronze, número dos Apóstolos e das tribos de Israel, entre outras referências bíblicas. A porta 13 é a porta principal, sendo alusiva aos dias treze das Aparições de Nossa Senhora, e é consagrada a Cristo, apresentando 8 metros de altura por 8 de largura. Esta porta é ladeada por 10 painéis superiores de bronze (os 10 mistérios do Rosário, da autoria do português Pedro Calapez) e 10 inferiores de vidro (do canadiano Kerry Joe Kelly).

A nave central da igreja situa-se no piso zero do edifício, com capacidade para 9000 lugares sentados e lugares reservados a deficientes. No altar-mor será colocado um fragmento marmóreo, retirado do túmulo de São Pedro, oferecido pelo Papa João Paulo II ao Santuário de Fátima. No centro do altar será suspenso um grande crucifixo de bronze, de 7 metros de altura, da artista irlandesa Catherine Green.

Dada a internacionalidade da mensagem de Fátima, os representantes do Santuário consultaram os directores dos principais museus de vários países, para que lhes indicassem nomes de artistas internacionais para a execução das várias obras iconográficas que ornamentam a nova igreja, para que os peregrinos das diversas nacionalidades, ao visitarem este espaço, sentissem pela arte a vinculação aos seus países.

O interior da igreja é iluminado, a partir do tecto, com luz natural, através de janelas com estores que controlam e permitem mudar a iluminação, através de um sistema computorizado.

Para além do espaço principal, a nova Igreja tem ainda a Capela da Reconciliação (piso -1), para 600 pessoas sentadas, bem como 2 capelas menores, com 300 lugares cada, e ainda 46 confessionários. O reitor do Santuário, Monsenhor Luciano Gomes Paulo Guerra prevê que a capela menor central seja destinada à Adoração ao Santíssimo Sacramento, em substituição da actual capela localizada ao fundo da colunata Sul. As capelas são antecedidas por um grande átrio, dedicado aos Apóstolos São Pedro e São Paulo, com dois painéis do arquitecto Siza Vieira, e que confronta com 2 espelhos de água, simbolizando a purificação do pecado pela água do Sacramento do Baptismo e do Sacramento da Confissão. O piso -1 tem ainda um espaço polivalente, o Convívio de Santo Agostinho, para encontros de evangelização ou outros.

O exterior da igreja é pavimentado com 22.000 m2 de calçada portuguesa, nas duas cores tradicionais (branco e azul), com pedra da região da Serra de Aire, prevendo-se posteriormente o alargamento da calçada a todo o recinto do Santuário, em substituição do tapete de alcatrão actual. Do lado esquerdo da entrada principal fica a Cruz Alta, de aço, com 34 metros de altura e 17 de largura transversal, da autoria do alemão Robert Schad. Do lado direito ficará a estátua do Papa João Paulo II, em bronze, do polaco Czeslaw Dzwigaj. As antigas estátuas do Papa Paulo VI (que visitou o Santuário em 13/5/1967), a de D. José Alves Correia da Silva (primeiro bispo de Nossa Senhora de Fátima) e a do Papa Pio XII, também serão recolocadas no exterior da Igreja da Santíssima Trindade.

(Revista Stella, Julho/Agosto 2007)


Pode consultar algumas informações complementares sobre esta obra, incluindo a interpretação da  maqueta da Igreja da Santíssima Trindade, na página oficial do Santuário de Fátima.
publicado por ssacramento às 09:27
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Férias inteligentes = Férias diferentes

Para muitos já chegaram as férias e para outros elas estão quase a chegar. É altura de fabricar mil e um sonhos e projectos a realizar: em que hotel ficar, a que campismo ir, até que horas dormir, quanto tempo de praia e banhos de sol tomar, são algumas das tantas actividades de rotina desse tempo chamado descanso.

Mas todas essas coisas que se fazem durante o tempo de férias levam a experimentar o verdadeiro descanso, ganhar novas energias, crescer e aprofundar relações? Muitas vezes parece que as pessoas voltam mais cansadas e menos desejosas de começar com força os novos desafios que a vida lança! Certo é que precisamos realmente de descansar. Então, o que fazer para que as férias se tornem um tempo propício para o repouso, alegre e de festa? Aqui fica uma receita do bom descanso.

  • Saber programar - as férias são o tempo oportuno para pararmos e avaliarmos as actividades realizadas. É necessário saber se estamos a crescer e a dar frutos nos compromissos assumidos. É o tempo ideal para ajustar projectos e marcar novas metas e sonhos. Para isso é necessário uma dose de 10 minutos de silêncio interior todos os dias, num local calmo. Jesus costumava procurar momentos de silêncio para ver o andamento da sua vida, confrontando-se consigo próprio e com o seu Pai.
  • Saber conversar - as férias também podem servir para estarmos mais tempo com as pessoas que amamos, familiares e amigos, conversarmos com eles sem pressas, contrariamente ao resto do ano em que andamos sempre atarefados.
  • Saber aprender - podemos ainda aproveitar as férias para enriquecer o espírito, cultivando os seus talentos e dons. E podemos aprender tanto escutando os outros com atenção!
  • O resto é para ti - há que deixar um lugar vago para ti, para que também tu possas acrescentar mais ingredientes a esta receita inteligente.
Então, e agora? Vais gozar uma férias diferentes? Boas férias!

(Adaptado do artigo de Luís Maurício, in Revista Fátima Missionária, Agosto/Setembro 2007)
publicado por ssacramento às 12:19
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Agir com calma

Não são as grandes tempestades que levam o agricultor a esperar grandes colheitas; são as chuvas calmas e constantes, que descem ao fundo das raízes.
Não são os gritos que fazem os bons amigos; é a conversa tranquila, umas risadas de vez em quando, as histórias e as recordações. É a vida derramada através do diálogo e da confiança mútua.
Não são os vendavais que distribuem o pólen de flor em flor; são os insectos, as borboletas, as abelhas.
O que faz crescer a paz e o bem nos lares são as palavras criteriosas da mãe e do pai, que entram calmamente no coração dos filhos. Os gritos espantam e afastam.
As grandes ideias não são fruto do barulho, mas da reflexão. Se queremos fazer um retiro, não escolhemos uma sala de jogos. As melhores preces são aquelas que proferimos em voz calma e silenciosa.
Não é no barulho das praças que resolvemos as nossas dúvidas ou estudamos as nossas decisões. É no silêncio do quarto, ao longo das noites. Não se evitam divórcios com discussões ou argumentos sofisticados, mas com o diálogo calmo e paciente.
Cristo veio a este mundo para anunciar a mensagem do Pai e fê-lo com suavidade. Usa também esta técnica. Mais elogios do que críticas. Ninguém resiste ao amor.
Deus não mora no barulho. Não te apresses. Não te precipites.

(BÁGGIO, António - Tudo transformar em cada amanhecer. Lisboa: São Paulo, 1993)
publicado por ssacramento às 11:02
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

S. Tiago, padroeiro de Espanha

S. Tiago, o Maior, era filho de Zebedeu e de Salomé, uma das mulheres que seguiam Jesus na sua pregação, que O acompanharam até à cruz e, na manhã da Ressurreição, acorreram para O ungir.

S. Tiago e seu irmão João, os Boanerges ou filhos do trovão, foram chamados por Jesus quando estavam com o seu pai Zebedeu, consertando as redes, nas margens do mar da Galileia.

S. Tiago tinha um carácter muito resoluto e generoso. Quando o Senhor o chamou não duvidou e deixou tudo. Mas também era extremista: quando os samaritanos não quiseram receber Jesus, irritados, Tiago e João pretendiam que descesse fogo do céu e acabasse com eles. Outra vez deixaram-se levar pela ambição: apresentaram-se com a mãe Salomé para Lhe pedir os primeiros lugares, quando restaurasse o reino de David.

Mas tudo isto não foi obstáculo para que Jesus desse aos dois irmãos, juntamente com Pedro, provas especiais de apreço: os três, sozinhos, foram testemunhas da Transfiguração de Jesus no Tabor, presenciaram a ressurreição da filha de Jairo e assistiram à agonia de Jesus no Getsémani.

Duas missões principais cumpriu Tiago: primeiro levou o Evangelho até Espanha (às regiões Tarraconense, Bética e Lusitana); depois regressou a Jerusalém sendo o primeiro dos apóstolos a derramar o seu sangue por Cristo, pois Herodes Agripa, tendo recebido o reino do imperador Calígula e para se reconciliar com os judeus, mandou degolar Tiago, irmão de João.

Contam as antigas tradições que o corpo de S. Tiago foi trasladado para a Galiza. Em 813, um ermitão viu brilhar uma estrela em Iria e o bispo Teodomiro descobriu as relíquias no que chamam o Campo da Estrela (Compostela). A partir de então, este Apóstolo protegerá a Espanha e pelo "caminho de Santiago" acorreram (e continuam a acorrer) peregrinos de toda a cristandade.

(JUSTO, P., LOPEZ, Rafael - Os santos do Mês. Cucujães: Editorial Missões, 2003)




publicado por ssacramento às 10:26
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007

O pântano

Um dia, um menino rico caiu num pântano. Aos seus gritos acudiu um pobre homem que trabalhava ali perto e o salvou. No dia seguinte, veio a sua casa o pai do menino a fim de agradecer o seu gesto:
- Obrigado. O senhor salvou a vida do meu filho. Aqui tem uma oferta.
O homem pobre, que estava com o seu filho, recusou a oferta. O homem rico disse-lhe:
- Então, como recompensa, proponho-me pagar os estudos do seu filho.
O homem pobre consentiu e deixou que o seu filho partisse para a cidade. A criança tinha o apelido de Fleming. Frequentou com sucesso a escola secundária e entrou para a Faculdade de Medicina. Terminados os estudos, dedicou-se à investigação. Ficou conhecido em todo o mundo como o descobridor da Penicilina.
Anos mais tarde, o filho do homem rico, que havia sido salvo do pântano, estava doente com pneumonia. Quem o salvou foi a Penicilina. Falta dizer o nome desse doente: Winstor Churchill, famoso político inglês.

Um pequeno gesto de carinho, compreensão, gratidão pode salvar vidas. Haverá coisa mais importante que salvar uma vida humana? Estes gestos são expressão de uma atitude permanente de respeito pelo próximo.

(FERREIRA, Pedrosa - Tutti Frutti. Pequenas histórias para saborear. Porto: Edições Salesianas, 2003)

publicado por ssacramento às 07:05
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Pensar + Orar = Meditar



O que é meditar? Numa definição simples, meditar significa o exercício de reflexão, acompanhado pelo diálogo orante. A meditação supõe uma actividade interior da memória (para recordar a cena evangélica ou a verdade que quero meditar), da inteligência (para discorrer, pensar sobre o assunto da meditação) e da vontade (para ter desejos sinceros).


Como fazer meditação? Seguindo o Padre Dário Pedroso, apresenta-se o seguinte esquema de meditação:


  • Presença de Deus - Começar por fazer actos de fé na presença de Deus. O Senhor está presente em nós, já nos espera quando vamos rezar. Sabe o que somos, pensamos, onde estamos. Invade as nossas vidas. É uma oração de presença, que nos ajuda a serenar, pacificar, a fazer silêncio. Pensar com quem vou estar dar-me-á uma dimensão de acolhimento, escuta, delicadeza de alma.
  • Pedir luz, sabedoria - Só a luz do Espírito me poderá ajudar a meditar bem e súplicas como "ensina-me a rezar", "ajuda-me a saborear a Palavra", "reza em mim, reza comigo", "ajuda-me a concentrar, escutar, a abrir-me ao Teu amor", podem ser rezadas para que a oração se torne mais obra de Deus que nossa.
  • Ler o texto - Pausadamente, com atenção, faz-se a leitura de um pequeno trecho do Evangelho, da Liturgia da Missa, ... A leitura ajudará a dominar distracções e a não nos perdermos.
  • Reflectir - Trata-se de saborear o texto, ver a sua riqueza, aprofundar algum aspecto. Ir colocando perguntas: Que querem dizer estas palavras? Que ensinamento me trazem? Como posso pô-las em prática? Como é que Jesus as viveu? Que tenho de mudar para viver segundo essa dimensão? Que vou fazer para que os outros a vivam?
  • Dialogar - Depois da reflexão virá o diálogo ou colóquio, uma conversa mais íntima em que o coração fala com Deus, agradecendo o Seu ensinamento, louvando-O, pedindo-Lhe perdão pelas infidelidades, enfim, falando como um amigo fala com outro.
  • Propor - A oração é para a vida, para que esta vá mudando. É o levar a oração para a vida através de um propósito, de algo que nos comprometa.
(Adaptado de PEDROSO, Dário - Vida em Oração. Braga: Editorial A.O.,1989)

(Adaptado de http://www.infancia-misionera.com/16orcolor.htm)
publicado por ssacramento às 11:50
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Domingo, 22 de Julho de 2007

Senhor, quem habitará na vossa casa?

Nas leituras de hoje, Abraão recebe cordialmente três misteriosos personagens e acolhe Deus. Marta e Maria acolhem familiarmente o amigo Jesus e é a Deus que hospedam. Os nossos olhos mundanos e distraídos poderão interpretar estes dois gestos como simples exercício de hospitalidade das tribos nómadas ou prática de uma boa amizade, respectivamente.

Saibamos abrir os olhos da fé e deixemos que a Palavra de Deus nos fale. Na atitude acolhedora de Abraão, o povo de Deus aprenderá a viver a hospitalidade: o estrangeiro e o peregrino recordar-lhe-ão que também ele foi estrangeiro e escravo na terra do Egipto, foi errante no deserto, e que toda a vida dos crentes neste mundo deverá ser uma peregrinação contínua em direcção à Terra Prometida, à Casa do Pai.

Nas atitudes, activa de Marta e orante de Maria, poder-se-á compreender a vida normal do cristão. Se Jesus-hóspede é acolhido com tamanha solicitude é porque a Sua presença é sempre o sinal do amor palpável de Deus para com todas as pessoas e, por isso mesmo, um permanente convite à conversão.

Acolher Jesus não é apenas esmerar-se em receber "bem" a Sua pessoa. Marta, pela muita amizade que Lhe tinha, preocupou-se sobretudo com as "coisas" práticas, também importantes: a recepção, a refeição, o ambiente. Mas acolher bem Jesus é escutá-Lo, entrar em comunhão com Ele e a Sua mensagem. E acolhê-lo é acolher cada um dos "cristos" que vagueiam, incontáveis, pelos caminhos do nosso mundo.

Se queremos habitar na Casa do Senhor, primeiro temos que criar condições para O hospedarmos na nossa vida sempre que Ele venha bater à nossa porta. E isso sucede a cada momento!

Na nossa Paróquia, no nosso grupo, na nossa vida, existem condições de acolhimento para os "cristos" que ali aparecem? Conseguimos, no nosso dia-a-dia, harmonizar a contemplação e a acção ou as múltiplas actividades estão a prejudicar o nosso espaço de diálogo com Deus? Queremos ser Marta ou Maria? Ou as duas juntas?

(adaptado de um artigo de J. Machado Lopes, in Revista Bíblica, nº238)
publicado por ssacramento às 13:48
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Sábado, 21 de Julho de 2007

A nossa Paróquia - guia informativo



A Paróquia do Santíssimo Sacramento é um espaço de acolhimento aberto a todos os que seriamente se interrogam sobre a questão de Deus e querem aprofundar a fé.


É um espaço de celebração da fé com outros cristãos que sentem a necessidade de marcar:


  • O ritmo semanal de trabalho com um tempo diferente, de festa, pela liturgia semanal e dominical. Neste sentido, o horário das missas na Igreja Paroquial é o seguinte:
- à semana: 9 e 19 horas
- aos domingos: - vespertina (sábados): 19 horas (e 16,30 horas, excepto nos meses de Julho, Agosto e Setembro); - domingos: 9 h;  10,30 h; 12 h e 19 horas.
  • O ritmo da vida com acontecimentos fundamentais para a história de cada pessoa, aos quais a Igreja oferece ritos significativos:
- para o nascimento, com o Baptismo, o abrir do olhar para Deus como Pai e para a Comunidade como companheira de crescimento. Os pais das crianças, ao pedirem o Baptismo à Igreja, participarão com os padrinhos na preparação devida (C.P.B.). As crianças em idade de catequese devem fazer a sua inscrição catecumenal. Os jovens ou adultos devem inscrever-se no Catecumenado que prepara para o baptismo;

- para o crescimento adulto, com a Confirmação ou Crisma, invocando os dons do Espírito Santo, solidificando a fé infantil e atestando o compromisso com a comunidade. Todos os anos, em Outubro, pode inscrever-se num grupo de preparação para o Crisma;

- para abençoar o encontro de um homem e de uma mulher no amor, com o Matrimónio. Os noivos podem fazer a sua preparação para o Matrimónio (CPM) e prepararem-se para a festa do casamento;

- para ajudar a viver serenamente a doença e a idade avançada, com a Unção dos Enfermos. Contacte o Pároco sempre que alguém esteja doente para poder receber a Comunhão e preparar-se para a Unção dos Doentes em tempo oportuno;

- para refazer os laços com Deus, com os outros e consigo mesmo, que o pecado altera e corrói, através da Reconciliação ou Penitência. Poderá fazê-lo todos os dias, antes e depois das missas;

- para educar na fé as crianças e adolescentes, através da Catequese. As matrículas ocorrem em Julho ou Setembro, desde a idade escolar;

- como lugar e espaço de encontro juvenil, através de grupos de reflexão e formação, com o agrupamento de escuteiros (CNE);

- para acolher e colaborar com as famílias. Sobretudo para os pobres e pessoas necessitadas existem as Conferências de S. Vicente de Paulo, a Obra Social de Nª Sª da Boa Viagem, o Centro de Convívio para a Terceira Idade (todas as tardes de 2ª a 6ª: encontra-se encerrado durante a 2ª quinzena de Julho e em Agosto), Posto Médico e Medicamentoso, Patronato de Santa Teresinha e ATL, o Serviço de Apoio Domiciliário. Estamos também empenhados na construção da Casa-Acolhimento Santa Marta, uma obra sócio-caritativa, com o arranque da obra previsto já para o próximo dia 15 de Setembro.

Se como sinal do seu compromisso cristão deseja participar em algum serviço paroquial, segundo as suas capacidades, não hesite. A Igreja precisa da sua participação e corresponsabilidade. Será bem-vindo(a).



Conduz esta Paróquia - Pe. José Pereira Soares Jorge

Igreja Paroquial
Rua de Guerra Junqueiro, 600
4150-387 Porto
Telef: 22 606 60 08            Fax: 22 600 29 81            e-mail: santissimo@iol.pt
                     
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Uma oração vivida

Há uns dias atrás reflectíamos sobre Rezar a Vida. Hoje é altura de pensarmos na nossa vida enquanto oração vivida.

"Estar com Deus, rezar-Lhe, estar em comunhão com o divino, deve mudar-nos e mudar a nossa vida. Sair da oração com o desejo efectivo de viver melhor, traduzindo na vida as grandezas de Deus. A oração, não pode ser um momento do dia em que se está com Deus, desligada da vida ao longo das horas do dia.

Levar a oração para a vida, amando como Deus ama, impregnando palavras, atitudes, acções, da lei divina do mandamento do amor fraterno; servindo ao jeito de Jesus a Quem rezamos e que Se ajoelhou a lavar os pés aos discípulos; buscando modos concretos de ajudar, remediar males, buscar soluções, aliviar sofrimentos, imitando Aquele a Quem rezamos e que passou fazendo o bem.

Levar a oração para a vida, olhando esta com dimensão cristã, buscando Deus em tudo e tudo em Deus, deixando que sejam os critérios do Evangelho a mover as nossas atitudes e comportamentos, não permitindo que a fé diminua, a esperança enfraqueça, o amor arrefeça.

Levar a oração para a vida, tendo um sentido optimista de tudo e de todos, esperando contra toda a esperança, amando inimigos, dominando paixões, vivendo o Evangelho ao longo do dia, sendo cristão orante no trabalho, em casa, nos momentos de lazer.

Na medida em que levamos a vida à oração, saíremos desta a viver melhor a própria existência. O mundo será o nosso convento, a nossa cela orante, contemplativa, silenciosa."

(PEDROSO, Dário - Vida em oração. Braga: Editorial Apostolado da Oração, 1989. Imagem retirada de http://www.homemsonhador.com/GodLoveLife.gif)
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

Como caíram as muralhas de Jericó

A conquista da cidade de Jericó, feita pelo povo de Israel conduzido por Josué, aparece narrada no cap. 6 do livro de Josué e situa-se cerca de 1200 a.C., quando os israelitas chegaram à Palestina, a Terra Prometida.
A primeira cidade inimiga que encontraram foi Jericó, um centro importante e rico (Js 6,24), rodeado por muralhas altas e poderosas (6,5). No seu interior habitavam os cananeus, com um rei, serviços secretos de inteligência (Js 2,2) e um valoroso exército. Os israelitas, pelo contrário, eram apenas um bando desorganizado de tribos e clãs que vinham a fugir da escravidão do Egipto. Como é que poderiam conquistar todo o país, se a primeira cidade já parecia inconquistável?
Nesse momento Deus falou a Josué e explicou-lhe a estratégia que deviam utilizar para vencer e destruir Jericó, exterminando todos os habitantes da cidade. Era um ritual estranho: durante 7 dias, marchariam em círculo à volta da cidade, com a Arca da Aliança; os sacerdotes iriam tocando as trombetas, enquanto o resto do povo acompanharia com um solene silêncio; dariam uma volta cada dia e voltariam para o acampamento (Js 6,15-20).
Esta batalha de Jericó aparece como um acontecimento militar chave para o povo de Israel, uma vez que lhe abriu as portas da conquista da Palestina. Porém, na realidade, o que terá acontecido? Durante séculos as opiniões dos biblistas dividiram-se, desde um rotundo impossível, à fega cega num milagre de Deus, à atribuição a um fenómeno natural como um terramoto, ou a considerarem que a expressão "muro da cidade" era uma metáfora para designar a "guarda da cidade".
Um achado arqueológico pôs fim a este debate. A cidade de Jericó foi descoberta em 1868, a 28 Km ao nordeste de Jerusalém, perto do Mar Morto. As primeiras escavações realizaram-se entre 1908 e 1910, pelos alemães E. Sellin y C. Watzinger. Entre 1930 e 1936 houve uma 2ª campanha arqueológica, dirigida pelo inglês John Garstang. Finalmente, entre 1952 e 1959 houve a 3ª e última campanha, dirigida pela arqueóloga Kathleen Kenyon.
A primeira surpresa surgiu quando se verificou que Jericó seria a cidade mais antiga do mundo, pois encontraram-se restos de uma muralha de defesa (com 2 metros de largura e uma torre de 9 metros), datada de 8.000 a.C.
Então, Jericó erguia-se num fértil oásis, de abundantes palmeiras e tâmaras, com copiosas nascentes de água. Os habitantes da cidade enterravam os seus mortos debaixo do piso das suas próprias casas. Esta cidade teria sido destruída pela guerra e abandonada cerca de 7.200 a.C.
A 2ª grande descoberta foi que não houve apenas uma Jericó, mas muitas, pois ao longo da sua história a cidade foi destruída e reconstruída numerosas vezes, devido a catástrofes, guerras, invasões, conflitos, dando origem a um total de 17 Jericó, o que mostra a sua importância estratégica. A última Jericó que os arqueólogos encontraram foi a do ano 1550 a.C.
Ora, se Jericó não voltou a ser edificada após esta última devastação, supostamente quando Josué chegou com os israelitas à Terra Prometida (cerca de 1200 a.C.), havia já 350 anos que a cidade tinha deixado de existir! Significa que a conquista de Jericó carece de fundamento histórico?
Há outra explicação possível: embora a cidade já não existisse em 1200 a.C., algumas franjas de população autóctone teriam ocupado novamente as ruínas daquele lugar, convertido então numa cidade fantasma e teria sido com eles que os israelitas se confrontaram e impuseram.
Séculos mais tarde, quando os israelitas começaram a pôr por escrito os relatos da conquista da Palestina, contaram este episódio da única forma que o sabiam fazer: não como historiadores profissionais, mas como homens de fé, como se fosse uma liturgia, surgindo o relato acima mencionado, talvez inspirados na procissão que todos os anos se realizava, a partir do santuário vizinho de Guilgal, à volta das ruínas para comemorar a conquista. Vejamos:
  • não são os guerreiros a terem o papel principal no combate, mas os sacerdotes;
  • são usadas trombetas, principal instrumento musical de louvor a Deus e de oração em todas as festas religiosas (Nm 10,10);
  • nenhum general dirige a batalha, mas a Arca da Aliança;
  • os soldados israelitas assistem a uma procissão, e não a um combate, guardando o respeitoso silêncio próprio da oração;
  • o grito de guerra que lançam no último dia era o clamor que os israelitas costumavam lançar nas suas festas religiosas (2Sm 6,15; Lv 25,9; Nm 29,1);
  • o relato está contado simbolicamente pelo uso do número 7 que significa perfeição: 7 dias dura a procissão, 7 sacerdotes levam 7 trombetas, no 7º dia dão 7 voltas).
Não nos esqueçamos que eles escreviam para que os seus relatos fossem lidos no templo, nas suas reuniões e grupos de oração.
Tal como a antiga Jericó, também hoje existe um mundo do mal fechado atrás das suas firmes fortificações ou muralhas. As injustiças sociais, a mentira, a corrupção, o desprezo pelos mais débeis, a fome, impedem que as pessoas entrem na salvação, isto é, num novo tipo de sociedade em que a dignidade de todos seja respeitada e onde todos tenham direito à educação, ao trabalho, a viver em paz, de modo a constituir uma nova Terra Prometida.
Hoje fazem falta trombetas capazes de vencer esta fortaleza injusta e perversa: as trombetas da solidariedade, do serviço, do testemunho de vida. Mas não bastam as trombetas; Josué ordenou um grito de guerra em uníssono. A condição essencial para que a Igreja vença é a sua unidade, a sua união.
A batalha de Jericó é eterna, prolonga-se através dos séculos. Com o anúncio constante do Evangelho, o testemunho de vida e, sobretudo, a unidade da Igreja, a soberba Jericó pode ser destruída, entrincheirada atrás das suas torres de egoísmo, de pecados sociais e de corrupção.
Quando a Igreja (que também somos nós) gritar com o seu exemplo de vida e a sua unidade, tudo o que seja inimigo do homem ficará convertido em escombros.

(Artigo de Ariel Álvarez Valdés, traduzido por Lopes Morgado, in Revista Bíblica, Julho/Agosto 2007)
publicado por ssacramento às 21:03
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Os Ik, um povo de pacifistas

"O povo Ik é agricultor. Vive numa zona montanhosa do Uganda [entre o nordeste do Uganda e o sul do Sudão], ao lado de outros povos criadores de gado (...). Fizeram da agricultura uma virtude para viver em paz, pois criar gado torna os outros povos guerreiros.

Diz o ditado «Casa com duas portas é má de guardar». Mas os Ik do Uganda, também conhecidos como Teuso, não estão de acordo. Desde tempos imemoráveis, os integrantes desta tribo, (...), constroem as suas cabanas com duas portas. É um caso raro, senão mesmo único em África.

A razão cultural é muito prática: manter a convivência pacífica. Isto é, quando está alguém em casa e entra um vizinho com cara de desagrado e com vontade de discutir, mal começa a altercação, o inquilino abre a outra porta e sai sem dizer mais nada. O visitante refilão fica sozinho e acaba-se ali a refrega.

Se a cena tem lugar na rua, como quando um grupo de pessoas está reunido sob a sombra de uma árvore ou no mercado, acontece algo semelhante. Se alguém demonstra comportamento agressivo ou levanta a voz, os outros vão-se embora.

Os Ik escolheram um estilo de vida pacífico. A zona montanhosa onde vivem há muitos séculos é coabitada por tribos guerreiras (...), [por] povos (...) pastores e [que] roubam o gado uns aos outros, para aumentar os rebanhos. Fazem-no, desde tempos pré-históricos, com lanças e flechas, e, mais recentemente, também com as sofisticadas metralhadoras e lança-granadas. As incursões convertem-se em batalhas campais, que deixam centenas de mortos. Os Ik renunciaram à criação de gado, para se dedicarem à agricultura, à caça e à pesca. Deste modo, não arranjam conflitos com ninguém, pela simples razão de não possuírem nada que seja cobiçado pelos vizinhos agressivos e ambiciosos. Eles nem sequer têm armas de fogo.

A situação só se complica um pouco quando uma mulher Ik casa com um homem das outras tribos, e o marido paga como dote 100 ou 200 vacas. Todavia, também para estes casos, a sabedoria ancestral encontrou um remédio. É assim: a mãe da noiva vai ter com o futuro genro e diz-lhe: «Querido genro! Guarda as nossas cabeças de gado no vosso estábulo, que nós não temos lugar na nossa casa para elas. E, quando quisermos comer carne, logo vos avisaremos. Enviaremos alguns rapazes, para que matem o animal e nos tragam a carne já partida.».

Outro motivo para haver rivalidade entre os povos da montanha do Uganda é a poligamia. Para os Turkana, Toposa, Karirimojon…, quantas mais vacas possuírem, com mais mulheres poderão casar-se. Ou seja, têm dois amores.

Os Ik, pelo contrário, estabeleceram pautas culturais que proíbem a poligamia e a promiscuidade e ditam que cada homem tem uma só mulher, e para toda a vida. Uma vida estável, portanto.

O povo Ik é constituído por cerca de 5600 membros. (...) Estão entre os mais pobres do Uganda e pouco desenvolvidos. Apenas 29 por cento da população é alfabeta. (...) Fazem parte do restrito grupo de povos indígenas africanos (os que conservam as suas origens), onde figuram os Bosquímanos e os Kung do Botsuana."


(Artigo de José C. Rodrigues e Fejó, Revista Audácia, Julho de 2007)



Rezando pelo Darfur:

Na próxima sexta-feira, dia 20, realiza-se uma oração de TaiZé pelo Darfur , às 19h45m, na Igreja de S. Nicolau, na Baixa de Lisboa.
publicado por ssacramento às 21:27
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007

A nossa janela

Dois recém-casados mudaram-se para um bairro mais tranquilo. Na primeira manhã em casa, enquanto calmamente tomavam o café, a mulher notou, através da janela, que uma vizinha estendia a roupa no estendal.
- Que roupa tão suja está a vizinha a estender! - disse para o marido. Será que tem falta de sabão ou não saberá lavar a roupa? Parece impossível! Eu teria vergonha!
O marido ouviu, olhou e permaneceu calado.
E assim, cada dois ou três dias, a mulher repetia o mesmo discurso, quando via a vizinha a estender a roupa ao sol.
Ao fim de um mês, a mulher ficou admirada por ver que as roupas que a vizinha estendia estavam surpreendentemente brancas e bem lavadas. E logo disse ao marido:
- Olha, querido, a nossa vizinha, afinal, acabou por aprender a lavar a roupa! Ter-lho-á outra vizinha ensinado?
O marido respondeu-lhe com serenidade:
- Não, querida. Hoje levantei-me mais cedo e lavei os vidros das nossas janelas!...

A vida é assim. Tudo depende do grau de limpeza dos óculos através dos quais observamos os acontecimentos. Antes de criticar é sempre conveniente verificar se temos limpas as lentes com que vemos e o coração com que sentimos o ambiente que nos rodeia. Só assim poderemos ver mais claro e julgar mais justo.

(Artigo retirado da Revista Cruzada, Junho 2007)
publicado por ssacramento às 23:34
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007

Nossa Senhora do Carmo

Hoje celebramos a festa de Nossa Senhora do Carmo, quer dizer, é a festa de consagração do Carmelo a Maria.

A Ordem do Carmo nasceu nos finais do século XII, no Monte Carmelo, especialmente para prestar culto e tentar imitar a Virgem Maria. Por isso, desde as origens se conheceram os religiosos carmelitas como os "Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo".

Cerca de 1251, o Prior Geral da Ordem, S. Simão Stock acudia à Virgem Maria, padroeira da Ordem, para que o libertasse dos inimigos que atentavam contra a sua existência. Chegou mesmo a compor várias preces, algumas cantadas todos os dias pelos carmelitas ("Oh, flor do Carmelo, Vinha florida, esplendor do céu, Virgem fecunda e singular! Oh Mãe de ternura, intacta, proteja teu nome os carmelitas, ó Estrela do Mar!").

Uma noite, segundo a tradição, a 16 de Julho de 1251, surgiu a Virgem Maria trazendo o escapulário do Carmo em suas mãos e disse-lhe: "Este será o privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem morrer com ele não padecerá fogo eterno, isto é, quem morrer com ele salvar-se-á".

Desde então, começou a divulgar-se esta devoção por toda a parte. Actualmente, a Ordem do Carmo, com os seus múltiplos ramos masculinos, femininos e seculares que vestem o escapulário do Carmo, encontra-se estendida por todas as partes. A Virgem Maria do Carmo é padroeira de várias nações e associações, sendo especialmente venerada como Mãe e Rainha pela gente do Mar.

(JUSTO, P., LOPEZ, Rafael - Os santos do Mês. Cucujães: Editorial Missões, 2003)
publicado por ssacramento às 22:39
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