Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Oração




(BARBOSA, Adérito Gomes - Profetas de Deus. Reflexões.Prior Velho: Paulinas, 2006)
publicado por ssacramento às 08:38
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Domingo, 30 de Março de 2008

Festa da Misericórdia Divina

Para além da imagem de Jesus Misericordioso, outros elementos constituem a devoção à Misericórdia de Deus segundo as formas reveladas a Santa Faustina. Cristo deseja atrair à Sua Misericórdia todos os homens e mulheres, sem excepção. E para isso proporciona outro meio: a instituição de uma Festa. Ele mesmo indica o dia e liga a esta Festa grandes graças e promessas.

A escolha do primeiro Domingo depois da Páscoa para a Festa da Misericórdia tem o seu profundo sentido teológico ao mostrar a estreita união que existe entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. Esta união está ainda sublinhada pela Novena, com a Coroa (o Terço) à Misericórdia Divina, a começar na Sexta-Feira Santa.

A Festa, para além de ser um dia de especial louvor a Deus no mistério da Sua Misericórdia, é também o tempo de graça para todos os Homens. "Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas especialmente para os pobres pecadores".

A grandeza dessa Festa só pode ser avaliada pelas extraordinárias promessas que o Senhor a ela atribuiu: "Quem nessa altura se aproximar da Fonte da Vida alcançará o perdão total das culpas e castigos. (...) Neste dia estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre aquelas almas que se aproximarem da fonte da Minha Misericórdia; (....) Que nenhuma alma receie vir a Mim, ainda que os seus pecados sejam tão vivos como escarlate".

Para aproveitar estes dons é preciso cumprir as condições da devoção à Misericórdia de Deus (a confiança na Bondade de Deus, o amor activo para com o próximo) e encontrar-se em estado de graça santificante (após boa confissão).


(Jesus, eu confio em Vós. Guia da devoção à Misericórdia de Deus. Chacim: Congregação dos Marianos, 2001. Imagem disponível em http://www.misericordia.com.br/img/misericordioso.jpg)
publicado por ssacramento às 09:23
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Sábado, 29 de Março de 2008

Imagem de Jesus Misericordioso

A 30 de Abril de 2000, o Papa João Paulo II canonizou a Irmã Faustina Kowalska e proclamou o II Domingo da Páscoa como "Domingo da Divina Misericórdia".

Um dos elementos da devoção à Misericórdia de Deus segundo as formas reveladas a Santa Faustina é a
Imagem de Jesus Misericordioso. A primeira aparição de Jesus Misericordioso à Irmã Faustina ocorreu a 22/02/1931, em Plock. No seu Diário, a Irmã Faustina escreve:

"À noite, quando me encontrava na cela, vi Jesus com uma túnica branca: a sua mão direita erguida para abençoar e a outra tangendo a veste junto ao peito. Do lado entreaberto da túnica emanavam dois grandes raios de luz, um de tom vermelho e outro pálido. Contemplava o Senhor em silêncio, a minha alma paralisada de temor, mas também num enorme júbilo.

Passado um instante, Jesus disse-me: "Pinta uma Imagem conforme a visão que te aparece, com a inscrição "Jesus, eu confio em Vós". É Meu desejo que esta imagem seja venerada primeiramente na vossa capela e depois em todo o mundo. Eu prometo que a alma que venerar esta Imagem não se perderá. Prometo ainda mais, a vitória sobre os inimigos já aqui na Terra, e especialmente à hora da morte. Eu mesmo defenderei essa alma como a Minha própria glória".

Algum tempo depois, o próprio Jesus lhe explicou o simbolismo dos raios da imagem: "Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas... Estes dois raios brotaram das entranhas da Minha Misericórdia, quando na cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança. (...) Desejo que no primeiro Domingo a seguir à Páscoa se celebre a Festa da Misericórdia".

Deste modo, a Imagem de Jesus Misericordioso deve desempenhar na devoção um duplo papel: ela é o instrumento pelo qual Cristo distribui as graças (não é a Imagem que dá as graças, mas Jesus através da Imagem); é também o sinal que deve lembrar a exigência de Cristo de praticar a misericórdia, quer seja através da acção, da palavra ou da oração.


(Jesus, eu confio em Vós. Guia da devoção à Misericórdia de Deus. Chacim: Congregação dos Marianos, 2001)
publicado por ssacramento às 10:52
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Santa Faustina

No próximo domingo passam 8 anos da canonização da Irmã Faustina pelo Papa João Paulo II. Quem foi esta Santa?

A Irmã Maria Faustina (Helena Kowalska) nasceu a 25 de Agosto de 1905, na Polónia. Era a terceira dos 10 filhos de Estanislau e Mariana. O pai, lavrador e carpinteiro, com dificuldade podia sustentar tão numerosa família.

Aos 20 anos, Helena ingressou na Congregação de Nossa Senhora da Misericórdia. A finalidade desta família religiosa era o cuidado e a recuperação social de raparigas moralmente decaídas. A Irmã Faustina distinguiu-se pelo ardente amor à Misericórdia Divina e ao próximo, pela heróica paciência e pela piedade sólida e prudente, virtudes que a conduziram ao cume da santidade.

Esta irmã viveu 13 anos na Congregação e faleceu a 5/10/1938, em Cracóvia, com 33 anos de idade. Nos seus primeiros tempos de vida religiosa, o Senhor revelou à Irmã Faustina os Seus desígnios para com ela, que escrevia no "Diário" (escrito por ordem do seu confessor).

A devoção à Misericórdia de Deus passou por diversas provas. A Irmã Faustina escreveu em 1935 que "Virá o tempo em que esta Obra, que Deus tanto me recomenda, [parecerá] como que completamente destruída e, depois disso, a acção divina manifestar-se-á com grande força". A primeira parte da "profecia" cumpriu-se quando, a 6/3/1959, a Sé Apostólica proibiu a divulgação do culto da Misericórdia de Deus, segundo a forma contida nos escritos da Irmã Faustina. Após 20 anos, a 15/04/1978, a Santa Sé anulou a proibição de 1959 e a 18/04/1993, no Domingo da Pascoela, o Papa João Paulo II beatificou a Irmã Faustina, tendo-a canonizado 7 anos depois.


(Jesus, eu confio em Vós. Guia da devoção à Misericórdia de Deus. Chacim: Congregação dos Marianos, 2001)
publicado por ssacramento às 11:50
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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Reza com a tua vida


(Adaptado de Mário Salgueirinho)
publicado por ssacramento às 09:27
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

O Ressuscitado, fonte de vida nova

Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui; ressuscitou (Lc 24,5-6). A ressurreição, atestada por muitas testemunhas, colocada por escrito nos textos do Novo Testamento, pregada pelos apóstolos, é um acontecimento histórico e transcendente. Os textos não descrevem o corpo glorioso, pois é uma realidade espiritual que nos escapa, que a nossa inteligência não é capaz de captar. Os textos insistem na verdade da ressurreição, na certeza de que Jesus está vivo. Era essa a verdade essencial que importava transmitir às gerações futuras: Aquele que foi morto e sepultado apareceu-lhes vivo e glorioso, falou com eles, partilhou com eles a paz e a alegria, o gozo da sua vida nova. E esta certeza, este acontecimento histórico é de tal modo importante que é a fonte da vida cristã, da vida da Igreja. Se Ele não tivesse ressuscitado, a nossa fé era vã e sem sentido.

Aqueles homens e mulheres que, depois da Sexta-feira Santa, ficaram sem fé, tristes, desanimados, frustrados, que mesmo depois das aparições ainda duvidam, vão fazendo a experiência de um Jesus Vivo: "a sua fé na ressurreição nasceu - sob a acção da graça divina - da experiência directa da realidade de Jesus Ressuscitado" (Catecismo da Igreja Católica, n.644). Viram-No, falaram com Ele, tocaram-No, estiveram com Ele à mesa, passearam com Ele na praia do mar da Galileia. O próprio corpo ressuscitado, espiritual, traz as marcas da paixão, embora possua as novas propriedades dum corpo glorioso.

Agora, Ele é o Vivente, Aquele que está verdadeiramente vivo, porque a morte já não tem poder algum sobre Ele. E, por isso, Ele é fonte de vida nova para todos os que acreditam na sua Palavra e Lhe confiam a sua vida mortal e pecadora, para que Ele a mude.

Apesar de histórica, a ressurreição de Jesus é transcendente, não podemos afirmar quando se deu, como se deu, qual a sua essência íntima, como é um corpo "celeste", como se realizou a passagem a uma outra vida. Não sabemos o "como", mas sabemos que aconteceu, as suas consequências na vida dos discípulos e das primeiras comunidades cristãs. Ele está Vivo. É o Senhor da glória.


(PEDROSO, Dário; COUTO, Elias - Aumenta a nossa fé! Temas para cultivar a fé. Braga: Editorial A.O., 2006)
publicado por ssacramento às 17:49
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Wikipédia dos Santos

Um grupo de jovens católicos de Barcelona criou o projecto "Santopedia", uma wikipédia para os Santos, ou seja, uma enciclopédia informatizada para desenvolver o conhecimento da cultura cristã, destacando-se a vida dos santos, escrita de uma forma objectiva e sóbria, permitindo que se torne "uma ferramenta para que pesquisadores, historiadores ou mentes inquietas possam extrair dados estatísticos e fiáveis que lhes ajudem a encontrar o que procuram".

Este site permite listar alfabeticamente, através de filtros como o país de origem, a ordem religiosa à qual pertenceram os santos ou seu estado de vida: papas, bispos, sacerdotes, freiras, leigos, mártires, etc. Permite também a inscrição por e-mail ou às notícias RSS para receber os santos de cada dia. Os sites podem acrescentar à sua página uma janela com os santos do dia.

Até ao momento, a Wikipédia dos santos apresenta 4.000 entradas de santos e beatos, sendo 8 portugueses, pretendendo chegar às 7.000 durante o próximo ano. Para tal, estão a solicitar a colaboração de pessoas com bons conhecimentos sobre o santoral que queiram participar neste projecto e lhes permitam confirmar/contestar as informações aí constantes.

Outras informações podem ser obtidas em http://www.santopedia.com/.

 

 

(Fonte: Zenit)








Completou-se, ontem e hoje, o primeiro aniversário, respectivamente, da tomada oficial de posse e da entrada solene de D. Manuel Clemente como Bispo do Porto. Pedimos a Cristo Ressuscitado pela acção pastoral de D. Manuel Clemente, que seja sempre o exemplo da própria acção de Cristo na Terra.


publicado por ssacramento às 19:31
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

O Senhor segue connosco...

A Páscoa é o tempo de celebrar a Aliança. É o acontecimento que marca a história de cada Homem. Cristo ressuscitado está no coração de cada um de nós. A Páscoa é dinâmica. É vida. É imortalidade. Mesmo após a  nossa morte, a afirmação da fé continuará viva nas obras, no amor, na esperança.

Quantas vezes
o Senhor nos tem interpelado na nossa vida? No Baptismo...No nosso casamento... Ao sepultar um ente querido... Cristo está entre nós nas alegrias e nas provações. Até quando o Homem se sente incapacitado para realizar algo, Deus está presente.

No limite da existência do ser humano, aí se encontra Deus. Tal como os discípulos de Emaús, pelos caminhos da vida, muitas vezes sentimo-nos acabrunhados, mas o Senhor segue connosco. Deus está presente. Ele atende-nos como um Pai querido, bondoso, misericordioso.

O cristão não pode ser amorfo, mas sim presença de Cristo ressuscitado no mundo. Por isso, ontem, domingo de Páscoa, a nossa comunidade paroquial quis levar este testemunho a cada casa. Dez cruzes saíram da Igreja Paroquial (e duas da Igreja de Vilar) e percorreram as várias ruas da paróquia. Usando o elevador ou subindo e descendo centenas de degraus, entramos em diferentes espaços: nuns, reinava a solidão do único ocupante daquele lar; noutros, era a alegria das grandes famílias reunidas à volta de Cristo ressuscitado.

Com sorrisos ou lágrimas, aparente indiferença ou muita devoção, diversas foram as formas como foi recebida a Cruz. São experiências únicas que se vivem. Quem participou na Visita Pascal ficou mais rico na sua fé. Partilhamos as lágrimas daquela velhinha que, agarrada à cruz, soluçava a sua prece: "Ó Senhor, tira-me desta cama!".  Tal como a senhora, na surdez dos seus 100 anos, repetimos vezes sem conta: "Muito obrigada! Muito obrigada!". Partilhamos da dor daquela avó que colocou uma rosa branca na Cruz, explicando: "É pelo meu netinho que morreu o ano passado. Tinha 6 anos."...

A Páscoa fala por si. Para quê mais palavras? A palavra pode distrair da celebração...



A Casa-Acolhimento Santa Marta foi pensada no Ano Santo. Porém, foram necessários 10 anos para que as obras começassem... Muitos obstáculos surgiram, mas na Quaresma de 2008 deu-se início às obras. Para darmos conhecimento das mudanças que irão ocorrer neste espaço de diaconia da Paróquia, criamos um blogue, onde colocaremos fotografias das obras na casa. Pode visitá-lo aqui.


 
publicado por ssacramento às 21:29
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Domingo, 23 de Março de 2008

É Páscoa!





Na Folha Pão e Vida pode consultar a mensagem do nosso pároco para este dia. A partir das 14,30 horas levaremos a Cruz do Ressuscitado a cada rua da paróquia, entrando nas casas assinaladas com verdes ou de outro modo indicativo. Será deixada uma estampa alusiva a Cristo Ressuscitado.

publicado por ssacramento às 08:49
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Sábado, 22 de Março de 2008

Dia Mundial da Água

A 22 de Março celebra-se o dia Mundial da Água, lembrando-se que a água não é apenas útil mas também essencial à vida e, como tal, o acesso a ela é um direito universal. No entanto, cada dia morrem mais de 30.000 pessoas (entre elas, 6.000 crianças) por falta de água ou vítimas de doenças provocadas pela água contaminada.

A água é propriedade de todos os seres vivos do planeta, e não privilégio de alguns, porém 87% do consumo mundial de água é feito por apenas 10% da população. Os contrastes são gritantes: em 10 dias, as cheias de Janeiro em Moçambique causaram dezenas de mortos e milhares de desalojados; o degelo dos glaciares ao longo da consta da Antárctica acelerou 75% nestes últimos 10 anos.

Na Revista Bíblica de Março/Abril do corrente ano, Frei Acílio Mendes apresenta a seguinte expressão: Água = UHPC. E explica: "não se trata de uma nova fórmula química da água, que é H2O, mas apenas de uma sigla franciscana ainda por desvendar", baseada no Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas de Francisco de Assis. "UHPC, porque [a água] é Útil, Humilde, Preciosa e Casta". Sobre a humildade da água bastará lembrar a gotinha de água, quase despercebida, que, na Eucaristia, o sacerdote mistura no vinho do cálice e pretende simbolizar toda a humanidade mergulhada em Cristo.  Por outro lado, na "castidade" da irmã água, os cristãos renascem pelo Baptismo para uma vida nova, a vida em Cristo, a nascente de água viva. Deste modo, travar a poluição dos rios, mares, oceanos é também um acto profundamente religioso. Porque a água é útil e preciosa, esbanjar este património comum é um acto criminoso. Poupar água é uma urgência humanitária.



Um interessante artigo sobre A Vigília pascal, o coração do Ano litúrgico pode ser consultado na Ecclesia.
publicado por ssacramento às 20:57
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Morto

Ao fim de 3 horas de indizíveis tormentos, "Jesus tomou o vinagre que lhe apresentaram e disse: Tudo está cumprido. Depois, baixou a cabeça e entregou o espírito".


Precisamente neste momento morrem pessoas no mundo. Talvez algumas pudessem continuar vivas se fôssemos um pouco mais humanos.... mais cristãos. Todos somos culpados, em maior ou menor escala, pelos flagelos da guerra e da fome. E quantos morrem sem Deus, sem um "Senhor, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino!", porque não temos alma missionária.

(Óleo s/  tela de Samson Flexor, Cristo na Cruz)

Senhor Jesus, pedimos-te por todos os que estão a morrer, por todos os que morreram hoje. Sê misericordioso para com todos. Perdoa os seus pecados. E a nós, abre-nos os olhos da alma, para nos tornarmos autenticamente cristãos, disponíveis para acolhermos os outros. Convence-nos de que quanto mais ajudarmos os outros a levar a sua cruz menos pesada se torna a nossa.


(SANTOS, P. Januário - Nos Passos de Jesus. Cucujães: Editorial Missões, s.d.; imagem disponível em http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo3/atelierabs/flexor/obra.html)
publicado por ssacramento às 22:14
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Houve cataclismos no dia em que Jesus morreu?

Os profetas do Antigo Testamento apresentaram cinco sinais que serviriam para indicar a chegada do "dia de Javé".  Tal como no Evangelho de S. Mateus, com os cinco prodígios ocorridos no dia em que Jesus morreu (trevas ao meio-dia, a terra tremeu, as rochas fenderam-se, os túmulos abriram-se e os santos ressuscitaram), no Antigo Testamento utilizou-se uma linguagem simbólica, em que a natureza é apresentada de uma forma figurada, para dar a entender que haveria mudanças na história. Então, qual o significado do tremor de terra ou das rochas que partiram aquando da morte de Cristo, já que não há provas científicas de que tivesse havido um tremor de terra na época de Jesus? Ou, como entender que os santos ressuscitaram nessa sexta-feira?

Uns anos depois do profeta Amós, surgiu Isaías, um outro profeta que também viveu uma época difícil do reino de Judá e durante muito tempo alertou a classe governante para o orgulho, sensualidade, crueldade e falta de solidariedade. Cerca de 740 a.C. proclamou a chegada do "dia de Javé", no qual Deus purificaria a nação de todos os seus pecados e crimes (Is 2,6-22) e, tal como Amós, deu uma indicação sobre a chegada desse dia: "Deus levantar-se-á e fará tremer a terra".

Mais tarde, em finais do século VI a.C., o povo de Israel foi levado cativo para a Babilónia e durante 50 anos manteve-se desterrado. Nessa época de abatimento e desânimo, Deus escolheu Ezequiel para anunciar a chegada de uma nova era para todo o mundo, em que a natureza se renovaria (Ez 36,8), o território voltaria à sua antiga vida (Ez 36,10-11) e haveria uma mudança interior (36,26). Como o povo não se encontrava em situação de escutar estas promessas, Ezequiel fez um anúncio impressionante da chegada do dia de Javé: "Assim fala o Senhor Deus: Eis que abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas, meu povo, e vos reconduzirei à terra de Israel" (Ez 37,12). Trata-se, certamente de uma metáfora, um anúncio simbólico do regresso dos prisioneiros à sua pátria, mas que ficou gravado na consciência dos hebreus.

Após o exílio, quando regressaram à pátria, começaram as contendas entre os que voltaram do cativeiro da Babilónia e os que nunca tinham partido. Cerca de 300 a.C., surgiu um novo profeta anónimo na Palestina, a quem os estudiosos chamaram Dêutero-Zacarias (Dêutero = segundo), porque a sua pregação foi incorporada no fim do livro de Zacarias (cap.9-12). Este profeta falou da necessidade de purificar o coração e, numa das suas últimas pregações (Zc 14,1-21), referiu-se ao "dia de Javé", em que Deus entraria triunfante na cidade de Jerusalém como um guerreiro, salvando o seu povo das injustiças e perseguições e, quando isso acontecesse, as pedras partir-se-iam, sobretudo as pedras do Monte das Oliveiras (Zc 14,4).

Faltava o 5º e último sinal, que é dado pelo livro de Daniel, escrito cerca de 167 a.C., em mais um momento doloroso para os judeus, quando o rei da Síria, Antíoco Epifânio desencadeara uma sangrenta perseguição. Então, um escritor judeu, com o pseudónimo de Daniel escreveu um livro para apoiar a fé do povo, referindo que Deus já havia fixado o fim da perseguição (8,17), o rei inimigo será exterminado (8,25) e virá o fim dos tempos (11,40) sem infelicidades nem sofrimentos. Daniel dá um sinal sobre aqueles "santos" que morreram dolorosamente na perseguição do rei sírio e "muitos dos que dormem no pó da terra acordarão" (12,2). Era a primeira vez em toda a Bíblia que se anunciava a ressurreição dos mortos.

Concluindo, Mateus, como bom judeu que era, conhecia desde a sua infância as simbólicas profecias de fenómenos estranhos e, ao usá-las, os seus leitores interpretariam a morte do Senhor como o início do fim dos tempos. Só um judeu poderia entender esta linguagem de tremores de terra, escuridão e corpos que ressuscitam, daí ser Mateus o único dos evangelistas que conta tais fenómenos, pois escreve para um público judeu, contrariamente aos outros três evangelistas que se dirigem para um público mais amplo (estes apenas referem a escuridão).

Segundo Mateus, a nova era final e definitiva começou com a morte de Jesus, uma era que fora preanunciada através dos séculos por muitos profetas e registada na Bíblia. Com ela, o poder do mal ficava derrotado e o Reino de Deus impunha-se lentamente no mundo.


(artigo de Ariel Álvarez Valdés, in Revista Bíblica, Março/Abril 2008)
publicado por ssacramento às 22:17
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Dia do Pai


Hoje é dia de S. José, o dia do Pai. Ser Pai é um dom. Deus pode conceder-nos dádivas, mas o mérito de as acolher, conservar e alimentar tem de ser nosso. Haverá quem diga:


Pai, devo-te tudo. Muitas vezes apeteceu-me pedir-te desculpa por te zangar enquanto me educavas; muitas vezes tive vontade de pedir perdão pelas asneiras que fui fazendo ao longo dos anos e que sabia que te magoavam e decepcionavam. Muitas vezes tive vontade de te abraçar e chorar no teu ombro, quando tinha medo da vida; muitas vezes tive vontade de abrir o meu coração e dizer quanto te amava e o orgulho que tinha em te ter como pai... Mas nunca consegui.


Podíamos continuar. Neste dia, é bom pensarmos nas palavras, termos cuidado com elas e com os mínimos gestos que ficam por dizer e fazer.

Hoje é dia do Pai. Ser Pai é um dom. Mas os dons responsabilizam-nos...
publicado por ssacramento às 14:08
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

As trevas ao meio-dia

Segundo a Bíblia, na longínqua sexta-feira de Abril do ano 30, a que os cristãos chamam Sexta-feira Santa, sucederam coisas estranhas. Pôncio Pilatos, governador da Judeia, autorizara a morte de Jesus, a pretexto de uma tríplice acusação política: ser um agitador social, incitar o povo a não pagar os impostos ao Imperador e ter-se auto-proclamado rei (Lc 23,2).

Por volta das 9 horas da manhã (Mc 15,25) um pelotão de soldados romanos saiu do palácio do governador até uma colina próxima, para executar a sentença, morte por crucifixão, um castigo comum na época. O evangelista Mateus refere que, no dia em que Jesus morreu, sucederam-se cinco prodígios:
  • houve trevas ao meio-dia (Mt 27,45);
  • a terra tremeu;
  • as rochas fenderam-se;
  • os túmulos abriram-se;
  • os corpos de santos falecidos ressuscitaram e apareceram a muitos (Mt 27,51-53).
Foram dadas várias explicações para estes fenómenos extraordinários. Vejamos o caso das trevas ao meio-dia. Para alguns, estas trevas seriam causadas por um eclipse do sol, porém os astrónomos defendem que é impossível produzir-se um eclipse solar na época de lua cheia e Jesus terá morrido nas vésperas da lua cheia, quando os judeus celebravam a Páscoa. Outros justificam o eclipse como sendo acção milagrosa de Deus, mas Mateus escreve que o fenómeno atingiu "toda a terra" e o resto do mundo não viu tal escuridão na referida data. Então, que justificação encontrar para esta descrição do evangelista?

Mateus ao escrever os cinco fenómenos que acompanharam a paixão de Cristo, não pretendeu relatar factos realmente sucedidos.
Trata-se de um relato simbólico, que não pode ser interpretado literalmente. Tinha como objectivo afirmar uma verdade teológica, usando imagens tomadas dos profetas do Antigo Testamento. Retomemos o caso das trevas ao meio-dia.

Uns 750 anos antes do nascimento de Cristo, um camponês chamado Amós apresentou-se na cidade de Samaria, capital do reino de Israel. Vinha profetizar, pois os pecados dos seus habitantes eram gravíssimos, havendo grandes contrastes e injustiças entre ricos e pobres. Nesta situação de corrupção religiosa e desigualdades sociais, Amós anuncia que Deus está a preparar uma intervenção grandiosa no mundo, projectando um "dia" em que actuará sobre a terra para acabar com a injustiça e perversão. E para que se pudesse reconhecer a chegada desse momento, deixaria um sinal: "(...) farei com que o Sol se ponha ao meio-dia, e em pleno dia cobrirei a terra de trevas."  (Am 8,9). Deste modo, as pessoas ficaram a aguardar a chegada desse novo amanhecer, em que Deus livraria todo o povo da sua dor e injustiças, memorizando o sinal e desejando esse escurecimento, que passou a chamá-lo "o dia de Javé".


(artigo de Ariel Álvarez Valdés, in Revista Bíblica Março/Abril 2008)
publicado por ssacramento às 22:02
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Completamente fechados

Há dias em que se têm os ouvidos fechados, encerrados como estamos na nossa cólera. Recusamo-nos a escutar os outros. Está tudo fechado, aferrolhado. É o inferno, o isolamento. Não passa nada daquilo que vem de fora: nem pacificação, nem sabedoria. No fundo do coração conserva-se a revolta.

Nesses momentos, não nos resta senão Tu.
Tu, Senhor, para nos comover.
Tu, para quebrar a pedra dura do nosso coração.
Tu para nos abrir às palavras de perdão.
Toma, recebe a minha revolta, Senhor,
faz o que desejares, que não posso mais.

Amanhã com a cruz,
plantarás a loucura do perdão e do amor.



(ARNOLD, François - Caminhos de Páscoa.Porto: Edições Salesianas, 1993)
publicado por ssacramento às 20:59
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Domingo, 16 de Março de 2008

Dia Mundial da Juventude

Hoje, domingo de Ramos, é o Dia Mundial da Juventude. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para a XXIII Jornada Mundial da Juventude, refere que:
  • O fio condutor da preparação espiritual para o encontro de Sydney é o Espírito Santo e a missão é procurar descobri-lo, mais profundamente, como Espírito de amor, de fortaleza e testemunho, que nos dá a coragem de viver o Evangelho e a audácia para o proclamar.
  • É fundamental que cada jovem, na comunidade e com os educadores, possa reflectir sobre este Protagonista da história da salvação, que é o Espírito Santo ou Espírito de Jesus, para reconhecer a verdadeira identidade do Espírito, ouvindo a Palavra de Deus na Revelação da Bíblia; tomar uma consciência límpida da sua presença contínua e activa na vida da Igreja, graças aos sacramentos da iniciação cristã Baptismo, Confirmação e Eucaristia; tornar-se capaz de amadurecer uma compreensão de Jesus cada vez mais profunda e alegre e de realizar uma prática eficaz do Evangelho no alvorecer do terceiro milénio.
  • O Pentecostes é  o ponto de partida da missão da Igreja. Ele renovou interiormente os Apóstolos, revestindo-os de uma força que os tornou audazes para anunciar sem medo. O Espírito Santo é a alma da Igreja e princípio de comunhão. Ele é o "Mestre interior". Também hoje o Espírito Santo continua a agir com poder na Igreja, e os seus frutos são abundantes na medida em que se dispõem a abrir-nos à sua força renovadora.
A mensagem integral do Papa pode ser consultada aqui.





O programa para o Dia Diocesano da Juventude pode ser encontrado no Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil  do Porto.
publicado por ssacramento às 16:58
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