Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Uma história de Natal verdadeira

Irena Sendler fica para a História como a mãe das crianças do holocausto. Graças à sua valentia, à sua persistência e à sua bondade, esta enfermeira nascida na Polónia salvou a vida a duas mil e quinhentas crianças judias, cuja existência terminaria nos campos de extermínio nazi. Mas poucos conhecem a sua história.

 

As façanhas de Irena começaram a ser conhecidas em 1999. Uns alunos de um instituto do Kansas, nos EUA, fizeram um trabalho de final curso sobre os heróis do Holocausto. Entre estes constava Sendler. Investigaram e, surpresa: Irena ainda vivia. Residia num lar de idosos na cidade de Varsóvia. Souberam também que, no quarto dela, nunca faltavam flores nem cartas e cartões de agradecimento, procedentes de todo o mundo.

 

Quando a Alemanha invadiu a Polónia em 1939, Irena tinha 29 anos. Era enfermeira e trabalhava nos Serviços de Bem-Estar Social, em Varsóvia. Três anos depois, os nazis criaram nesta cidade um gueto onde colocaram os judeus. Irena horrorizada pelas condições de perseguição, assédio e maus tratos que se viviam ali, uniu-se ao Conselho para Ajuda aos Judeus. Sem demora, contactou as famílias e ofereceu-se para retirar as crianças do gueto. Eram momentos dramáticos os que ela vivia. Devia convencer os pais a confiarem-lhe os filhos que, de outro modo, iriam ser exterminados. Às vezes, quando Irena regressava a casa de uma família para a fazer mudar de ideias, deparava-se com a tragédia: já não estava lá ninguém; haviam sido levados para o campo de concentração.

 

Irena usava ambulâncias para retirar as crianças, fazendo-as passar por vítimas de febre tifóide. E arranjou outras estratégias para as esconder e salvar: sacos de lixo, caixas de ferramentas, sacos de batatas, caixões... Contava com a ajuda de várias pessoas dos Serviços de Bem-Estar Social. Estas elaboraram centenas de documentos com assinaturas falsas, atribuindo uma nova identidade a cada criança. Depois, confiavam-nas a famílias polacas que viviam fora do gueto. Anotava os dados verdadeiros e os dados falsos em pedaços de papel e escondia-os em latas e frascos de conserva que enterrava debaixo de uma macieira, num jardim. Um dia, a Gestapo prendeu-a, torturou-a brutalmente, tendo-lhe fracturado as pernas.

 

No colchão de palha da sua cela, Irena encontrou uma estampa desbotada de Jesus Cristo. Conservou-a, encontrando nela a certeza do conforto divino, até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II, seu conterrâneo. Foi condenada à morte, mas não a executaram, porque, a caminho do lugar da execução, conseguiu fugir.

 

Quando acabou a II Guerra Mundial, desenterrou as latas e os frascos de conserva e serviu-se das anotações para encontrar as duas mil e quinhentas crianças que havia distribuído por famílias adoptivas na Polónia. Esforçou-se para que as crianças reencontrassem as suas famílias dispersas pela Europa. A maioria, porém, tinha perdido quase todos os entes queridos nos campos de concentração nazis.

 

Vários anos depois do fim da guerra, a sua história apareceu num jornal. Então começaram a escrever-lhe e a telefonar-lhe dizendo: «Eu sou uma daquelas crianças. Devo-lhe a vida.» O pai de Irena era médico e deixou-lhe um ensinamento:«Ajuda sempre quem precisar de ajuda, sem ter em conta a nacionalidade ou a religião». Irena Sendler passou os últimos anos de vida numa cadeira de rodas, por causa das torturas sofridas. Ela ensinava: «Não deitem à terra apenas sementes de cereais. Há que lançar sementes de bondade!»

 

( Revista Audácia - Dez.2009)

publicado por ssacramento às 23:33
link do post | comentar | favorito
|

.Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Visite Pão e Vida

Visite Casa-Acolhimento Santa Marta

.Fuego Santo

.subscrever feeds

.pesquisar

 

.Visite

.posts recentes

. Maria...

. Mãe admirável

. Apóstolos S. Pedro e S. ...

. A boca do justo proclama ...

. Um "novo humanismo"

. Isabel e Maria

. Solenidade de S. João Bat...

. Eu vos dou graças, Senhor...

. Não perca hoje na nossa p...

. Os pais de Maria

. Não podemos aceitar que o...

. Morte e Vida: Perspetiva ...

. Jesus fala aos meninos da...

. A Igreja Católica e o Ano...

. Educação Moral e Religios...

. Morte e Vida: Perspetiva ...

.arquivos

. Dezembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

.Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Counters
Free Counter
blogs SAPO