Domingo, 15 de Julho de 2007

Simbologia do mar

O Verão é a estação em que as pessoas procuram as águas refrescantes do mar e o sol das praias para um merecido descanso. Por outro lado, o mar tornou-se, na moderna civilização, uma fonte de riquezas,  estando cheio de conotações positivas. O povo da Bíblia não utilizava assim as águas do mar; a imagem do mar servia para exprimir realidades espirituais da sua fé em Deus e esse mar era considerado como sendo origem da vida mas também da morte.

As águas movediças do mar, tal como as grandes águas dos rios, no seu vaivém constante, simbolizam, em todas as civilizações, as incertezas e dúvidas da vida humana. Para o povo da Bíblia, as águas bem medidas e doseadas, em forma de chuva e orvalho, fecundam a terra e trazem a vida, regando as plantas; mas, as águas caóticas, diluvianas, são muitas vezes causa e ameaça de morte, que pode ameaçar a vida do homem.

A primeira página da Bíblia (Gn 1, 2-10) contém restos de antigos mitos, em que se imaginava a derrota do Mar pelo deus do Céu. Então pensava-se que as águas da chuva vinham de um mar que estava por cima do céu. Deus teria criado o "firmamento", uma placa "firme", para separar as águas de cima das águas do mar que fica por baixo da terra, a fim de haver terra seca (Gn 1,9), um lugar abrigado das águas da morte (de cima e de baixo), onde o homem pudesse viver tranquilo e feliz. A mesma ideia aparece no Salmo 104.

Esta concepção negativa do mar, como lugar da morte, diz-nos também que o povo de Israel não era um povo amante do mar, um povo de marinheiros ou de pescadores.

O mar era, pois, uma realidade simbólica, usada para falar do amor de Deus, que criou a terra seca para o homem. O mar era praticamente o mesmo que o inferno, o lugar da morte e do castigo. O mar torna-se uma fronteira entre o bem e o mal. As águas do mar, como no dilúvio (Gn 6,5) ou na passagem do Mar Vermelho, durante o Êxodo (Ex 14,21), purificam o mal, afogando os egípcios e salvando Israel. Surge no seu duplo sentido: águas da morte ou útero que devora a vida, para o Egipto; nascimento para a vida, para Israel.

O mar era símbolo de todas as forças negativas que se opõem a Deus e visto como um imenso abismo povoado de monstros horrendos, instrumentos de morte para o homem que nele se afoga. Mas foi Deus quem os criou (Gn 1,21) e domina todos os monstros do mar profundo (Sl 74,13-14; Sl 104, 25-26; Job 40,15). Segundo Isaías, o Monstro rebelde do Mar será vencido pelo Senhor do céu (Is 17,1; Job 7,12; Jer 31,35).

Se o mar é um monstro que come gente, os inimigos do povo de Israel são, por vezes, comparados aos próprios monstros do mar (Ex 29,3; Is 30,7; Sl 87,4). É um monstro do mar profundo que engole Jonas, quando pretende fugir às ordens de Deus, e que é um sepulcro da morte (Jon 1,1-16; 2,4). Mas o verdadeiro mar que engole Jonas é o seu pecado de não querer seguir as ordens de Deus.
(Museu da Vida de Cristo, Fátima)

Por outro lado, grande parte da actividade apostólica de Jesus passou-se junto ao Mar da Galileia, onde chamou os discípulos e anunciou o Evangelho. Jesus veio, qual novo Moisés, realizar uma nova libertação, um novo Êxodo. Tal como fez Deus no Antigo Testamento, Jesus no meio da tempestade, com os discípulos cheios de medo, "falou imperiosamente aos ventos e ao mar e sobreveio uma grande calma" (Mt 8,26). Jesus fala ao mar como a um ser vivo adverso. O domínio absoluto de Jesus sobre o mar está sobretudo simbolizado na caminhada que Ele faz sobre as suas ondas (Mt 14,24; Mc 6,47; Jo 6,16), sendo profecia da Sua vitória total sobre a morte plenamente conseguida na manhã de Páscoa.

Estas imagens negativas do mar, como símbolo do mal e do pecado, foram utilizadas noutros livros do Novo Testamento (Ap 17,15; 18,21; 20,3). Segundo o Apocalipse, quando toda a criação for finalmente refeita e o projecto de Deus se realizar plenamente, no tempo da Nova Jerusalém, o mar deixa de ter sentido, de existir (Ap 21,1), pois serão arrancadas as raízes do Mal, do Pecado e da Morte. Claro que não se trata de um mar de água e de peixes, pois estamos na poesia e simbolismo puro.

E nos dias de hoje, em que "mares" se afoga a sociedade do nosso tempo?

(Adaptado de um artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica, nº 233)
publicado por ssacramento às 21:10
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