Sábado, 1 de Dezembro de 2007

O regresso de Jesus para a Galileia

No Evangelho de Mateus, o regresso de Jesus para a Galileia (2,1-23) é tal, como o massacre dos meninos de Belém e a fuga para o Egipto, um episódio que lembra Moisés. A Sagrada Família regressa não à Judeia, que Mateus considera que não é digna de hospedar o Messias e não tanto por medo de Arquelau, mas sim à Galileia, terra semi-pagã, onde anunciará a Palavra e será bem recebido, ao contrário da Judeia. É o universalismo da mensagem de Jesus, que vai ao encontro de todos os povos.

Arquelau, filho de Herodes, o Grande (2,22-23), foi tão sanguinário como o pai. Mandou matar de uma só vez 3.000 pessoas no templo e misturou o seu sangue com o das vítimas que estavam a ser oferecidas. O horror foi tal que até o próprio imperador de Roma lhe tirou o trono e o desterrou para Vienne (Gália).

O regresso do Egipto é, em Jesus, o reviver da volta do povo do Antigo Testamento, do Egipto para a Terra Prometida. Tal como Moisés e o povo foram perseguidos até ao Mar dos Juncos, onde ficaram livres, assim Jesus, chegado a Jerusalém, teve que fugir do perseguidor Arquelau para a Galileia, um território mais seguro. Segundo Mateus, Jesus refaz a caminhada do antigo povo, para dizer que vai formar um novo povo, de que Ele é o novo Moisés.

Para Mateus, do mesmo modo que Moisés foi a grande personagem do Êxodo do Egipto, Jesus será o condutor do novo Êxodo. É Ele que vem actualizar a libertação. Este novo povo está enxertado no povo do Antigo Testamento, na sua escravidão e libertação, tendo em Jesus um Condutor seguro, um novo Moisés que o levará à verdadeira Terra Prometida.

Com o Evangelho da Infância, Mateus faz teologia dentro de um fundo certamente histórico: Jesus, tal como Moisés, veio ao mundo num ambiente hostil, ameaçado de morte logo à nascença. Jerusalém aparece já com a marca da perseguição e é lá que o Filho de Deus vai ser morto, não às mãos ameaçadoras de Herodes, mas dos seus próprios coincidadãos e dos Romanos.

Concluindo, não podemos esquecer que Mateus escreve estas narrativas muito depois da ressurreição de Jesus e pretendem confirmar essa mesma ressurreição. O Evangelho da Infância não é um prólogo, mas sobretudo um epílogo, uma espécie de conclusão onde se resumem as grandes ideias teológicas do evangelista acerca de Jesus.

Os dois grandes acontecimentos de Israel, Êxodo e Exílio, são revividos pelo próprio Messias, Filho de Deus, e este Evangelho da Infância é o lugar onde o Antigo Testamento, conduzido por Moisés, se encontra com Jesus.


(Artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica Novembro/Dezembro 2007)
publicado por ssacramento às 09:53
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