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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Um ano a caminhar com São Paulo: "A diaconia da reconciliação"

28.07.08 | ssacramento

Em que consiste o verdadeiro apostolado? Como se manifesta e reconhece? Esta questão já havia sido posta no Antigo Testamento a respeito do profetismo e também Paulo se viu confrontado com ela. Missionários cristãos, chegados a Corinto, levaram mesmo a comunidade a romper com Paulo, o seu fundador, acusando-o da falta dos sinais distintivos do Apóstolo, como os estados de transe ou êxtase (2Cor 3,7-21; 12,1). A isto Paulo responde, por exemplo, em 2Cor 5,14-21. É que os sinais do Apóstolo dependem de quem o constitui nessa missão e do modo como o fez. Paulo serve-se do termo diaconia, que, na prática, significava o mesmo que apostolado. A palavra diaconia, de origem grega, indica uma total dependência de quem é enviado (o diácono), em relação a quem o envia (Cristo) e áqueles a quem é enviado (as comunidades cristãs). É tal a sujeição do Apóstolo a Cristo que este se torna presente nele, sempre que exerce a sua diaconia.

 

Na passagem da 2ª Carta aos Coríntios que nos é proposta para esta semana (5,12-21), Paulo destaca a morte salvífica de Cristo, pois:

  1. foi esta que levou Paulo a mudar de vida, por ter sido o maior acontecimento de amor, tão grandioso que  nele esteve envolvida toda a humanidade (ao morrer por todos, todos morreram em Cristo). Foi deste amor que Paulo ficou totalmente possuído, na aparição do Ressuscitado. Daí advêm os efeitos na sua vida: a mudança radical, como uma nova criação que Deus então operou nele.
  2. foi ela que levou à diaconia de Paulo. O Apóstolo chama-lhe diaconia da reconciliação, devido à sua finalidade e origem: ela nasceu da experiência pessoal do amor de Deus manifestado na morte redentora de Cristo, pela qual Deus reconciliou o mundo consigo, amor esse que se exprime pelo perdão dos pecados e é gratuito, pois foi d'Ele que partiu a iniciativa da reconciliação, tendo um alcance universal. Deus, ao fazer Paulo participante neste acontecimento de reconciliação, torna-o também seu mediador. No acto em que Deus o reconciliou consigo, deu-lhe a diaconia da reconciliação. 
  3. é nela que se fundamenta a actividade do diácono. No seu exercício, Paulo apresenta-se como embaixador de Cristo e porta-voz de Deus. Embaixador, diácono ou apóstolo é aquele que actua com os poderes de quem o envia. Paulo rejeita experiências extáticas para se recomendar como Apóstolo. Se as guarda para a sua relação pessoal com Deus, é porque em nada contribuem para a construção da comunidade, podendo mesmo desviá-la da única fonte de vida: o amor de Cristo na cruz.

Ainda hoje, quem se reconcilia com Deus, tem de reconciliar-se com os outros, sobretudo com aquele que é diácono da sua reconciliação.

 

 

 

(OLIVEIRA, Anacleto - Um ano a caminhar com S. Paulo. Palheira: Gráfica de Coimbra,2008)