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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Férias...

31.07.08 | ssacramento

Verão é tempo de férias e os meses de Julho e Agosto introduzem novas viagens, umas mais próximas, outras mais distantes. Por um lado, é a linha azul do mar que tanto nos seduz e que, com a sua imensidão, nos lembra o nosso verdadeiro horizonte; por outro lado, a subida aos altos montes traz-nos uma visão clara do infinito. 

 

Entendemos bem aquele verso de Rilke que diz: "Espero pelo Verão como quem espera por uma outra vida". Na verdade, não é por uma vida estranha e fantasiosa que esperamos, mas por uma vida que realmente nos pertença. Por isso é tão decisivo que as férias, tempo aberto às múltiplas errâncias, não se torne um período vago; tempo plástico e criativo e não se enrede nas derivas consumistas; tempo propício à humanização e não se perca na fuga a si mesmo e no ruído do mundo.

 

Em toda a tradição bíblica o repouso é uma oportunidade privilegiada para mergulhar mais fundo, mais dentro, mais alto. É aceitar o risco de sentir a vida integralmente e de maravilhar-se com ela: na escassez e na plenitude, na imprevisibilidade dolorosa e na sabedoria confiante. (Adaptado de um artigo de José Tolentino Mendonça, Ecclesia. Imagem retirada da Internet)

 

Todos precisamos deste repouso. De nos encontrarmos connosco próprios, com os outros, com Deus. De recuperar energias para um novo ano. Por isso,  a folha Pão e Vida não será publicada durante o mês de Agosto. Ela regressará no próximo mês de Setembro. Quanto ao blogue, para o próximo mês de Agosto, escolhemos meditar nas palavras de um antigo arcebispo de Saigão, cujo processo de beatificação se encontra aberto no Vaticano.

 

Francisco Xavier Nguyen Van Thuan reviveu na primeira pessoa a experiência de Paulo, "prisioneiro do Senhor", pois, após a sua nomeação para arcebispo coadjutor de Saigão e aquando da chegada dos comunistas, foi mantido prisioneiro durante 13 anos, 9 deles em isolamento. Durante esse período de tempo, D. Francisco quis escrever ao seu povo, para reconfortá-lo, confirmá-lo na fé e fazer reflorescer nele a esperança. Não escreveu cartas, mas breves e simples frases, servindo-se de um restinho de lápis e de folhas de um calendário. Todas as manhãs entregava essas folhinhas a uma criança da aldeia, que as levava para casa e as copiava para as folhas de um caderno escolar. Essas páginas chegaram depois clandestinamente ao Ocidente, através de vários vietnamitas que faziam parte do exército das boat people (gente dos barcos).

 

Essas palavras são também apelo para todos nós, para seguirmos Jesus e revivermos a vida divina que Ele trouxe ao mundo.

 

(A obra utilizada, da qual fizemos transcrição das informações constantes neste artigo, foi a seguinte: THUAN, Francisco Xavier Nguyen Van - O Caminho da Esperança. Prior Velho: Paulinas, 2007)