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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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A importância de ter avós em S. Mateus (II)

24.09.08 | ssacramento

Na sua genealogia, Mateus dividiu todos os antepassados de Jesus em 3 grupos, segundo 3 etapas importantes da história judaica:

  • de Abraão até ao rei David (2-6). Nesta 1ª etapa, Mateus mostrou que todos os homens nascem para a grandeza e daí culminar com o rei David, o maior rei de Israel, o homem que conduziu o povo hebreu ao esplendor máximo e o converteu numa potência.
  • de David até ao cativeiro do povo na Babilónia (6-11). Nesta 2ª secção, Mateus ensina que todos os homens perdem a sua grandeza quando pecam e que acabarão sempre por ser escravos dos seus maus actos, daí terminar este grupo com o cativeiro da Babilónia, a etapa da vergonha, do desastre, da tragédia da nação hebraica.
  • desde o cativeiro até à vinda de Jesus Cristo (12-16). Aqui Mateus mostra que os homens recuperam a sua grandeza, graças ao Filho de Deus e daí esta sequência terminar em Jesus Cristo, a pessoa que libertou os homens da escravidão. Para este evangelista, Deus não permite que o final da história seja trágico, pois em Jesus Cristo qualquer desgraça pode converter-se em triunfo.

Se contarmos os nomes que vão de Abraão a David, de David ao cativeiro e do cativeiro até Jesus Cristo verificamos que o número será sempre 14. O próprio Mateus o escreve no final (1,17). Isto não é possível. Mateus teve de suprimir vários nomes para obter esse número. Por exemplo, entre Farés e Naasson só são indicadas 3 pessoas para preencher os 430 anos da escravidão do Egipto. Porquê utilizar, artificalmente, o número 14?

 

Em português, quando queremos escrever algarismos, usamos certos sinais (1,2,3) e se quisermos escrever letras, usamos outros sinais diferentes (a,b,c). Em hebraico, as mesmas letras servem para escrever os números (o 1 é a letra "a", o 2 a letra "b", etc). Assim, somando as letras de qualquer palavra hebraica, podemos sempre obter uma quantidade chamada gemátrica. Segundo estes cálculos, o número gemátrico do rei David era 14, pois nas suas letras temos: D (= 4) + V (= 6) + D (=4) = 14.

 

Agrupando os nomes em 14, Mateus encontrou uma elegante maneira de dizer aos judeus que Jesus era descendente de David e, portanto o verdadeiro Messias. Ao reunir esses nomes em 3 listas de 14, como o 3 significa simbolicamente "totalidade", o evangelista quis dizer que Jesus é o "tríplice David", logo o Messias total, o autêntico e verdadeiro descendente de David.

 

 

(VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia? III. Apelação: Paulus, 1998; Imagem disponível na Wikipedia)