Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Um ano a caminhar com São Paulo: "Entregou-se comigo a servir o Evangelho"

29.09.08 | ssacramento

S. Paulo, nas suas cartas, usa frequentemente a primeira pessoa do plural, com 3 sentidos distintos:

  • como plural majestático, para reforçar a sua autoridade apostólica,
  • para envolver os leitores nas palavras que lhes dirige,
  • para comprometer os seus colaboradores no conteúdo escrito.

Quanto aos seus colaboradores, ele nomeia cerca de 40, uns mais íntimos e permanentes (Silvano ou Silas, Timóteo, Tito), outros colaboravam com ele de forma esporádica (Apolo, o casal Priscila ou Prisca, Áquila). A maioria eram enviados das comunidades para manter o contacto com o fundador, apoiá-lo pontualmente e prolongar, circularmente, a sua actividade de evangelização.

 

Em Fl 2,19-30 somos esclarecidos sobre o fundamento e o sentido da missão dos colaboradores de Paulo, sendo um modelo para a Igreja de hoje. Nessa citação há referência a dois colaboradores: Timóteo, mais ligado a Paulo e aos cristãos de Filipos; e Epafrodito, enviado pela comunidade para junto de Paulo. O Apóstolo encontrava-se preso, provavelmente em Éfeso, desconhecendo se seria morto ou libertado. Para o confortar, Epafrodito foi portador de uma ajuda material, que Paulo agradece, ficando mais tempo junto do Apóstolo, em parte devido a uma grave doença aí contraída. Quando regressa à comunidade, Epafrodito é portador da referida carta.

 

Epafrodito e Timóteo estabeleciam uma ligação vital entre o Apóstolo e a comunidade. Mas, afinal, o que é um colaborador? É uma palavra composta (co-laboradores) e em grego (syn-érgos) o termo érgon significa a obra produzida pelo laborador ou trabalhador. Quer dizer, é a obra de Cristo, do Evangelho, no qual Cristo é simultaneamente objecto e agente. Só o Apóstolo e outros como ele, pela visão directa do Ressuscitado, foram constituídos seus enviados (1Cor9,1), daí o título de Apóstolo, sendo o poder apostólico intransmissível, mas podendo ser participado por outros: os seus colaboradores na mesma obra da evangelização. Ora, como nessa obra é Cristo que actua, então é dele que são realmente colaboradores e não apenas do Apóstolo. Quer dizer, são colaboradores de Cristo e de Deus, através do Apóstolo e com ele. Todos eles receberam o Evangelho, directa ou indirectamente, de um Apóstolo e, através dele, foi Deus quem de facto os chamou. Nesta medida, estão em pé de igualdade com o Apóstolo, embora na sua dependência. Paulo chama a Epafrodito, não apenas irmão, mas também colaborador e companheiro de luta, mesmo quando este está fisicamente afastado, na comunidade à qual é reenviado.

 

 

(OLIVEIRA, Anacleto - Um ano a caminhar com S. Paulo. Palheira: Gráfica de Coimbra,2008)