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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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"O silêncio impossível"

A impossibilidade do silêncio tem a ver com a imperiosa necessidade de falar, com o não poder ficar calado. Não se pode guardar silêncio, pois há que denunciar as injustiças. Não se pode guardar silêncio, pois há que anunciar o Reino. Não se pode ficar em silêncio, quando existe a mínima possibilidade de que o silêncio seja interpretado como consentir. Quem cala consente. Se é preciso denunciar torna-se impossível o silêncio.

Como não falar de Ti, como não dizer o Teu nome, como não proclamar a Tua palavra? Jeremias não se pôde calar. Dizia "não voltarei a falar", mas isso era impossível, pois um fogo consumia-lhe as entranhas. Com Isaías passou-se o mesmo. Não se pôde calar: "Por amor a Sião, não me hei-de calar, por amor de Jerusalém, não descansarei até que a sua justiça brilhe como um clarão e a sua salvação arda como uma tocha" (Is 62, 1).

Na vida de Jesus também houve momentos de silêncio impossível. Jesus mantinha-se calado, porém quando o Sumo Sacerdote o conjura em nome de Deus para que diga se é o Messias, Ele quebra o silêncio. Jesus fala: "Tu o disseste." (Mt. 26, 57-68). Aquando da entrada jubilosa em Jerusalém, os fariseus estão furiosos com os gritos de louvor a Jesus e pedem-lhe que repreenda os seus seguidores, mas Jesus responde: "Digo-vos que, se eles se calarem, as pedras gritarão." (Lc. 19, 28-40)

Para nós os crentes, frente a um silêncio tímido ou a um silêncio envergonhado há a resposta ao mandato de Jesus: "o que tiveres escutado em silêncio, ao ouvido, anunciai-o desde os terraços, dizei-o dos telhados".

Não cales. Não te cales. Que fiquem todos a saber. Di-lo com os lábios, com os olhos, com o rosto, com as mãos. Há que dizer não ao silêncio cobarde do "quem cala consente" ao silêncio envergonhado de "quem se cala como um morto".

"Chamaste-me, Senhor... elegeste-me...
Como viver sem Ti, como não falar de Ti,
Se o Teu amor me queima por dentro como o fogo?
Tu me seduziste... nomeaste-me profeta..." (Antonio Alcalde)



(Adaptado de Javier Berciano García e Grupo Herramientas Nueve - Que é... o silêncio. Lisboa: Paulinas, 2000)

"O coração do Bom Pastor"

"O coração do Bom Pastor, de Cristo misericordioso que busca a ovelha perdida e que, ao encontrá-la, a coloca aos ombros, traz para casa, chama os amigos e faz a festa, é uma das imagens bíblicas mais maravilhosas para nos revelar o mistério da misericórdia. Busca a ovelha perdida, procura-a por montes e vales, deseja encontrá-la, não se cansa de a procurar. E quando a encontra não sabe fazer outra coisa senão festa: "alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida" (Lc. 15, 4-7). A misericórdia do Bom Pastor, revelação da misericórdia do Pai, não só perdoa mas alegra-se, faz festa, rejubila ao encontrar o pecador arrependido, a ovelha perdida (Lc. 15, 11-32). (...)

O coração do Bom Pastor é o coração amigo de pecadores e vive essa amizade com paixão interior. O modo como trata a mulher apanhada em adultério, como a perdoa e lhe restitui a dignidade, como a manda ir em paz, com o coração purificado e alegre, é uma das muitas manifestações do coração amigo de pecadores (Jo. 8, 1-11). A maneira como convida Zaqueu a descer do sicómoro e Se faz convidado para sua casa, concedendo-lhe o perdão e a graça de tão notável arrependimento, é outra maneira do Bom Pastor exercitar a sua misericórdia (Lc. 19,1-10). A revelação feita à Samaritana, como fonte de água viva, escolhendo aquela mulher sem dignidade, vivendo com um marido que não era dela, volta a surpreender-nos pela capacidade de perdão, de amizade com pecadores, de diálogo com a "miséria" para a libertar e salvar (Jo. 4, 1-42). A maneira como trata Judas, o traidor, chamando-lhe amigo e aceitando o beijo da traição (Mt. 26, 47-51), ou o modo como perdoa as negações a Pedro e continua a depositar nele a confiança, nomeando-o chefe do grupo e confiando-lhe o Primado, são outras tantas maneiras de Se revelar o coração do Bom Pastor, sempre amigo de pecadores (Mt. 26, 69-75; Jo 21, 15-19).

Por isso mesmo Lhe chamam bêbado e glutão, O acusam de ir a casa de pecadores e publicanos, O criticam por este modo misericordioso de proceder, e a própria família chega a afirmar "está fora de Si" (Mc 3, 20-21) e pensa em ir buscá-Lo e levá-Lo para Nazaré. O seu comportamento é desconcertante, diríamos mesmo "escandaloso", para a mentalidade da época. Mas Jesus, o Bom Pastor, não sabe agir de outro modo, o seu coração de misericórdia continua ávido de encontrar as ovelhas perdidas, ansioso de lhes conceder a sua misericórdia. Ele veio para os pecadores e não para os justos, para os doentes e não para os sãos (Lc 19,10; Mc 2, 15-17) (...)

Hoje, em Igreja, na vida e no coração de cada homem, continua a ser o Bom Pastor, o amigo dos pecadores, de marginais, da escória que necessita da sua misericórdia.

Precisamos de aprender com Jesus, o Bom Pastor, a buscar ovelhas perdidas, a alegrarmo-nos com o regresso dos filhos pródigos, a fazer festa sempre que alguém volta à casa do Pai. Precisamos de ir ao encontro de pecadores; não podemos ficar só a tomar conta das ovelhas fiéis que ainda estão no rebanho. Precisamos de sair da igreja, da sacristia, da confraria, do grupo apostólico e ir, com coração de misericórdia, procurar ovelhas perdidas. Sem descanso, sem medo(...). Não podemos ficar instalados, escandalizados com o mal do mundo(...).

Podemos e devemos ter coração de Bom Pastor, quando rezamos pelo mundo, quando acolhemos no nosso coração todos os pecadores e rezamos por eles. Precisamos de ter um "coração universal", onde caiba a humanidade inteira, onde haja lugar para todos, onde os mais pecadores, mais marginais, mais ovelhas perdidas têm a nossa predilecção, o nosso carinho, o nosso amor. Só assim imitamos o Coração do Bom Pastor, só assim somos verdadeiros devotos do seu Coração sempre amigo de pecadores."



(PEDROSO, Dário - Acreditar no amor. Braga: Editorial A. O., 2003)


As festas da Bíblia (I): o Sábado; o Ano Sabático

Em cada semana, uma festa: o sábado

Sábado significa descanso e, segundo o preceito bíblico, é o dia em que cessa todo o trabalho, sendo um tempo sagrado, de Deus. O sábado tem, pois, uma função litúrgica, pois é um dia de louvor ao Deus criador do mundo e do homem: "Concluída no sétimo dia toda a obra que havia feito, Deus repousou no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado. Abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Deus repousou de toda a obra da criação." (Gn. 2, 2-3)

A Bíblia fala da santificação do sábado pelo Senhor, quer dizer, Deus colocou no sábado um pouco da sua própria santidade e o povo tem a responsabilidade de, um dia por semana, imitar a santidade de Deus.

O sábado tem também uma função social já que permite o descanso da família, escravos, estrangeiros e animais, estando associado a um clima de alegria (Dt. 5, 12-15; Os 2, 13). É que se Deus libertou o seu povo, este não tem o direito de escravizar nada nem ninguém: "Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado." (Dt. 5, 15). Guardado por todos, criava um clima de solidariedade e irmandade.

Não é apenas descanso por descanso, mas sim um descanso funcional e dinâmico. Trata-se de um descanso positivo, um memorial semanal da libertação do Egipto e que lembrará perpetuamente o sentido da liberdade (Jr. 17, 20-27).

A proibição de qualquer trabalho dos homens e animais neste dia significa que Deus é o único absoluto do homem no meio das (pre)ocupações da vida semanal. Deste modo, o sábado judaico termina à tarde com a oração "separação" (havdalah), pois separa o dia santo, o tempo de Deus, do resto da semana, o tempo profano.

O fariseísmo, levando ao extremo a proibição do trabalho ao sábado, fez desta festa semanal da liberdade o dia semanal da escravidão, levando Jesus de Nazaré a afirmar que "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. O Filho do Homem até do sábado é o Senhor." (Mc. 2, 27-28)

Desde os primórdios da Igreja que os cristãos deixaram de guardar o sétimo dia, que não poderia ser de festa porque Jesus estava no túmulo, para guardarem o primeiro dia da semana, altura em que Jesus ressuscitou. O Apocalipse de João já fala do domingo, dia da Ressurreição, como "Dia do Senhor" (Ap. 1,10).


Em cada semana de anos, um ano de festa: o ano sabático


Apesar da expressão não surgir na Bíblia, o Ano Sabático liga-se à ideia de "sábado" (7º dia) e, como tal, à ideia de liberdade. Antes de mais, liberdade da terra: "Semearás a terra durante seis anos e colherás os seus produtos. Mas no sétimo ano, deixarás a terra em repouso e abandonarás os seus frutos, que os pobres do teu povo comerão e os animais selvagens comerão o que sobejar (...). Trabalharás durante seis dias, mas no sétimo dia descansarás, a fim de que descansem igualmente o teu boi e o teu jumento e possam respirar o filho da tua escrava e o estrangeiro." (Ex. 23, 10-12; ver também Lc 25, 2-7)

Em Gn. 2, 2-3, a liberdade sabática passa de Deus aos homens e destes aos campos, que ficam livres de produzir alimento e o que produzem pertence aos mais pobres. Portanto, alarga-se o preceito do sábado às coisas, aos animais e escravos (Ex 21, 2-3).

Esta liberdade das pessoas era total, estendendo-se ao domínio económico, pois um homem carregado de dívidas não era um homem livre (Dt. 15, 1-9). No Ano Sabático, os mais pobres ficavam livres das suas dívidas, restituindo-se os bens aos antigos e verdadeiros donos. Muitas vezes, esses bens eram vendidos ou dados em penhora devido às dificuldades económicas e, com a instituição do Ano Sabático, pretendia-se maior igualdade (a que fora estabelecida durante a distribuição das terras pelas tribos) e justiça social.


(Adaptado de Revista Bíblica, nº 244)


"Mãos no trabalho, coração em Deus"

O que é?
A Obra de Santa Zita (OSZ), com o lema "Mãos no trabalho, coração em Deus", foi fundada por Monsenhor Joaquim Alves Brás, em 1931, na cidade da Guarda, chamando-se então Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC). Esta associação tinha como objectivo a formação moral, intelectual e profissional das jovens do sexo feminino, que se dedicavam ao serviço da família, como auxiliares, empregadas domésticas ou "criadas de servir", defendendo a sua honestidade e interesses, assegurando-lhes o futuro, acolhendo as associadas no desemprego, na doença e fadiga.

Actualmente, esta instituição tem a sua sede em Lisboa e 21 casas por todo o país, possuindo actividades ligadas à infância, juventude e Terceira Idade.

 


Quem  fundou esta Obra?

O fundador foi Monsenhor Joaquim Alves Brás, nascido a 20 de Março de 1899, em Casegas, concelho da Covilhã, junto da serra da Estrela. Cresceu num ambiente familiar cristão e exemplar, que influenciou toda a sua vida e acção. Em 19 de Novembro de 1917, depois de superadas muitas dificuldades, inclusive uma doença crónica que o reteve no leito dos 11 aos 14 anos, deu entrada no Seminário do Fundão, da Diocese da Guarda, a fim de se tornar Padre.

A 19 de Julho de 1925, um ano antes do tempo previsto, recebeu a ordenação sacerdotal, na capela do Paço Episcopal da Guarda e celebrou a primeira Missa no dia seguinte.

Foi nomeado Pároco da aldeia de Donas, concelho do Fundão, e confessor do Seminário do Fundão, exercendo durante cinco anos. A doença levou a que fosse nomeado Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda.

Sensível aos problemas da sua época e às grandes carências e misérias de muitas famílias, fundou:

  • Em 1931, a Obra de Santa Zita.
  • Em 1933, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família, cuja missão é cuidar da santificação da família, através dos apoios necessários (pode consultar este Instituto feminino de Vida Consagrada Secular em http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/iscf).
  • Em 1960, os Centros de Cooperação Familiar e em 1962, o Movimento por um Lar Cristão, que cooperam com a família, na realização da sua sublime vocação e missão.
Com 67 anos, a 13 de Março de 1966 (chamado o "Dia do Fundador"), morreu vítima de um acidente de viação.

O Processo de Beatificação teve início em 1990 e já se encontra em Roma, desde 1992, aguardando-se o momento de ser confirmado pela Igreja a heroicidade das suas virtudes (o Boletim trimestral Flores sobre a Terra, para a causa de beatificação de Mons. Joaquim Alves Brás, está disponível em http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/iscf/pdf/boletim.pdf).


Quem foi Santa Zita?

Zita era oriunda de uma família pobre italiana. Todas as manhãs, ia à cidade vender algo para o sustento dos seus. A rica família dos Fatinelli sentiu-se atraída pelos modos humildes da menina, tendo entrado ao seu serviço como criada de servir onde permaneceu até à morte.
Exemplo de honestidade e zelo pela casa que serviu como se fosse sua, santificou-se na rotina do dia-a-dia, guiada pelo lema "Isto agrada ou desagrada a Deus?".
Ao expirar, a 27 de Abril de 1278, toda a família dos Fatinelli estava ajoelhada à sua volta, rendida pela sua santidade. O seu culto propagou-se rapidamente, sendo Padroeira das Empregadas Domésticas.



(Adaptado de  http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45633&seccaoid=3&tipoid=85 e
DIAS, António J. - Arautos da Santidade. Vida dos Santos. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 2001)

 


Hoje é dia de...


Hoje é dia de S. Marcos Evangelista. João Marcos habitava com sua mãe, Maria, em Jerusalém e a sua casa era local de reunião dos primeiros cristãos. Foi lá que S. Pedro bateu à porta quando o Anjo o libertou da prisão. Era primo de Barnabé e seu companheiro durante as viagens apostólicas e no cativeiro de S. Paulo. Em 65 ou 70 d.C. escreveu a catequese de S.Pedro na comunidade de Roma.

O Evangelho de S. Marcos foi o primeiro a ser redigido, cerca de 65 d.C., e aparece escrito em língua grega vulgar. Embora escreva para anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo como Filho de Deus, nele Jesus aparece mais humanizado do que em S. Mateus: é a vida de Jesus de Nazaré, que percorreu os caminhos da Galileia fazendo o bem, o Filho muito amado de Deus que se compadece, admira, indigna, sente medo e angústia, .... A comunidade de Marcos concluiu que só quem segue Jesus pelo caminho da renúncia e da cruz saberá quem Ele é. Estes tornar-se-ão seus discípulos e conhecerão o Filho de Deus.


(Adaptado de DIAS, António J. - Arautos da Santidade. Vida dos Santos. Lisboa: Editora Rei dos Livros, 2001; e PULGA, Rosana - Bê-Á-Bá da Bíblia. Lisboa: Paulinas, 2001)



Mas hoje também é dia comemorativo da Revolução dos Cravos.


"Ao celebrar-se mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974 sempre se precipitam as análises de ar científico nos acontecimentos desenhados nos últimos anos da nossa história. (...)
Como se a Revolução dos Cravos fosse o único elemento a atravessar-se na nossa caminhada. Tivesse ou não havido a revolução não estaríamos hoje como em 1974. A história faz-se com a emersão de elementos escondidos e aparentemente insignificantes que alimentam os grandes troncos. Como a água, humilde e casta que alimenta, sem se ver, as grandes florestas. Ainda estamos muito longe de compreender os factos que irrigaram a nossa história, para esta chegar como chegou até nós."

Interessante este artigo do P. António Rego, disponível em
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=45457&seccaoid=7&tipoid=25


Que obra realizas?

Sobre a leitura de hoje: Jo 6, 30-35

"Ontem como hoje, Jesus é desconcertante. Quem se aproxima do divino leva consigo a incompreensão dos homens, desilusões e perguntas. Por isso, os judeus pedem sinais, impõem condições. Jesus responde, revelando-se como o verdadeiro pão, que dá a vida ao mundo. Não a vida terrena, mas a vida divina, que o corpo e o sangue de Cristo sacia e transfigura. A obra que Cristo realiza é dar-se a comer no deserto da vida, pacificando dissensões e discórdias.  A Eucaristia é o pão substancial, que responde à fome de bem e de verdade, verdadeiro maná descido do Céu.

O maná do deserto significa o corpo de Cristo, dado como alimento da nossa fé. O maná era figura; Cristo a realidade. O maná era profecia; a Eucaristia o seu cumprimento. Vida nova, pão novo. Cristo é o pão definitivo que nos sacia para sempre e substitui todos os gostos. (...)

A Eucaristia (...) sacia todas as fomes, mata todas as sedes. Comungar Cristo é aderir a Ele, assimilá-lo em íntima comunhão de pensamentos e corações. (...) Pão de Deus é a fé, que nos sacia a toda a hora e nos dá o gosto do divino, saboreando amor em tudo o que acontece. Acreditar é comungar a Palavra, receber o Senhor.

Senhor, dá-nos sempre desse pão!"



(GUERRA, Paulo - Pão da Palavra I. Braga: Editorial Apostolado da Oração, 2001)

Aprendei a amar

"Perguntei a Madre Teresa se também havia entre as Missionárias da Caridade a queda de vocações comum a muitos institutos religiosos.
- Não. Estamos sempre a crescer. Há raparigas que me dizem: 'Quero uma vida de pobreza, de amor e de sacrifício.' Respondo-lhes: 'Bem, minha filha. São as únicas coisas que te posso dar.' A generosidade das jovens gerações é uma grande coisa. Os jovens estão esfomeados de Deus. É esta a grandeza da juventude.

Voltei a pensar nas palavras da Madre ao ler o resultado de uma sondagem realizada pela Eurispes, em Abril de 2003, entre adolescentes dos catorze aos dezoito anos, a quem se perguntou quais eram os seus ídolos. Pois bem, nos dois primeiros lugares estavam Madre Teresa e João Paulo II: segundo o comunicado da Eurispes, 'eles encarnam o ídolo da nossa época para um quarto dos jovens interpelados, crentes ou não.' Parece incrível! (...) Ambos representam modelos de ideais contra a corrente, como o sacrifício, a doação de si, a busca do sentido verdadeiro da vida, a coerência, a paixão pela paz. É precisamente isto que conquista a juventude que frequentemente julgamos viciada por demasiados bens materiais, perdida por detrás de uma vontade de divertimento, irreflectidamente desempenhada.

Vale a pena recordar a carta que a Madre Teresa enviou aos milhares de raparigas e rapazes que chegaram de todo o mundo a Chestocova para celebrar com João Paulo II o Dia Mundial da Juventude, a 15 de Agosto de 1991:

'Caros jovens, o maior mal de hoje é a falta de amor e de caridade, a terrível indiferença com os irmãos e irmãs, filhos de Deus nosso Pai, que vivem marginalizados, presas da exploração, da corrupção, da pobreza e da doença.

Já que a vida se abre diante de vós, a minha oração por vós é que possais compreender cada vez melhor o seu sentido verdadeiro... A vida é um dom maravilhoso de Deus e todos foram criados para amar e ser amados. Não é um dever ajudar os pobres material e espiritualmente: é um privilégio, porque Jesus, Deus feito Homem, assegurou-nos que 'tudo o que fizerdes ao último dos meus irmãos a mim o fareis...'

Não permitais que falsos objectivos - dinheiro, poder, prazer - vos tornem escravos e vos façam perder o sentido autêntico da vida.

Aprendei a amar procurando conhecer cada vez mais profundamente Jesus, crer firmemente nele, escutá-lo em oração profunda e na meditação das suas palavras e dos seus gestos que revelam perfeitamente o amor, e sereis levados pela corrente do amor divino que faz com que os outros participem no amor. Só no céu é que veremos quanto somos devedores aos pobres, por nos terem ajudado a amar melhor o Senhor. Deus vos abençoe. Madre Teresa.' "


(ZAMBONINI, Franca - Madre Teresa. A mística dos últimos.Prior Velho: Paulinas, 2003)
(Imagens retiradas de http://www.bordighera.it/Galleria/32Giussani/09.jpg e http://franciscodeassis.no.sapo.pt/mteresa.jpg)




O programa proposto pelo Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações, a realizar na Paróquia de Lordelo do Ouro (Porto), para esta semana das vocações é o seguinte:

  • Eucaristias - 23 a 28/04 (19 horas), precedidas de Terço Vocacional (18,30 horas);
  • Adoração ao Santíssimo - 26/04 (8,30-19 horas);
  • Encontro com as famílias - 27/04 (21,30 horas);
  • Vigília de Oração - 28/04 (21,30 horas), presidida por D. Manuel Clemente.

"Tu amas-me?"

Inicialmente, o Evangelho de São João terminava no capítulo 20 e o próprio evangelista ou algum dos seus discípulos acrescentou o capítulo 21 por ter necessidade de insistir mais uma vez na realidade da ressurreição de Cristo. "Este é, de facto, o ensinamento que se deduz da passagem evangélica, que a ressurreição de Jesus não é só um modo de falar, mas que ressuscitou, em seu verdadeiro corpo. «Nós comemos e bebemos com Ele depois da sua ressurreição dos mortos», dirá Pedro nos Actos dos Apóstolos, referindo-se provavelmente a este episódio (Actos 10, 41).

À cena de Jesus a comer com os apóstolos o peixe assado nas brasas, segue-se o diálogo entre Jesus e Pedro. Três perguntas: «Tu amas-me?»; três respostas: «Sabes que te amo»; três conclusões: «Apascenta as minhas ovelhas!». Com estas palavras, Jesus confere de facto a Pedro -- e segundo a interpretação católica, aos seus sucessores -- a tarefa de supremo e universal pastor do rebanho de Cristo. Confere-lhe esse primado que lhe havia prometido quando disse: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus» (Mateus 16, 18-19).

O que mais comove nesta página do Evangelho é que Jesus permanece fiel à promessa feita a Pedro, apesar de Pedro ter sido infiel à promessa feita a Jesus de nunca o trair, nem que fosse à custa da vida (Mateus 26, 35). A tripla pergunta de Jesus explica-se com o desejo de dar a Pedro a possibilidade de suprimir a sua tripla negação durante a Paixão. Deus dá sempre aos homens uma segunda possibilidade, frequentemente uma terceira, uma quarta e infinitas possibilidades. Não expulsa as pessoas do seu livro no primeiro erro. O que ocorre então? A confiança e o perdão do Mestre fizeram de Pedro uma pessoa nova, forte, fiel até a morte. Ele apascentou o rebanho de Cristo nos difíceis momentos do seu início, quando era necessário sair da Galileia e lançar-se nos caminhos do mundo. Pedro será capaz de manter, finalmente, a sua promessa de dar a vida por Cristo. Se aprendêssemos a lição contida na forma de actuar de Cristo com Pedro, dando confiança a alguém depois de que ter errado uma vez, quantas pessoas menos fracassadas e marginalizadas haveria no mundo!

O diálogo entre Jesus e Pedro deve ser transferido para a vida de cada um de nós. Santo Agostinho, comentando esta passagem evangélica, diz: «Interrogando Pedro, Jesus interrogava também cada um de nós». A pergunta: «Tu amas-me?» dirige-se a cada discípulo. O cristianismo não é um conjunto de doutrinas e de práticas; é algo muito mais íntimo e profundo. É uma relação de amizade com a pessoa de Jesus Cristo. Muitas vezes, durante a sua vida terrena, perguntou às pessoas: «Crês?», mas nunca: «Tu amas-me?». Fá-lo só agora, depois que, na sua paixão e morte, deu a prova do quanto nos amou.

Jesus faz que o amor por Ele consista em servir os demais: «Tu amas-me? Apascenta as minhas ovelhas». Não quer ser Ele quem recebe os frutos desse amor, mas quer que sejam as suas ovelhas. Ele é o destinatário do amor de Pedro, mas não é o beneficiário. É como se lhe dissesse: «Considero feito a mim o que farás pelo meu rebanho». Também o nosso amor a Cristo não deve ficar intimista e sentimental, mas deve expressar-se no serviço aos demais, em fazer o bem ao próximo. A Madre Teresa de Calcutá costumava dizer: «O fruto de amor é o serviço, e o fruto do serviço é a paz».

[Comentário do pregador da Casa Pontífica Padre Raniero Cantalamessa. Zenit]

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