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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Memorial da Irmã Lúcia

Abriu hoje "ao público o Memorial da Irmã Lúcia, em Coimbra. As Carmelitas da cidade, respondendo a um apelo de muitos fiéis que manifestavam vontade de contactar com o espólio pessoal da vidente de Fátima, conseguiram reunir cerca de 520 mil Euros com o objectivo de edificar um memorial.

A cela onde a Irmã Lúcia passou 55 anos da sua vida é reconstituída no museu, integrando o segundo piso do Memorial, um edifício projectado por Florindo Belo Marques e construído de raiz nos terrenos anexos à casa religiosa.

O Capelão do Carmelo de Coimbra, Pe. João Lavrador, evidencia à Agência ECCLESIA precisamente o forte apelo recebido de muitos que de perto gostariam de ver o ambiente em que a Irmã Lúcia viveu. “Uma vez que o visionamento da própria cela é impossível, decidiu reconstituir-se uma réplica da cela, com os objectos originais que compõem o seu ambiente”.

Aqui os visitantes terão oportunidade de ver não só o que pertencia à Irmã Lúcia mas também imaginar o que é próprio de uma vida de Carmelita, no seu essencial mas “na modéstia, na simplicidade e despojamento”, acrescenta o Pe. João Lavrador.

Alguns objectos são ilustrativos disso mesmo e dão conta da mensagem que Lúcia foi portadora, estabelecendo uma ligação a alguns acontecimentos. Pode então encontrar-se a batina que João Paulo II vestia quando sofreu o atentado, assim como um paramento que o Papa ofereceu ao Carmelo quando esteve em 2000 no santuário de Fátima, aquando da beatificação dos Pastorinhos.

“Alguma correspondência denunciadora da actividade escrita que a Irmã Lúcia desenvolvia, muitas cartas que recebia de algumas personalidades, ilustrativas do grande interesse que a sua figura mantinha a nível mundial”, exemplifica o Capelão do Carmelo.

“Trata-se de um despojamento por parte das carmelitas, e é muito bom para quem vê”, afirma. Para além da cela, o memorial vai oferecer ainda um itinerário da vida da Irmã Lúcia através de painéis, “onde se vai contando a sua história desde a infância até à morte. Vamos poder ver o seu trajecto no sentido humano, cristão, testemunhado através da sua vocação de carmelita. O caminho percorrido, desde Ponte Vedra e em particular a sua vida no Carmelo”.

Por questões de segurança, não se prevê que as pessoas possam “entrar dentro da cela, para precaver o resguardo dos próprios objectos”. O Pe. João Lavrador acredita que o local poderá ser visitado apenas algumas horas por dia, “mas todos os dias”, estando estas questões dependentes do regulamento do Museu. (...)

A página do Carmelo de Santa Teresa, apresenta o que será o memorial. (...)

Recorde-se que a Irmã Lúcia, falecida a 13 de Fevereiro de 2005, viveu em Coimbra, no Carmelo de Santa Teresa desde 1948 até à data da sua morte, aos 97 anos. Esteve sepultada durante um ano, numa campa térrea, no interior do Carmelo, tendo sido trasladada para Fátima a 11 de Fevereiro de 2006, onde foi sepultada junto dos outros dois Pastorinhos." (Agência Ecclesia)

Verdadeiros e falsos silêncios

“O silêncio não tem preço. Os primeiros contactos com ele são muitas vezes duros: silêncio na aula, silêncio para não incomodar os adultos, silêncio que é isolamento.

E, no entanto, esse silêncio tem uma grande importância. Merece um bom lugar no meio do ruído.

O silêncio só tem o valor daquilo que fizermos com ele.

De facto, o silêncio não é automaticamente melhor do que a palavra ou o ruído. A palavra permite que nos expressemos, e o ruído pode provir da alegria de estarmos juntos. O valor do silêncio depende daquilo que fizermos com ele.

 

Há falsos silêncios: o silêncio sofrido por medo do castigo; o silêncio de quem se zanga. Ou o silêncio de quem se fecha em si mesmo: o silêncio da cabeça oca: estamos nas nuvens, nem sequer conseguirmos sonhar. Não pensamos em nada.

Mas também há bons silêncios: o silêncio que respeita o trabalho dos outros; o silêncio de quem escuta; o silêncio da reflexão: há ruído à nossa volta, fazemos o esforço de nos afastarmos, para não nos distraírmos, reflectimos; o silêncio que permite um equilíbrio pessoal. O ruído, com efeito, esgota; o silêncio permite o descanso, o repouso.

O silêncio é o caminho para um certa qualidade de vida. Sem um pouco de tranquilidade, sem um instante de silêncio..., como podemos dar-nos conta do que estamos a fazer?

Aquele que sabe parar, guardar silêncio dentro de si e à sua volta, esse tem muitas vazas ganhas no jogo da sua vida. Percebe quem é e aquilo que faz; pode corrigir-se, pode dar um sentido aos seus actos.” (Jacques Piton)

 

(GARCÍA, Javier Berciano - Que é...o silêncio.Lisboa: Paulinas, 2000; Imagem retirada de

http://imagecache2.allposters.com/images/pic/GLX/10693~Orchid-Simplicity-Posters.jpg - 

Orchid simplicity, Yumiko Ichikawa)



A celebração Mariana de hoje, 4ª feira, às 21,30 horas, na Rua Guerra Junqueiro (junto à Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre) é um momento de silêncio orante neste final do Mês de Maio...

 

A lógica de Deus




Para reflectir:




"Numa ilha remota, o único sobrevivente de um naufrágio orava com fervor, pedindo a Deus que o ajudasse a sair dali. E todos os dias perscrutava o horizonte à procura de ajuda, mas esta não chegava. Cansado, começou a construir uma cabana, para se proteger a si e as poucas coisas que foi encontrando.
Um dia, depois de andar à procura de comida, ao regressar, encontrou a sua cabana em chamas. O fumo subia a grande altura. Tudo o que tinha se perdeu naquele incêndio.
Confuso e agastado com Deus, dizia-Lhe:
- Como pudeste permitir isto?
E acabou por adormecer na areia.
Na manhã do dia seguinte, muito cedo, ouviu assombrado a sirene de um barco que se aproximava da ilha. Vinham resgatá-lo. Perguntou:
- Como é que sabiam que eu estava aqui?
Responderam-lhe:
- Vimos os sinais de fumo que nos fizeste..."

(Texto retirado de Revista Cruzada, Maio 2007; imagem disponível em http://www.magiagifs.hpg.ig.com.br/gifsevangelicos2.htm)

"Onde está a tua irmã?"


A Irmã Eugenia Bonetti, missionária da Consolata e a quem foi atribuído, em 2007, o prémio "Mulher de Coragem" pelo seu trabalho a favor do resgate de mulheres introduzidas ilegalmente em Itália e obrigadas a prostituir-se, escreve na Revista Audácia deste mês de Maio, um excelente artigo sobre o tráfico de mulheres e crianças e do qual passamos a citar alguns excertos:

"Era uma sexta-feira fria e chuvosa. Deixava o Centro Caritas de Turim, no Norte de Itália, onde trabalhava havia uns meses, depois de regressar de África. Dirigia-me para a Igreja, para participar na Missa. Uma mulher africana pediu-me licença para entrar. Levava na mão uma receita médica. Pareceu-me tímida e nervosa. Pelo estilo de roupa, concluí que era uma das tantas mulheres que, de dia ou de noite, vendiam o corpo numa rua ou estrada.

Parei. Li a carta e fiz algumas perguntas. As respostas da mulher eram monossílabas. Estava doente e devia submeter-se a uma operação cirúrgica. Mas como não tinha documentos – era ilegal – não podia dirigir-se a um hospital público e, por isso, foi encaminhada para o nosso centro.

Maria tinha pouco mais de 30 anos e era mãe de três crianças. Deixou a Nigéria e veio para Itália. Queria trabalhar, para ajudar a sua família, mas acabou numa rede de prostituição, vítima do tráfico de seres humanos. Não falava italiano. Conversámos em inglês. A chorar, suplicou-me «Sister, please, help me!» (Irmã, por favor, ajude-me!).

Fiquei confusa. Não sabia que dizer e, muito menos, que fazer. Perturbava-me, também, estar a ficar atrasada para a Missa. Pedi-lhe que voltasse no dia seguinte. Mas ela quis acompanhar-me à igreja. Pelo caminho, notei como incomodava às pessoas que uma freira caminhasse ao lado de uma prostituta.

Na igreja, Maria sentou-se no último banco. Ouvia-a soluçar. Tentei concentrar-me, mas não conseguia. Dei comigo a meditar na Parábola do Fariseu e do Publicano (Lc 18,9-14). Considerei quantas vezes também eu fui orgulhosa como aquele fariseu; quantas vezes pensei que, por ser freira, sou melhor que as outras mulheres e, sobretudo, que as prostitutas. (...)

[Durante 24 anos, na Nigéria,] trabalhei em conjunto com as mulheres e os jovens para melhorar as condições de vida (...). Ao voltar a Itália parecia que todos os meus projectos e sonhos, as minhas seguranças se desmoronavam. Rezava: «Senhor, que queres que eu faça? Senhor, mostra-me o caminho!» Agora Maria punha-me à prova. Seria a resposta de Deus?

Dentro de mim ressoava a pergunta: «Eugénia, onde está a tua irmã?» (Gn 4, 9). Percebi que essa irmã era Maria, e todas as Marias que havia em Itália. E aconteceu a segunda escolha radical na minha vida. Compreendi que o Senhor, que me mandou para África, agora dizia-me para me fazer à estrada e ir ter com outras mulheres africanas, e não só, e ser sinal da Sua misericórdia, que cura e devolve a dignidade às pessoas.

Maria curou-se. E não só fisicamente. Com coragem e determinação, deixou a prostituição, aprendeu italiano, tirou um curso profissional, arranjou emprego e tem uma vida nova.

 O comércio de pessoas

Segundo cálculos, 500 000 mulheres foram introduzidas na Europa por organizações criminosas, que as obrigam a prostituir-se. Vêm dos países do Leste da Europa e dos países pobres tanto de África, como da América e da Ásia. Mais de 200 000 são menores, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos.

Como freira, percebi bem que esta realidade é um desafio para a sociedade e para a Igreja e, em particular, para os Institutos religiosos, pois somos chamados a ser defensores dos direitos dos pobres e dos sem voz, dos vulneráveis e indefesos.

As cadeias da escravidão

O símbolo da escravatura é a corrente. Esta é constituída por anéis interligados. Para mim, estes anéis têm nome: as vítimas, normalmente sem instrução, pobres e sem emprego; os membros das máfias que enganam, compram e vendem as pessoas; os clientes da prostituição; a sociedade, que perdeu a noção da dignidade da vida e das pessoas, e fica indiferente; os governos e as autoridades, cúmplices, por causa da corrupção e das conveniências económicas; os cristãos que, devido aos complexos, acusam e condenam as vítimas em vez de atacar as causas da prostituição e punir os criminosos.

Fala-se da prostituição como um problema de mulheres. Mas é também um problema dos homens, dos clientes, e da sociedade em geral, que se habituou a servir-se da Natureza, dos bens materiais e das pessoas segundo o princípio do usar e deitar fora. A indústria do sexo é um aspecto desta atitude perante a vida.(...)" (http://www.audacia.org/)


 

Em Setembro de 2003, a revista National Geographic publicava um artigo sobre "Escravos do século XXI", referindo-se a 27 milhões de pessoas que, em todo o mundo, incluindo Portugal, são compradas e vendidas, exploradas e brutalizadas para dar lucro...



No fogo do Espírito



(Imagem retirada de http://www.comvocacao.net)

É na oração que melhor nos dispomos a acolher o Dom do Espírito Santo e a compreender mais plenamente o mistério do Pentecostes, que nos exige a passagem para um novo estilo de fé, de comunhão, de comunidade, de vida, de evangelização, de testemunho.

A plenitude do mistério pascal realiza-se no Pentecostes. Sem Pentecostes a obra de Jesus ficaria mutilada. O mesmo Espírito que animou e levou Jesus a realizar as acções que viu fazer ao Pai e a dizer as palavras que ao Pai ouviu proclamar, vai agora transformar os discípulos em apóstolos, levando-os a anunciar e a realizar em todo o mundo as acções e opções de Jesus e a proclamar aos quatro cantos da terra a Boa Nova de Salvação.

É fundamental sentir-se convocado pelo Senhor em assembleia santa, onde Ele próprio é o centro, mas é urgente sentir-se enviado por Jesus, tal como Ele é o enviado por excelência do Pai.

Acolher o dom do Espírito é dispor-se a mudanças radicais. Não basta limitar-nos ao baptismo da água, quando a urgência é sermos baptizados no fogo do Espírito Santo, purificando injustiças, iluminando critérios de mais humanidade, consumindo a corrução de sistemas e estruturas opressoras, implantando as bem-aventuranças de uma nova ordem social, religiosa, cultural, política...

Fechadas estavam as portas da casa. Com medo tremiam os discípulos. Com Jesus no meio, a paz é comunicada, a morte é vencida, o medo dá lugar à alegria. "Não tenhais medo!", é o estribilho repetido ao longo de toda a Bíblia. A partir do Pentecostes nasceu a Igreja.

Neste tempo particularmente faminto do Espírito, que atitudes faltam para que surjam novas comunidades eclesiais perseverantes na escuta da Palavra, na união fraterna, na celebração do memorial do Senhor, no testemunho corajoso de Cristo Ressuscitado? Chegou a hora de nos lançarmos numa nova evangelização!


(Adaptado de um artigo de Acílio Mendes, Revista Bíblica, nº 238)

Pentecostes, explosão do Amor

O tempo da Igreja é o tempo do Espírito Santo, gerador de novas relações entre as pessoas, uma nova maneira de ser e estar no mundo. Ele é a fonte de onde emanam os dons que fazem a riqueza da Comunidade cristã. É ainda Ele que envia os discípulos dessa Comunidade a evangelizar, para fazer do Mundo um só povo: a Igreja de Jesus Cristo, a nova Humanidade, segundo o projecto de Deus Pai.

Na 1ª Leitura (Actos 2,1-11) verificamos que a Nova Aliança, iniciada com a vinda do Espírito Santo, não é um corte relativamente à Antiga, mas sim a sua continuidade e o seu complemento. É uma teofania, com uma linguagem própria que já vem do Antigo Testamento (Ex 19,16-19; Is 66,15-16), em que as manifestações de Deus são acompanhadas de tremores de terra, trovões, relâmpagos e fortes rajadas de vento, significando que a força de Deus actua como quer, onde quer e através de quem quer. Nada o detém.


O Espírito Santo não transmite leis. Estabelece entre os homens uma nova forma de comunicação e um novo estilo de relações humanas e fraternas que superam as fronteiras das línguas e culturas. "Partos, Medos, Elanitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e dos lados da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto Judeus como prosélitos, Cretenses e Árabes, ouvimos estes homens proclamar, em nossas línguas, as maravilhas de Deus".  Esta lista de 12 povos diferentes, presentes em Jerusalém, indica a universalidade das nações dispersas por todo o mundo. É a resposta ao relato do Génesis 11,1-9 sobre a Torre de Babel: ali havia uma só língua e a babel era o símbolo do poder e orgulho humanos; aqui, nos Actos dos Apóstolos, cada um ouvia os discípulos a falar a sua própria língua, a linguagem do amor, que é um dom do Espírito Santo, uma linguagem que respeita as culturas e ultrapassa as fronteiras políticas, ideológicas, étnicas e linguísticas, para fazer de todos os povos um só Povo: a Igreja de Jesus Cristo, a Nova Humanidade.
(Adaptado de um artigo de Manuel Arantes, Revista Bíblica, nº 220)


(Adaptado de http://www.infancia-misionera.com/pentecolor.htm)


Dia Internacional da Criança Desaparecida

"O Dia Internacional da Criança Desaparecida é hoje assinalado. A somar aos casos mediáticos que comunicação social dá conta, muitos outros se juntam, calando angústias e procurando esperanças.

A iniciativa de criar o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas surgiu na sequência do rapto de uma criança de seis anos - Etan Patz - a 25 de Maio de 1979 em Nova Iorque.

Nos anos que se seguiram, várias organizações começaram a assinalar esta data, mas só em 1983 o Presidente dos Estados Unidos declarou o dia 25 de Maio como dedicado às crianças desaparecidas. Três anos mais tarde, esta data conheceu dimensão internacional.

Na Europa, apenas a partir de 2002 é que este dia passou a ser assinalado pela Child Focus, uma organização europeia não-governamental (ONG), criada no seguimento do caso Dutroux das duas meninas desaparecidas na Bélgica em 1998.

Em 2004 a comemoração chegou a Portugal. O objectivo desta iniciativa é o de encorajar a população e a comunicação social a reflectir sobre todas as crianças que foram dadas como desaparecidas na Europa e no mundo. E também levar as autoridades a reflectir na prevenção e nas estratégias a criar, em colaboração com as entidades responsáveis pela educação, a justiça e a segurança. (...)

Na passada quarta feira o psicólogo clínico do Instituto de Apoio à Criança Manuel Coutinho, concedeu uma entrevista ao Programa ECCLESIA, onde analisou a realidade portuguesa e apontou cuidados a ter com as crianças." A referida entrevista pode ser consultada na Ecclesia.


Números para reflectir:

 

Participações, à Polícia Judiciária (PJ), por desaparecimento de crianças:

  • 2005 - 93 casos (num total de 976 registos de pessoas desaparecidas);

  • 2006 - 160 casos (no global de 1.606 participações de pessoas desaparecidas);
  • Janeiro/2007 a 10/05/2007 - 63 casos...

À noite rezo

"À noite rezo como a margarida
que abre as pétalas, quando a noite lança
sobre ela gotas de orvalho.
E apesar de ser tão pequena, Tu desces,
silenciosamente, para a ouvir.

As palavras que me diriges
são para mim como gotas de orvalho...
É nestes momentos que estendo as mãos
e abro o meu coração,
tal como a margarida.
E Tu aproximas-Te de mim,
silenciosamente, como a noite...

Ó Jesus, eu queria rezar-Te
à minha maneira...
Falar contigo como a uma mãe,
quando volta do trabalho.
Acho que não é difícil...
O que é que Te poderei dizer?
Que poderei oferecer-Te?
Já sei. Vou rezar por uns instantes!
Agora deixo de parte as tristezas
que me invadem.

Ontem muitas tristezas
me atormentavam,
e hoje ainda não desapareceram...
Mas se tas contasse,
talvez Te entristecesse.
Então, o que é que Te devo dizer?

Já sei: este momento, que é para Ti,
vai ser alegre, bom e bonito
como uma festa...

As minhas tristezas já desapareceram,
já partiram! Diz-me se isto é oração.
Que a minha oração seja sem palavras,
apenas de sorrisos,
para Te não entristecer..."


(RUCINSKI, Tadeusz - Silêncio! É tempo de rezar....Apelação: Paulus, s/d; imagens retiradas de http://reflejosdeluz.net/pastoral/Dibujos.htm)

As festas da Bíblia (VII): a festa das Tendas

Até ao século XIII a.C., os povos que habitavam Canaã celebravam as suas festas seguindo o ritmo da natureza e agradeciam aos deuses os frutos da terra. A festa das Tendas pretendia agradecer os frutos das colheitas do Outono, sendo sobretudo uma festa das vindimas. Tem a sua origem nas cabanas em que as pessoas viviam durante as colheitas, longe das suas casas. Era uma época de grandes alegrias, festejos e danças, mas tendo um carácter sagrado.

Mais tarde, com o Deuteronómio e tal como aconteceu com a Páscoa e o Pentecostes, as cabanas das colheitas dos campos passaram a significar para os judeus as tendas onde o povo viveu no deserto do Sinai, após a saída do Egipto, a caminho da Terra Prometida. Deste modo, durante a Festa das Tendas, Festa das Cabanas (Sucot) ou Festa dos Tabernáculos, que se celebrava no mês de Tishri (Setembro-Outubro), as famílias erguiam pequenas tendas nas ruas ou terraços, cobrindo-as com folhas de palmeira e de salgueiro ou outras verduras. Porém, mais do que as colheitas dos campos era importante lembrar a peregrinação do povo hebreu sob o olhar do Deus de misericórdia, que o tinha libertado de todos os perigos.

"No décimo quinto dia do sétimo mês celebrar-se-á a festa das Tendas em honra do Senhor, durante sete dias (...). Celebrareis esta festa do Senhor, sete dias cada ano, como lei perpétua para os vossos descendentes; celebrá-la-eis no sétimo mês. Morareis nas tendas durante sete dias; todos os que nasceram em Israel permanecerão sob a tenda para que os vossos descendentes saibam que dei a tenda por morada aos filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egipto. Eu, o Senhor, vosso Deus..." (Lv 23,33-43). Se compararmos com o texto que aparece em Dt 16,16-17, verificamos que neste último a festa ainda é completamente agrícola, girando em torno dos "produtos da tua eira e do teu lagar", com um carácter alegre e festivo, enquanto na citação do Livro do Levítico já não se fala dos produtos agrícolas, mas somente das tendas no deserto. Neste caso e ao contrário de outras festas, a festa agrícola transformou-se numa festa de ritual nómada e pastoril. O deserto, por ser o mundo do nada, da morte e terror, tornou-se para Israel a escola onde aprendeu a esperar tudo do amor de Deus (Sl 78;106).

Jesus veio ao mundo e quis morar na tenda de um corpo humano, peregrinando durante toda a sua vida no deserto deste mundo: "O Verbo fez-se homem, montou a Sua tenda entre nós e nós vimos a Sua glória, glória que vem do Pai..." (Jo 1,14).

Jesus é, pois, a verdadeira tenda de Deus, a verdadeira morada de Deus no meio dos homens. Entrando na sua tenda, atravessaremos com segurança o deserto da nossa peregrinação na terra.
(Revista Bíblica nº 244 e 228)




Judeu ortodoxo tocando o Shofar (feito com chifre de carneiro) que servia para convocar o povo de Deus para as grandes festas religiosas de Israel.

"A Santa de Todos"

Santa Rita de Cássia teve uma vida normal e, por isso, todos se revêem na sua vida. Rita foi uma filha dócil e dedicada; uma esposa amante e fiel, uma mãe terna e compreensiva, preocupada com a educação cristã dos seus filhos; uma viúva resignada e trabalhadora, nunca fechada egoisticamente em si mesma; e, por fim, religiosa santa transbordante de amor a Deus e ao próximo. Por isso, João Paulo II apelidou-a de santa de todos, já que exerceu uma enorme influência na vida da Igreja e na da sociedade, vivendo intensamente a maternidade física e espiritual.
Esta mulher, de pequena estatura, mas grande santidade, viveu na humildade e agora é conhecida no mundo inteiro pela sua heróica existência cristã de esposa, viúva e monja. Qual é a mensagem que esta santa nos transmite? Humildade e obediência, assemelhando-se cada vez mais ao Crucificado. Perita em sofrimento, aprendeu a compreender as penas do coração humano. Rita tornou-se advogada dos pobres e desesperados, obtendo para quem a invocou numerosas graças de consolação e conforto, daí também ser apelidada de Santa do Impossível.
Rita de Cássia foi a primeira mulher a ser canonizada no Grande Jubileu do início do século XX, a 20/05/1900, pelo papa Leão XIII. Ela agradou tanto a Cristo que Ele quis marcá-la com o sinal da sua caridade e da sua paixão. Tal privilégio foi-lhe concedido pela sua humildade singular, pelo seu desapego interior das coisas terrenas e admirável espírito de penitência que acompanhou todos os momentos da sua vida.
Rita, com o nome de nascimento de Margarida Lotti, nasceu nos arrabaldes de Cássia, uma cidadezinha da província de Perúsia, na Úmbria, uma região verdejante situada no centro da Península Itálica, com montanhas de altitude média, amenas colinas e vales cobertos de flores campestres de muitas formas e cores. Era a primogénita e única filha de António Lotti e Amata Ferri, um casal estimado que se amavam e respeitavam mutuamente. Eram já de idade avançada quando nasceu a pequena Margarida.
Ao contrário de outros santos conhecidos da sua época, Rita de Cássia não teve um biógrafo contemporâneo que escrevesse a sua vida. A mais antiga biografia desta santa que chegou até nós data de 1610, do padre agostinho Agostinho Cavallucci.
Rita terá nascido em 1373, casou com catorze anos, tendo tido dois gémeos do seu casamento com Paolo Mancini em 1392. Em 1402, aos 32 anos, ficou viúva. Em 1406, perdeu os filhos e, no ano seguinte, com 34 anos de idade, entrou para o mosteiro de Santa Maria Madalena, em Cássia, onde viveu durante 40 anos e morreu no dia 22/05/1447, com a idade de 74 anos.
Uma antiga tradição ou lenda popular afirmava que aquela menina, esperada ao longo de tantos anos pelo casal Lotti, teria sido anunciada por um anjo do Senhor à piedosa Amata e que o mesmo anjo teria aparecido em visões uma segunda vez para lhes comunicar o nome a dar no baptismo - Margarida, a conhecida flor campestre, uma das flores mais antigas e familiares, cujas origens parecem remontar ao Tibete e que, em tibetano, a palavra significa pérola preciosa (podendo também referir-se a uma pessoa excepcional) ou cabana (evocando a casa, a família, a mãe e o afecto) ou ainda vida que refloresce.
Relativamente aos primeiros tempos da vida de Rita, todos os biógrafos narram um facto em que a figura da santa é envolvida numa aura de lenda: o episódio das abelhas brancas. Cinco dias após o seu nascimento, os pais, António e Amata, ao irem trabalhar para os campos, meteram-na num cesto de vime e levaram-na consigo, pousando-o à sombra de uma árvore. Enquanto trabalhavam, um enxame de abelhas brancas rodeou o rosto da menina e algumas delas entravam para a sua boca aí depondo o seu mel. A cena foi vista por um ceifeiro que cortara um dedo da mão direita com uma foice e corria para Cássia à procura de quem o socorresse, passando junto ao cesto. Tentou afastar as abelhas com as mãos e, de repente, reparou que a mão ferida já não sangrava e o golpe fechara. Verdadeiro ou lendário, pouco importa, este facto foi relatado pelos biógrafos de Rita e também pela tradição e pintura. (Adaptado de BERGADANO, Elena - S. Rita de Cássia. A santa de todos. Lisboa: Paulinas, 2002)


Outras informações sobre a sua biografia podem ser encontradas aqui.

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