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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Carta do Bispo de Leiria-Fátima às crianças

Neste fim-de-semana e no ano do 90.º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, realiza-se a tradicional Peregrinação das Crianças ao Santuário. Para este dia, D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, escreveu uma bonita carta que é bom recordar.




"Meus caros amiguitos e amiguitas!

Uma saudação carinhosa

Olá! Chamo-me António Marto. Sou o novo Bispo desta diocese de Leiria-Fátima. Sabem o que é ser Bispo? Eu explico-vos através de uma comparação muito simples e bela. O Bispo é como o Pai de uma grande família formada pelos amigos de Jesus; ou como o bom Pastor que cuida de um rebanho de cordeiros e ovelhas para que tenham bom alimento e nenhum se perca. Compreendem então que o Bispo é aquele que, em nome de Jesus, guia esta grande família, o povo de Deus, nos caminhos da fé e do amor a Jesus e a todos os irmãos.
Eis porque venho saudar-vos com muito afecto e carinho. Quero dizer-vos, antes de mais, que o Bispo é muito vosso amigo, vos quer muito bem; e que vocês têm um lugar especial no coração do Bispo, como o têm no coração de Jesus.

Porque vos escrevo?

Eu gostava de poder estar com cada um de vocês. Nas minhas visitas às paróquias já encontrei muitas crianças. Com o tempo encontrarei muitas mais. Mas até lá resolvi escrever-vos esta carta, sobretudo aos que estão a começar os primeiros anos de catequese.
Escrevo-vos a recordar-me quando também eu, há muitos anos, era criança como vocês. Quero falar-vos sobre duas coisas importantes: a catequese e a primeira comunhão.

A história mais bela do mundo

Também eu andei na catequese. E aí aprendi a conhecer e a escutar Jesus. Não só na catequese: também em casa, com a minha família; na escola com os meus professores e amigos; e na Igreja com o povo de Deus. Hoje estou muito agradecido aos meus pais pelo encanto com que me comunicaram a amizade de Jesus e a Jesus. E como percebi o quanto Jesus me ama, procurei – e procuro todos os dias – responder-lhe o melhor possível.
Meus amiguitos e amiguitas, na catequese aprendemos a conhecer a história mais bela do mundo: a história de Jesus, o Filho de Deus feito homem; é a história de Deus que vive e caminha connosco. Conhecer, amar, escutar, responder e seguir a Jesus faz-nos ter uma vida boa, alegre e feliz. Quem é, verdadeiramente, amigo íntimo de Jesus será feliz para toda a vida.

Um dia belo da minha vida

Recordo também a minha primeira comunhão como um encontro inesquecível com Jesus. Foi um dos dias mais belos da minha vida, como também hoje é o dia da vossa primeira comunhão. Sabem que é um dia grande de festa para cada um, para a família e para a paróquia. O mais importante desse dia não são os vestidos nem os presentes. Mas é Jesus, que quer fazer festa em nós e connosco.
Um dia perguntei a um menino de oito anos que se preparava para a primeira comunhão: “O que é para ti comungar?” E ele deu-me esta resposta tão simples e tão bela: “É Jesus ressuscitado e vivo que vem ao meu coração com todo o Seu Amor”. É de facto uma maravilha, um mistério admirável de Jesus ressuscitado querer ficar assim connosco. Ele está realmente presente na hóstia consagrada, no sinal do pão; e dá-se como alimento e força da nossa vida e do nosso amor. É o “Jesus escondido” como tão bem lhe chamava o pequeno Francisco, o pastorinho de Fátima a quem Nossa Senhora apareceu. E quando O comungamos, Ele é hóspede do nosso coração.
Quando vou visitar as paróquias, fico encantado ao ver as crianças, com as suas caritas alegres e puras, a comungar durante a celebração da Santa Missa. Mas fico triste quando me dizem que, para alguns, a primeira comunhão é também a última, porque nunca mais vão à Santa Missa. Meus amiguitos e amiguitas, peço-vos que não deixem de ir à Missa do Domingo e comunguem frequentemente para permanecerem na amizade íntima com Jesus. Ele ajuda-vos a crescer, a ser bons e a descobrir a beleza da vida com Deus. (...)

Esta carta já vai longa. Abri-vos o meu coração de amigo e bispo. Talvez quisessem saber mais acerca de mim. Alguns perguntarão: então, tu, bispo, não tinhas defeitos quando eras pequeno como nós? Pois tinha: era muito traquina, irritava-me facilmente, zangava-me, batia nos outros… mas Jesus foi-me ajudando a ultrapassar estes defeitos. Outros de vós gostariam de saber a história da minha vocação e perguntar-me: como foste para padre? Isso fica para uma próxima carta, está bem?
Quero terminar dizendo-vos que todos os dias rezo a Jesus por vocês. Espero que façam o mesmo por mim.
Envio uma saudação muito amiga para os vossos pais, irmãos, avós e catequistas.
Abraço-vos e abençoo-vos a todos com muita amizade, no nome de Jesus.

   
     O vosso muito amigo bispo,

            + António Marto"

 

Simbologia da Pedra (III)

Existem pedras de todos os tamanhos e feitios, mas há também pedras preciosas que servem de adorno e manifestam o luxo e a riqueza de quem as utiliza, estando associadas a determinada classe social (Ap 17,4). A Bíblia também usou a pedra preciosa no sentido simbólico: o seu brilho sugere pessoas ou coisas relacionadas com o mundo do céu ou de grande valor espiritual. Daí, o sumo sacerdote, no Templo de Jerusalém, vestir um peitoral guarnecido de "quatro filas de pedras preciosas: na 1ª fila colocarás um rubi, um topázio e uma esmeralda; na 2ª fila, um jaspe, uma safira e um diamante; na 3ª fila, uma opala, uma ágata e uma ametista; na 4ª fila, um crisólito, um ónix e um jaspe. Todas estas pedras serão engastadas em oiro, em número de doze, correspondendo aos nomes do filhos de Israel" (Ex 28,17-21).

O Apocalipse de João, um livro cheio de símbolos, usou muito a pedra preciosa no sentido simbólico. Assim, a nova Jerusalém, isto é, a nova sociedade inaugurada por Cristo ressuscitado é qualificada pela beleza das 12 pérolas preciosas, símbolo da totalidade do novo povo de Deus (Ap 21,18-20). A pedra preciosa é o símbolo do brilho da "Cidade Santa, Jerusalém que descia do céu, de junto de Deus, resplandecente da glória de Deus (Ap 21,10-11). Nessa cidade celeste tudo é luz e brilho (Ap 4,3). Cristo ressuscitado é esta nova Jerusalém, onde resplandece totalmente a glória de Deus.

(Artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica, nº 238)

5 minutos com Deus

"Queixamo-nos às vezes de que a nossa vida é monótona e sem projecção, e talvez sejamos nós mesmos os culpados. De facto, perdemos o norte quando julgamos que não está ao nosso alcance o fazer da nossa vida uma coisa maravilhosa.

Pensa bem: nunca é pouco o que se dá, quando o que se dá é tudo quanto se tem. Não olhes ao que dás, mas ao coração com que o dás. Se o que podes dar é pouco, com certeza o coração com que podes dá-lo nunca é pouco.

O amor é o pormenor da fidelidade; a fidelidade é o amor nos pormenores. Os pormenores costuma ser pequenos e talvez passem despercebidos; apesar disso, é neles que está a perfeição e neles deve colocar-se o amor, deve viver-se o amor, tanto o amor a Deus como o amor aos irmãos."

(MILAGRO, Alfonso - Os cinco minutos de Deus. Cucujães: Editorial Missões, 2005)

Procissão de Corpus Christi

A Festa do Corpo de Deus (Corpus Christi) ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo surge já em 1246, quando o bispo de Liège (Bélgica) instituiu a festa, na sua diocese, em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV (que antes fora bispo de Liège) estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia.

A solenidade do Corpus Christi (enquanto festa de adoração, mas sem procissão pelas ruas) já era celebrada em Portugal no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III.

O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Na igreja dos Mártires, em Lisboa, manteve-se, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), com a exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão. O acolhimento das Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios  a esta Procissão levou a que fosse apelidada de “Procissão das Procissões”. Era constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, demorando horas a caminhar, sendo um evento religioso e social.

As Câmaras, determinando instruções régias, publicaram Regimentos ou regulamentos da Procissão, indicando os usos e os costumes, os modos de vestir, as obrigações de cada Corporação, as danças, as bandeiras e pendões, as coreografias (anjinhos, folias, figuras sacras...) e o lugar do Clero. Raras foram as sedes concelhias que não tiveram Regimento da Festa, salientando-se as de Coimbra, Porto e Lisboa.

Celebrada em Lisboa, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, em 1389. Eram os tempos da consolidação da autonomia face a Castela e do bom ambiente criado pelas vitórias bélicas de Nuno Álvares e da influência cultural britânica (a ponto de S. Jorge - devoção inglesa, vencedor do Mal, do Dragão - ser considerado Padroeiro de Portugal). Por isso, à solenidade do Corpus Christi juntou-se a festa de S. Jorge, e na procissão havia paragens para representação das famas ou glórias de S. Jorge e também para uma série de danças. No final do cortejo, vinha o pálio, com o Bispo ostentando a custódia do Santíssimo Sacramento e a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação.

É de notar que desde a sua origem, a procissão do Corpo de Deus apresentou sempre uma faceta religiosa, outra profana e para dar maior espectacularidade ao desfile, havia figuras gigantescas, como Gigantes, o Demónio, a Serpente e o Dragão.

Dado curioso a salientar é o da tentação de realização de atentados contra as figuras régias, durante a procissão do “Corpus Christi”. Um deles, contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado do “Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro.

Mas a legislação de 1910, proibindo os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes; e solenes pontificiais nas Sés.

(Fonte: Agência Ecclesia; Quadro representando a Procissão de Corpus Christi de Amadeo de Souza-Cardoso)



Procissão de Corpus Christi na cidade do Porto:

P. Luís de Sousa Couto escrevia, em 1820, que pelo menos desde 1417, no reinado de D. João I, já este dia se festejava com Procissão na cidade do Porto. No Livro de Vereações de 1481 a dita Procissão fazia-se com aparato e para ela concorriam os Ofícios, como mandou o Senado aos marinheiros que viviam na cidade e em Miragaia, para que assentassem na Confraria de S. Pedro e pagassem para a Procissão de Corpus Christi. Em 1500 é a vez do rei D. Manuel I mandar os de Vila Nova (de Gaia) virem assistir, na 5ª feira, à procissão do Porto e que deixassem para o domingo seguinte o solenizar da sua procissão.

Num Acordo e Regimento que fizeram os oficiais da Câmara da cidade do Porto (século XVI) referem-se os acompanhantes
desta procissão. Primeiro iam os hortelões e moradores da freguesia de Santo Ildefonso com seu Rei, imperador, carro e montaria, com oito homens com suas lanças e chuças. Também seguiam os confeiteiros, duas folias - uma de Gondomar, outra de Gaia -, os taberneiros, os carpinteiros, calafates, torneiros, canastreiros, serradores, caixeiros, tanoeiros, douradores, barbeiros, sangradores e ferradores, padeiros, sapateiros, ferreiros e espingardeiros, pedreiros, alfaiates, calceteiros, tecedeiras, mercieiros, tendeiros, mercadores, regateiras, e muitos outros...
Na procissão devia seguir David dançando com os seus 12 pagens, ricamente vestidos, bem como os religiosos de S. Domingos, S. Francisco, Santo Eloy, de Nossa Senhora da Graça e Carmelitas. Nas varas iam 8 cidadãos (ou mais) que tivessem tido algum cargo de
governação. O Corregedor da Comarca, o juiz e vereadores também não faltavam. Quem não cumprisse a ordem da procissão ou saisse dela antes de recolher à Sé, sem legítima causa, incorria numa multa, o mesmo sucedendo a quem faltasse.
Eram vários os motivos alegóricos: a nau de S. Pedro com a bandeira da confraria; Judite com a sua aia ricamente vestidas; o sacrifício de Abraão; a figura de Nossa Senhora a fugir para o Egipto com São José e dois anjos; o menino Jesus em charola boa; S. Cristovão e S. Sebastião; os 12 apóstolos com Cristo e os anjos; ...
Em 1576, os moedeiros da Casa da Moeda da cidade requereram ao Senado que lhes concedesse irem na referida procissão, com suas pessoas bem ornadas, e com  sua bandeira, e suas tochas acêsas, e com suas bacias de prata com moedas de ouro nelas, como acontecia em Lisboa.
(Fonte: Origem das Procissões da Cidade do Porto. Porto: Câmara Municipal do Porto)





Hoje, às 16 horas,  celebra-se a Procissão do Santíssimo Sacramento, desde a Igreja da Santíssima Trindade ao Terreiro da Sé do Porto, onde será dada a benção à cidade. Todos somos convidados para este acto de adoração ao patrono da nossa Paróquia.

Simbologia da Pedra (II)

A pedra é, normalmente, o mineral mais duro que os homens têm à mão para certos usos que implicam robustez e duração, sendo usado, desde tempos remotos, na construção de casas, pontes e monumentos.

No Egipto, a pedra era símbolo da eternidade da vida e, por isso, depois da morte do corpo, a pessoa era "eternizada" nas estátuas de pedra. Também uma lei ou outro escrito sagrado ou profano era "eternizado", gravando-o nas pedras. Daí o sentido da ordem dada por Deus a Moisés de gravar os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra (Ex 32,15), pois o facto de gravar na pedra indica a importância "eterna" de determinado texto.

Mais tarde, os profetas dirão que é no coração do crente, num coração de carne, que melhor será gravada a Lei de Deus: "Esta será a aliança que farei com a Casa de Israel - oráculo do Senhor: Imprimirei a minha Lei, gravá-la-ei no seu coração. Serei o seu Deus e Israel será o meu povo" (Jer 31,33). E Paulo também dirá de que aliança se trata: " Já é sabido que vós sois uma carta de Cristo redigida por nós e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos vossos corações" (2 Cor 3,3).

O facto de fazer perdurar as pessoas nas pedras poderia ser uma tentação para o povo de Israel representar o próprio Deus em imagens de pedra, o que era terminantemente proibido (Lv 26,1; Dt 4,28; Ez 20,32; Jer 2,27; Sab 13,10).

As pedras levantadas ou "estelas" eram, por vezes, símbolos das divindades masculinas dos cananeus e, neste caso, proibidas (Ex 23,24; Dt 7,5; Jer 43,13).

(Artigo de Herculano Alves, em Revista Bíblica nº 238)

Simbologia da Pedra (I)

Em Mt 16,17-19, Jesus dá o nome de Pedro (que significa pedra) ao Apóstolo Simão. Antes do Concílio Vaticano II, a missa era celebrada num altar de pedra ou havia sempre uma pedra no centro do altar, onde eram colocados a patena e o cálice da celebração - era a pedra de ara ou pedra do altar, à qual juntavam relíquias dos mártires. Qual o motivo deste costume?

A pedra tem um significado importante em vários povos e civilizações: a pedra negra ou Kaaba de Meca (Arábia), que, segundo a tradição, teria caído do céu; os menires (pedras colocadas verticalmente no solo), alinhamentos (menires em linha recta) e cromeleques (menires em círculo) dos celtas. Ainda no presente assistimos à cerimónia de lançamento da "primeira pedra" de um edifício.

Em muitas civilizações prestava-se culto a certas pedras caídas do céu, consideradas divinas por serem mensagens dos deuses e, como tal, com direito ao culto e que no fundo seriam simples meteoritos. Também a Bíblia nos mostra o carácter sagrado da pedra em alguns textos muito antigos. Assim, Jacob "serviu-se de uma das pedras do lugar, como travesseiro, e deitou-se. Teve um sonho: viu uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu (...). Despertando do sono, Jacob exclamou: "O Senhor está realmente neste lugar e eu não sabia! Atemorizado, acrescentou: "Que terrível é este lugar! Aqui é a casa de Deus! Aqui é a porta do céu!(...). Esta pedra que eu erigi, à maneira de padrão, será para mim casa de Deus." (Gn 28,11-22). Para marcar esta presença de Deus, Jacob unge com óleo a pedra, tornando-a um templo em miniatura. É por isso que chama àquele lugar Bet-El, a "Casa de Deus".

Cerimonial semelhante é feito na consagração das igrejas ao culto de Deus. A pedra de Jacob foi símbolo dos nossos altares, onde se celebra a Eucaristia, onde os cristãos se encontram com o seu Deus.

Guilgal era também um santuário com 12 pedras colocadas em círculo para lembrar as 12 tribos de Israel (Jz 3, 19-26), mas este culto foi mais tarde condenado pelos profetas (Os 4,15; 9,15; 12,12). Repare-se que a pedra levantada, a estela, servia como testemunho, de certa forma divino, de um tratado ou aliança entre duas pessoas ou grupos e um monte de pedras tinha a mesma função (Gn 31, 44-54), servindo como uma espécie de padrão semelhante aos padrões dos nossos descobrimentos. Mas Deus estava por detrás de todos esses símbolos feitos de pedra. Era também com pedras que o povo de Deus edificava o altar para os sacrifícios em honra do Senhor (Ex 20,25; 1Sm 14,33).

Se as pedras caídas do céu eram uma linguagem dos deuses dirigida aos homens, também os homens relacionavam-se com os deuses apontando pedras para o céu. Estas pedras exprimiram o belo e ardente desejo de subir da terra ao céu e o pedido ao céu para que desse fertilidade à terra, por meio do Sol.

O carácter sagrado de certas pedras foi reforçado pelo facto de se poder fazer fogo com a fricção de duas pedras.  (Adaptado de um artigo de Herculano Alves, em Revista Bíblica, nº 238)

"O terrível silêncio de Deus"

O silêncio de Deus é duro e pesado, por vezes terrível. O silêncio torna-se espesso, denso, impenetrável, transforma-se em névoa e em noite, que nos aperta a garganta. Job experimentou esse silêncio. Mataram uma criança. Violaram e maltrataram uma mulher. Escarneceram uma menina com síndrome de Down, cuspiram num idoso inválido e indefeso... E eu pergunto, e nós perguntamos... Mas ninguém me responde, a não ser o silêncio.

É possível que para todas estas perguntas haja uma resposta. Porque em tudo isto interveio a pessoa humana e a sua liberdade. Mas quando não intervêm os seres humanos... Quando nasce uma criança sem braços ou sem pernas, quando um raio deixa sozinhas e órfãs cinco crianças... Eu pergunto, nós perguntamos... E Deus não responde. Silêncio de Deus.

Que solução nos resta? Alguém sugere que se substitua a pergunta pelos punhos. Alguém blasfema e convida a blasfemar. Eu, por um instante, também me calo e guardo silêncio. Silêncio. Mas o meu silêncio não é um silêncio de vencidos. É um silêncio insistente. Persistente. É um silêncio que esburaca o muro. Não é um silêncio resignado, passivo. É um silêncio militante.

Há um tempo de silêncio... para amanhã voltar a perguntar. Há um tempo de fé em silêncio... para amanhã tentar escavar o túnel.

No meu silêncio - e perante o terrível silêncio de Deus - surge no meu coração uma recordação. Lembro-me de um Homem inocente, condenado, que pergunta a Deus: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" Lembro-me de Jesus de Nazaré, que experimentou, no momento mais trágico da sua existência humana, o terrível silêncio de Deus.

(Adaptado de GARCÍA, Javier Berciano - Que é...o silêncio.Lisboa: Paulinas, 2000)

Mistério da Santíssima Trindade

"O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode dar-nos o seu conhecimento, revelando-Se como Pai, Filho e Espírito Santo.
A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que n'Ele e com Ele é o mesmo e único Deus.
A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho e pelo Filho "de junto do Pai" (Jo 15,26), revela que Ele é, com eles, o mesmo e único Deus. "Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado".
Pela graça do Baptismo "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna.
Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo."

"A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: a Trindade consubstancial. As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única; cada uma delas é Deus por inteiro. As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. Deus é um só, mas não solitário. São distintos entre Si pelas suas relações de origem: O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede. A unidade divina é trina.
Quando falamos destas três pessoas considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância. Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho." (Catecismo da Igreja Católica)

Sobre o dogma da Santíssima Trindade, li, no interessante blogue Confessionário dum padre, a seguinte comparação: o mistério da Trindade é como um champô 3 em 1 -  Deus é o champô, o que lava; Cristo é o amaciador, o que aperfeiçoa o trabalho do champô; o Espírito Santo são as vitaminas que dão vitalidade e beleza. No mesmo blogue alguém acrescentava que Deus é como um ovo, em que a clara e a gema são o Pai e o Filho, e a casca, que liga tudo, é o Espírito Santo.
Por sua vez, o Pároco da nossa Comunidade Paroquial, Padre Jorge, na sua homília dominical, também comparava a família de Deus à família terrena: independentemente do número de filhos que um casal possa ter, todos eles pertencem à mesma família.
Nesta solenidade da Santíssima Trindade, que estes exemplos nos ajudem a aceitar melhor o dogma trinitário.

"Palavras escandalosas de Jesus" (I)


"Ao que tem, dar-se-á e terá em abundância; mas ao que não tem ser-lhe-á tirado até mesmo o que tem" (Mt 25,29)

Nos Evangelhos, esta palavra aparece algumas vezes nos lábios de Jesus (Mt 13,12; Mc4,25; Lc 8,18) e, aparentemente, parece injusta: os que possuem tornam-se mais ricos e os que nada têm tornam-se mais pobres?! Também parece não fazer qualquer sentido: como se pode tirar algo a quem nada tem?!

Sabemos que Jesus também disse: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" (Mc 10,25), tomando constantemente partido dos pobres,excluídos, doentes. Logo, tem que haver outra explicação.

Antes de mais, temos que pensar que, por vezes, exageramos na nossa maneira de falar, para enfatizar determinadas afirmações e teria sido o que se passou neste caso: "Tirar aquilo que tem a quem nada tem", significa tirar-lhe absolutamente tudo. Mas de que posses estaria Jesus a falar?

Esta palavra de Jesus está próxima de duas parábolas, a dos talentos (Mt 25,14-29) e a das minas (Lc 19,12-27) que parecem estar ligadas à riqueza material e ao dinheiro. No entanto, quando olhamos com mais atenção verificamos que não se pretende elogiar um determinado sistema económico baseado na máxima rentabilidade de dinheiro. Criticam somente a atitude daqueles que nada fazem e não tomam qualquer iniciativa.

Assim, a fórmula "Ao que não tem ser-lhe-á tirado até mesmo o que tem", significa que devido à sua falta, à sua inacção e incapacidade, perdeu tudo e já não merece crédito. Esta palavra é um convite urgente a fazer frutificar os bens recebidos e que não são nem o dinheiro nem a riqueza material. Trata-se de acolher o Reino dos Céus, da maneira de escutar e compreender os ensinamentos de Jesus, que têm no Reino o seu núcleo central.

O bem confiado aos cristãos para o fazerem frutificar é o Reino de Deus e o nosso mundo dominado frequentemente pelo mal, violência, sofrimento e desigualdades, deve dar lugar ao mundo de Deus, um reino de paz, amor, partilha de bens.

Fazer frutificar o Reino de Deus consiste em trabalhar mais pela paz, pelo amor e pela partilha dos bens. "Ao que não tem, ser-lhe-á tirado até mesmo o que tem"... Agir, trabalhar, para fazer chegar o mundo de Deus, é ganhar tudo. "Áquele que tem, dar-se-á e terá em abundância". (adaptado de Revista Bíblica, nº 234)

Dia Diocesano da Família

No próximo domingo, dia 3 de Junho, "no Seminário do Bom Pastor, em Ermesinde, realiza-se o Dia Diocesano da Família, promovido pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar e pelo Secretariado Diocesano das Vocações. Pretende-se alertar as comunidades cristãs para a importância da Família, tornando este dia uma grande manifestação do amor de Deus, de que cada família é expressão.
Porque a família é uma vocação geradora de vocações e a nossa Diocese está a viver o 2º ano dedicado à reflexão sobre a vocação sacerdotal, o Seminário do Bom Pastor aceitou abrir as suas portas à celebração do Dia Diocesano da Família para que estas possam contactar com essa realidade eclesial fundamental e se sintam sensibilizadas e ajudadas no percurso do discernimento vocacional.
Serão agraciados, nesse dia, com uma bênção especial personalizada os casais que, ao longo de 2007, celebrem 25, 50 ou 60 anos de vida matrimonial, num testemunho público importante e eloquente de que o amor é possível e é para toda a vida.
O programa inicia-se às 14h30 (...). Às 15h30, D. Manuel Clemente preside à Celebração da Eucaristia, com a renovação do compromisso matrimonial de todos os casais presentes e entrega de bençãos personalizadas aos casais, previamente inscritos que completam 25, 50 e 60 anos de casamento." (Voz Portucalense)

O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar da Diocese do Porto tem disponível reflexões sobre A Família, uma Vocação Geradora de Vocações e a Pastoral Familiar Vocacional.

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