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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Para quê?

"Às vezes é logo de manhã. Mal abrimos os olhos e sentimos uma vontade irresistível de puxar os lençóis por cima da cabeça e ficar ali debaixo, no escuro, incapazes de enfrentar a luz do dia, sem coragem para o que quer que seja. Podemos ter motivos. Fortes até. E então perguntamos: porque é que tinha que ser assim? Porque é que tinha que acontecer?
Pode ser que não encontremos respostas racionais. Mas acredito que nada acontece por acaso. Além disso, a pergunta certa talvez seja sempre para quê? O porquê é sempre infinito...
Se uma crise ou dificuldade vem ao nosso encontro, é nesse momento que precisamos de a lidar, para colher ao máximo a experiência de transformação que Deus nos está a propor. Sem medos.
Ele está e vela para que, como dizia S. Paulo aos Romanos, "todas as coisas contribuam juntamente para o bem daqueles que o amam".
Se aceitarmos a dureza de um momento, o enfrentarmos e aprendermos com ele, então crescemos. A crise passa. Atravessado o deserto, chegamos ao outro lado mais seguros, mais calmos, mais adultos, mais amadurecidos, mais livres, mais perfeitos, mais divinos.
Apesar de todas as aparências, a vida não é tão negra como tantas vezes a julgamos. (...)
Hoje haverá pessoas a cruzarem-se connosco. Haverá quem precise de uma palavra, ou de um gesto. Também para nós a saída pode passar por ali. Pelo darmo-nos, oferecer a nossa presença(...). Se nos fecharmos, defendidos do mundo e dos outros, criamos inúteis casulos ou trincheiras de solidão."

(MANUEL, Henrique - Mas há sinais.... Prior Velho: Paulinas, 2004)



Peditório contra o cancro arranca já hoje. A nossa colaboração é necessária.

A água no Evangelho de S. João (Papa Bento XVI): Nicodemos, a Samaritana

"O simbolismo da água permeia o evangelho [de S. João] do princípio ao fim. Encontramo-lo pela primeira vez no colóquio com Nicodemos, no capítulo terceiro: para poder entrar no reino de Deus, o homem deve renovar-se, tornar-se outro: deve renascer da água e do Espírito (3,5). O que é que isto significa?
O baptismo, enquanto ingresso na comunidade de Cristo, é interpretado como um novo nascimento, (...) analogamente ao nascimento natural a partir da inseminação masculina e da concepção feminina (...).
Por outras palavras, para o renascimento requer-se o poder criador do Espírito de Deus, mas, no caso do sacramento, requer-se também o seio materno da Igreja que acolhe e aceita. (...) Espírito e água, céu e terra, Cristo e Igreja estão juntos: é assim que acontece o "renascimento". A água simboliza, no sacramento, a terra mãe, a santa Igreja que acolhe em si a criação e a representa.
Imediatamente a seguir, no capítulo quarto, encontramos Jesus junto do poço de Jacob: Ele promete à Samaritana uma água capaz de transformar-se, naquele que a bebe, numa nascente que jorra para a vida eterna (4,14) e, deste modo, quem beber dela nunca mais terá sede. Aqui o simbolismo do poço está ligado à história da salvação de Israel. Já na vocação de Natanael, Jesus Se tinha revelado como um novo e mais importante Jacob (...). Aqui, no episódio da Samaritana, encontramos Jacob como o grande patriarca que, com o poço, deu a água, o elemento fundamental da vida. Mas, no homem há uma sede maior; não lhe basta a água do poço, porque procura uma vida que está para além da esfera biológica. (...)
Verifica-se (...) uma correspondência entre a promessa da nova água e a do novo pão [Moisés ofereceu o maná, o pão terreno; o novo Moisés dará o verdadeiro pão do céu]; ambas correspondem à outra dimensão da vida, de que o homem inevitavelmente sente um grande desejo. (...) No diálogo com a Samaritana, a água torna-se mais uma vez (...) símbolo do Pneuma, do verdadeiro poder vital que sacia a sede mais profunda do homem e lhe dá a vida total por que anela sem a conhecer."

(RATZINGER, Joseph - Jesus de Nazaré. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2007, pág. 304-306)

Simbologia da água na história das religiões (Papa Bento XVI)

No dia 24 de Outubro chegou às livrarias portuguesas o livro "Jesus de Nazaré", de Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI). Desta obra iremos seleccionar alguns excertos que, ao longo de alguns dias, nos ajudem a reflectir sobre "o Jesus real", o "Jesus histórico"

"A água é um elemento originário da vida e por isso também um dos símbolos primordiais da humanidade. Apresenta-se ao homem sob diversas formas e, consequentemente, com diversas interpretações.
Temos em primeiro lugar a fonte, a água fresca que brota do seio da terra. A fonte é origem, princípio, na sua pureza ainda límpida e intacta. Deste modo, a fonte aparece como elemento propriamente criador, e também como símbolo da fertilidade, da maternidade.
Em segundo lugar, existe o rio. Os grandes rios - o Nilo, o Eufrates e o Tigre - são, nas vastas terras que circundam Israel, os grandes dispensadores da vida, que aparecem quase divinos. Em Israel, é o Jordão que garante a vida à terra. Mas no baptismo de Jesus, (...) a simbologia da corrente inclui outra vertente: com a sua profundidade, representa também o perigo; a imersão na água profunda pode significar a imersão na morte, e a emersão pode simbolizar o renascimento.
Finalmente, há o mar como uma força admirada e vista com assombro na sua majestade, mas sobretudo temida como o antípoda da terra que é o espaço vital do homem. O Criador indicou ao mar os limites que este não pode superar: ele não deve engolir a terra. A travessia do Mar Vermelho tornou-se para Israel sobretudo o símbolo da salvação; mas recorda também a ameaça que se revelou fatal para os egípcios. (...) A travessia torna-se imagem do mistério da cruz. Para renascer, o homem deve primeiro entrar com Cristo no "Mar Vermelho": descer com Ele à morte, para depois com o Ressuscitado chegar de novo à vida."

(RATZINGER, Joseph - Jesus de Nazaré. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2007, pág. 302-303)

Viver melhor a Eucaristia: a oração

"Oremos!" "Orai, irmãos!"
É com estas palavras que a Igreja insiste no convite à oração ao longo da celebração eucarística. A oração prepara-nos a mesa e veste-nos de rigor para entrarmos na festa. Como os primeiros cristãos, também nós somos os convidados do Senhor Ressuscitado. Oração e Eucaristia completam-se na mesma atitude e exigência de adoração e acção de graças. Porque somos convidados do banquete, somos igualmente convidados da oração.

Na Eucaristia concentra-se e actua toda a oração da Igreja e do cristão. A Eucaristia é também a oração de Jesus. Na oração eucarística de Cristo temos acesso à Trindade e vamos concelebrar com as Três Pessoas Divinas. O Pai preside ao altar; o Filho oferece-se como vítima de imolação; e o Espírito Santo é o fogo sagrado, que consuma o sacrifício.

A Igreja é comunidade orante. Vive em oração. A Igreja é o sacramento de união dos homens com Deus, e a oração é a expressão da nossa união com Deus. A Igreja é o sacramento, mas o sinal sensível está na oração. Por ela mostramos ao mundo que Jesus vive e está no meio de nós. Unidos em oração é que a Igreja se mostra ao mundo e faz comunidade. A oração tem um carácter comunitário.Rezar em comum é a manifestação da unidade da Igreja. Não há vozes dispersas; rezamos todos unidos num só coração e numa só alma. A oração em comum faz a comunhão fraterna, a comunidade do amor. Orando juntos, pomos o coração em comum, sentindo o que o irmão sente, amando o que o irmão ama.

Para que haja oração comunitária tem de haver oração pessoal. Por isso, todo o cristão é orante do Pai. Pelo Baptismo professámos oração e nela encontramos a força da vida e o sustento da graça. Na oração de toda a hora celebramos Eucaristia. É celebração contínua, que assume e eleva todas as coisas, dando-lhes voz e sentido total. Quando eu rezo, reza Cristo e reza a Igreja una e santa.


(Adaptado de GUERRA, Paulo - Missa em Sim Maior. Para Viver Melhor a Eucaristia. Braga: Editorial A.O., 1997)

Dia do Voluntário Missionário

É já amanhã, dia 28 de Outubro, que se realiza a VIII edição do Dia do Voluntário Missionário. Este ano o evento, organizado pela Fundação Evangelização e Cultura (FEC), ocorre em Aveiro e tem como tema "Comunicar 2015".

Com início às 10 horas, no auditório da Capitanearia de Aveiro, da parte da manhã contará com uma conferência sobre "Ciber-Missão: a tecnologia a favor da Missão?". Estarão presentes D. Ximenes Belo, um representante da Universidade de Aveiro e o director do Correio do Vouga (Jorge Pires Ferreira), entre outros. De tarde, será a visita aos moliceiros da Ria de Aveiro e a celebração eucarística. No fim do dia, ocorrerá a Feira do Voluntariado e o lançamento oficial da Agenda 2008.

Este Dia é aberto a todos os voluntários: aos que já foram em missão e aos que se preparam para ir, mas também a qualquer pessoa que queira participar neste evento.

Alguns testemunhos de missão podem ser encontrados aqui.


Ser alegre

Alguém falou no pecado da tristeza. Realmente, há pessoas tristes, desanimadas, desiludidas. Há no mundo de hoje uma espécie de doença, a de não se procurar a verdadeira alegria, ou procurá-la onde não está. O rosto é o espelho da alma, e a alegria, a grande mensageira do coração em paz.

Não achas que o mundo está com os lábios cerrados de mais? Que há poucas pessoas que podem ser consideradas cartaz do bom humor, modelos de alegria? Falta aos homens dos nossos dias o dom da verdadeira alegria, faltam lábios a transbordar sorrisos e rostos a vender felicidade.

A alegria está em vencer  o egoísmo e a ganância. Está em sofrer com espírito de luta, mas com aceitação. A verdadeira alegria está na fraternidade.

Há mais alegria em dar que em receber. A alegria está nas boas amizades e no dever levado a sério. Está na vida condividida, no diálogo com Deus, no lar onde existe a verdadeira fé e o verdadeiro amor.

Já não se faz nada com emoção, com alegria e cordialidade. Vamos reagir. Sem alegria morre-se antecipadamente.

Que tipo de felicidade já experimentaste? Hoje tornaste alguém feliz?


(BÁGGIO, António - Tudo transformar em cada amanhecer.Lisboa: Edições Paulistas, 1993)

O lugar de reunião dos primeiros cristãos

No início da Igreja, os cristãos reuniam-se nas casas particulares, o que supunha habitações grandes. No Oriente, os cristãos utilizavam a sala de cima, por baixo do telhado, porque era a mais tranquila e discreta (Act 20, 7-11). No Ocidente, o lugar de reunião podia ser a sala de jantar da casa romana de um cristão abastado. O quarto de banho ou a piscina serviam para os baptizados. Originalmente, o vocábulo baptistério significava piscina, e baptismo queria dizer mergulho. Com tempo bom podiam reunir-se num recinto ao ar livre, jardim ou cemitério.

A partir do século II, havia cristãos que ofereciam casas cujo uso ficava reservado ao culto. Só a partir da segunda metade do século III começaram a ser construídas verdadeiras igrejas. O mais antigo edifício cristão conhecido é a casa-igreja de Dura-Europo, junto do Eufrates (cerca de 250).

Os edifícios religiosos cristãos são já numerosos no tempo do imperador Diocleciano, que ordena a sua demolição, no início da perseguição.


(COMBY, Jean - Para ler a História da Igreja (1). Porto: Editorial Perpétuo Socorro, 1988; Imagem retirada de http://fotos.sapo.pt/saozinha/pic/0002d2zd/s340x255)

O poço de Ryan

Ryan Hreljac vive no Canadá. Quando tinha seis anos, uma conversa com a professora mudou-lhe a vida. Na sala de aula ela falou-lhe da vida das pessoas em África. Levavam uma vida difícil. Sofriam, sobretudo, pela falta de água. Por isso, ficavam doentes e quem mais sofria eram as crianças.

Todos os colegas ficaram impressionados, mas Ryan deu um passo à frente: decidiu fazer algo. Começou a prestar serviços domésticos e conseguiu angariar 70 dólares. Ouviu que, com essa quantia, se podia abrir um poço. Mas não era verdade. A companhia canadiana Water Can, que recolhe fundos para África, disse-lhe que não eram suficientes 70 dólares; seriam necessários 2000.

Ryan não deu parte de fraco. Conseguiu mais 700 dólares. A companhia canadiana comprometeu-se a juntar o que faltava. E, assim, passados uns meses, surgiu um poço de água na aldeia de Angolo, no Norte do Uganda.

A notícia espalhou-se por todo o Canadá. O projecto de Ryan cresceu e converteu-se na fundação Ryan's Well (o Poço de Ryan). Actualmente, esta fundação já conseguiu construir 238 poços em onze países, servindo mais de 395 mil pessoas.

O exemplo de Ryan mostra, de uma maneira simples, como fazer o bem aos outros, como pede Jesus. Não há nada que mais nos encha a vida. Estar atento aos outros que necessitam da nossa ajuda e fazer algo em concreto é a aventura mais bonita e maravilhosa. E se tantas vezes dizemos que o mal contagia, pois o bem também. E se calhar, até mais. Bastou o interesse e a determinação de um menino para fazer que outros encontrassem sentido para a sua vida: ajudar com gestos concretos e simples. É mesmo esse o caminho que Jesus nos aponta. (...)

Não há idade para fazer o bem. "Hoje" é a idade para fazer a diferença.


(Revista Cruzada, Novembro 2007)

Louvor pelo dom da vida

Hoje venho louvar-te, Senhor,
pelo dom da vida que se renova a cada instante
com toda a sua beleza e expressão.
Amo a vida que me deste com tudo o que ela representa.
Senhor, sinto no mais profundo do meu ser
a incomparável alegria de viver.
Retira um pouco desta alegria
e distribui entre aqueles que andam tristes e oprimidos,
porque perderam as razões de saborear o pão de cada dia.
Mesmo, Senhor, quando a morte arrebata com crueldade alguém, de junto de mim,
quero ainda bendizer-te na saudade,
por acreditar sempre na última palavra da vida.
Lateja em minhas veias a força da vida
que tu, Senhor, sustentas misteriosamente,
de dia e de noite,
ao contacto permanente da tua omnipotência criadora.
Tão grande é o bem da vida que supera tudo quanto se pode desejar,
quando se repartem os votos entre os amigos.
A maior ventura, Senhor, é saber agradecer-te por eu ter nascido,
por estar vivo
e poder experimentar profundamente a alegria de viver.
Amen.

(SCHLESINGER, Hugo; PORTO, Humberto - Dialogando com Deus. São Paulo: Edições Paulinas, 1981)

Trabalho

"Trabalhar até os burros trabalham. O que é preciso é saber trabalhar."
Quando lembro este enigmático conselho, bebido no leite de minha mãe, ocorre-me a imagem do pobre animal preso às voltas da nora ou a resfolegar, aborrecido, impotente e resignado à frente da charrua.
No seu suor não há humidade criadora. Apenas o sal dos suores estéreis e o vazio do trabalho obrigado. Não há liberdade que cria, há imposição que amarfanha. Não há entusiasmo, mas palas escuras a riscar rotinas, à espera da noite que lhe traga a cevada à manjedoura.
O burro da imagem que me visita caminha indiferente às estações. Avança por um sulco paralelo àquela procissão da vida que, diria Gibran, majestosa e altivamente submissa, caminha para o infinito.
Abro o Livro do teu diálogo connosco, Senhor, e vejo que, tal como Yahveh no Antigo Testamento, também Tu usas títulos e comparações do mundo do trabalho: o pastor, o vinhateiro, o pescador, o semeador, o médico, a dona de casa... e não foste Tu também operário, filho de carpinteiro?
Peço-te três coisas nesta manhã:
Não nos deixes cair na tentação da preguiça, esse estranho hábito que nos faz descansar antes de trabalhar e repousar nos celeiros colheitas antigas. Que no trabalho encontremos a melodia da vida e o caminho que nos conduz.
Não nos deixes cair na agitação que envenena os sorrisos, no trabalho desenfreado que é maldição e desejo de esquecermos quem somos. Que saibamos a medida certa entre a entrega desmedida e o descanso que nos recria.
O terceiro dos meus pedidos, Senhor, faço-o pensando nos desempregados. Não imagino um personagem mais trágico que qualquer Hamlet ou Édipo, a não ser um trabalhador - sobretudo se com uns quantos filhos - que não consegue arranjar emprego.
Peço-te: segreda-lhes a coragem dos que teimam em manter-se de pé; dá-lhes a serenidade que nasce da certeza do teu amor; a ousadia e a tenacidade capaz de forçar as circunstâncias a desafiar os impossíveis.

(MANUEL, Henrique - Mas há sinais.... Prior Velho: Paulinas, 2004)

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