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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Vem aí a vida

23.12.07 | ssacramento
É sempre assim no Natal: muita luz, calor, alvoroço, riso, amizade, gestos, prendas. Muito tudo.

Uma espécie de consciência universal, um suspiro por quem nada tem. Gente acompanhada e só.

Os múltiplos rostos e nomes da solidão parecem no Natal mais concretos e frios. O espaço de quem esteve tantas vezes e neste Natal não está à mesa parece maior. O luto do coração não deixa que os olhos se iluminem.

O Natal é hino à vida. Mas o que é a vida senão também mãos desempregadas, fragmentos de família, corações desfeitos, um pai ou mãe sós, o telefone que não toca, droga, fracassos afogados em álcool, doença, assombro e inquietude? É também isto a vida.

Mas é muito mais: milhões de homens e mulheres justos, um filho que chega, outro que pula para os braços da mãe, o beijo, os milagres que todos os dias escrevem a história, o postal do amigo, estrelas acesas pelas noites, o doce da rabanada, a flor em mão estendida... o chegar de um Deus que nos revela o rosto e o oculto sentido de cada coisa!

É o desafio. Calem-se os gritos. Enterre-se a morte. Vem aí a vida.


(MANUEL, Henrique - Mas há sinais... Prior Velho: Paulinas, 2004)

As figuras do presépio

22.12.07 | ssacramento
Quando olho para o presépio são várias as personagens que me chamam a atenção e me ajudam a contemplar e rezar:

Os anjos, porque anunciaram a boa nova, a paz e disseram aos pastores quais eram os sinais para identificar o Messias recém-nascido.

Os pastores, porque foram a correr ver se era verdade o que os anjos lhes tinham dito, conhecer o Messias que acabara de nascer e, ao voltar, louvavam e glorificavam Deus por tudo o que tinham visto e ouvido.

Os habitantes de Belém, que nem se aperceberam de que quem pede abrigo são os mais necessitados, que se irão sentir bem acolhidos ou rejeitados. Podemos sempre acolher Jesus ou rejeitá-Lo, mas é sempre Jesus quem chega na pessoa de quem passa necessidade.

A minha atenção vai ainda para as personagens principais:

Para José, tão pronto a servir, tão calado, tão apaixonado por Maria e pelo seu filho, e tão agradecido aos pastores que correram a visitar Jesus.

Para Maria, tão entusiasmada com o seu bebé que até se esquecia do desconforto daquele e
stábulo e tão feliz como mãe, ocupada a embalar, amamentar, a cuidar e proteger o seu filho recém-nascido.

Jesus, tão pequeno, tão tranquilo, precisando de todos para tudo e necessitando de tudo. Tinha fome, frio, medo e estava tão feliz nos braços de Maria e de José.

Mas no presépio também me chamam a atenção os animais:

A vaca e o burro, que os receberam no estábulo, lhes deram a sua companhia e, com o seu bafo, aqueciam aquele lugar meio abandonado.

Algumas ovelhas perdidas, que os pastores deixaram ali para que agasalhassem o menino e dessem leite e lã aos seus pais.


Quem me dera ter estado ali naquela altura e ser um pouco de tudo: anjo, pastor, José, Maria, e até vaca ou burro, para fazer Jesus sentir-se um pouco mais confortável!


(Adaptado de DIOS, Joaquín Mª García - Rezo com o Evangelho cada dia. Porto: Edições Salesianas, 2006)

Nunca é tarde

21.12.07 | ssacramento
Há quase dois mil anos foi-nos oferecida a oportunidade de um recomeço, a possibilidade de um outro olhar sobre nós próprios, de uma inversão de marcha para escolher outro caminho. Foi posta à nossa disposição a possibilidade de crescer.

Quantos homens trazem Deus perdido dentro de si?

Algumas filosofias do indivíduo convidam-no à máxima exaltação de si próprio. Logo, o supremo valor é aquele que encontra em si, não no que o transcende. Aderindo sem reservas às suas emoções, vontades e fantasias, sem impor limites aos seus apetites, sente que já não precisa de se construir: basta-lhe fundir-se consigo próprio e afirmar-se como modelo absoluto. É fácil aderir a essa soberania do capricho; podemos ser seduzidos tão subtilmente que nem nos damos conta de que fazer do princípio do prazer uma norma nos vai debilitando até à degradação. Importante é não esquecer que as patologias da pós-modernidade não são fatalidades; temos a liberdade de escolher modos de ser mais autênticos. E para isso, como para (quase) tudo, nunca é tarde.

(MANUEL, Henrique - Mas há sinais... Prior Velho: Paulinas, 2004)

A sociedade judaica no tempo de Jesus: os saduceus; os fariseus

20.12.07 | ssacramento
A sociedade judaica no tempo de Jesus era muito diversificada, coabitando grupos muito fechados, para além do peso da ocupação romana. A ebulição era constante e daí o clima do processo e morte de Jesus, já que se aguardava o regresso de um Messias ou libertador, que teria uma função simultaneamente política e profética.

No tempo de Jesus eram vários os grupos religiosos. Os saduceus constituíam um grupo muito próximo de Cristo. Até o simples facto de discutir com Ele já implica uma certa convivência. Convém notar que a sociedade judaica de então era uma verdadeira teocracia, em que não havia distinção entre o poder religioso e o poder político. Este poder estava, pois, nas mãos dos saduceus, partido que congregava os sacerdotes de alta linhagem, as suas famílias e notáveis. Eram também uma força económica, já que tinham o monopólio das terras e riquezas. Colaboravam gostosamente com o ocupante romano, mostrando-se muito tradicionalistas em matéria religiosa, rejeitando qualquer evolução. Hostilizavam certos ritos populares, como o baptismo de água ou as imersões preconizadas pelos fariseus. No episódio do bom samaritano, Jesus refere-se aos sacerdotes ou quando convida a não acumular riquezas, e assim se compreende o ódio dos saduceus para com Ele e a vontade de o entregarem à morte.

Quanto aos fariseus, ainda hoje surgem como  os mal-amados do Evangelho, suscitando a cólera ou maldições de Jesus, acusados de hipocrisia. Porém, a realidade era um pouco diferente, pois frequentemente os fariseus revelam-se bastante piedosos, desejosos de respeitar a Lei. Eram recrutados essencialmente de entre os escribas e os artesãos, gozando da simpatia de uma arraia-miúda que detestava os ricos saduceus. A proximidade de Jesus com os fariseus é constante: movem-se no mesmo terreno, partilham da crença na ressurreição dos mortos.

(Revista Bíblica, nº 247)


Algumas perguntas e respostas

19.12.07 | ssacramento
Em que ano podemos datar o nascimento de Jesus?
Aproximadamente no ano 4 a.C., isto é, um pouco antes da morte de Herodes, o Grande, de que nos falam Mateus e Lucas. Esta indicação dos evangelistas, que faz nascer Jesus em Belém naquela data é bastante fiável, pois Lucas e Mateus não se conheciam um ao outro e falam ambos nela.

Seria São José um carpinteiro, tal como falam as Escrituras?
Naquela época, a palavra carpinteiro tinha um sentido mais amplo do que na actualidade: este artesão não trabalhava apenas a madeira, mas também o ferro, couro, etc.

Porquê a escolha do ofício de carpinteiro atribuído a São José?
Para mostrar quanto a pregação de Jesus atingia essencialmente um meio social de pequenos artesãos, pescadores, camponeses, um grupo social bastante cultivado, que lia regularmente a Torá e de onde eram recrutados os escribas de obediência farisaica.

Podemos situar no tempo a pregação de Jesus?
Deve ter-se desenvolvido entre os anos 27-28 (correspondendo a um ano sabático, um ano de graça que ofereceu um contexto propício à actividade de Jesus) e o ano 30.


(Revista Bíblica, nº 247 - entrevista realizada por Marc Leboucher ao padre Charles Perrot, especialista em Judaísmo palestinense)

Preparação do Natal

18.12.07 | ssacramento

Alguns avisos paroquiais...
  • Celebração do Natal: as crianças do Jardim de Infância, ATL e da Escola Superior Santa Maria, celebrarão o Natal na Igreja Paroquial, no dia 19/12 às 10,30 horas;
  • Festa de Natal das crianças: Realizar-se-á no dia 21/12, às 17 horas;
  • Visita a doentes e idosos: Durante a presente semana, o Pároco visitará doentes e idosos que o desejarem;
  • Sacramento da Reconciliação: Todos os sábados, das 15 às 16,30 horas e antes e após as Eucaristias;
  • Oratória de Natal de Schutz: Ocorrerá na sexta-feira, 21/12, às 21 horas, executada pelos Arautos do Evangelho.

Ele existiu verdadeiramente!

18.12.07 | ssacramento
Numa entrevista realizada ao padre Charles Perrot, a Revista Bíblica nº 247, registava as fontes históricas sobre as quais se apoiam os nossos conhecimentos sobre Jesus. Assim, a primeira fonte literária é, antes de mais, o Novo Testamento: a Primeira Carta aos Tessalonicenses, datada de 51, é o primeiro texto cristão de que dispomos, que já se dirige a pagãos convertidos ao cristianismo; depois temos os relatos dos evangelhos, sobretudo de Marcos, este último escrito cerca do ano 70. A crítica histórica estabeleceu que os Evangelhos de Lucas (que se dirige a uma comunidade marcada por cultura grega) e Mateus (escreve para comunidades judeo-cristãs) eram posteriores, pois dependiam do relato de Marcos.

Estes textos baseiam-se em tradições orais anteriores e, no ano 70, as comunidades cristãs judaicas sentiram-se ameaçadas por numerosas convulsões políticas e sociais. Daí escreverem estas tradições, também com o objectivo de transmitir um ensinamento, de celebrar a liturgia do Senhor. Não esquecer que os Evangelhos não foram redigidos com uma finalidade meramente histórica; não era reviver o Jesus de ontem, como se olha para um objecto de museu, pois os primeiros cristãos viviam na expectativa do regresso de Cristo.

Ainda encontramos algumas passagens sobre Jesus entre os autores da época. O historiador Flávio Josefo, cerca de 95, nas suas Antiguidades Judaicas, evoca Cristo, o mesmo sucedendo com o romano Tácito, nos Annales, em 116-117. Suetónio, na sua Vida do Imperador Cláudio, escreveu que "Cláudio prendeu os judeus de Roma porque eles, por instigação de um certo Chrestos, não cessavam de provocar distúrbios". Finalmente, Plínio, o Jovem, numa carta ao imperador Trajano, em 110, alude aos cristãos que se reunem num dia fixo e "cantam um hino em honra de Cristo, com se fosse Deus".

5 minutos com Deus

17.12.07 | ssacramento
É preciso saber dialogar com os que nos rodeiam; é muito triste não conhecer mais do que o monólogo. Dialogar é saber escutar e pôr-se na disposição de comungar com o outro. Falar e escutar são dois actos de valor humano idêntico; na realidade são um mesmo acto.

Quem não sabe escutar, nem sequer pode falar em sentido pleno: brada, grita, monologa. Mas nada disto é positivo. Quando não se sabe deixar falar o outro, acaba-se por escutar os próprios gritos. Só os humildes são capazes de dialogar; sem um sincero espírito de acolhimento, o diálogo não é possível.

É preciso acolher o próximo, chame-se ele marido, filhos, subordinados, amigos, etc., para se poder dialogar. Há silêncios ou monólogos que cheiram a morte: morreu o amor. Se há amor, surge o diálogo, pois o amor faz milagres. Quantos silêncios hostis nos casais, entre irmãos, amigos... e quanta carga de agressividade nesses silêncios!

(MILAGRO, Alfonso - Os Cinco Minutos de Deus. Cucujães: Editorial Missões, 2005)

O Natal, festa cristã da luz

16.12.07 | ssacramento
O círio pascal é o símbolo luminoso de Cristo ressuscitado e da Sua vitória sobre o pecado do homem e sobre a morte. Mas a festa cristã da luz, por excelência, é o Natal. Porém, esta festa litúrgica é relativamente tardia. Os cristãos celebravam sobretudo a Páscoa (Morte e Ressurreição de Cristo).

No século IV começou-se a celebrar o nascimento de Cristo, luz do mundo, escolhendo-se a data em que se celebrava a festa da grande divindade, do Sol, que caía a 25 de Dezembro, (solstício de Inverno), dia que era considerado o dia do nascimento de todas as divindades do Oriente, relacionadas com o Sol. Nesse dia, o Sol "renasce", porque os dias começam a ser mais longos e as noites mais curtas. Assim, o culto pagão abriu caminho à festa do verdadeiro Sol, da luz de Deus presente neste mundo de trevas - Jesus Cristo.

É tempo de acender muitas luzes no tempo de Natal, mas todas estas luzes pouco valor têm se não vivermos o Evangelho de Jesus, a verdadeira Luz que ilumina a nossa vida, se não seguirmos o apelo que nos faz o Apóstolo: "Outrora, éreis trevas; mas agora sois luz no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz. Porque o fruto da luz consiste na bondade, na justiça e na verdade". (Ef 5,8-9)

(artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica nº 229)

A luz de Deus é Jesus Cristo

15.12.07 | ssacramento
Ao contrário do Antigo Testamento, em que Deus nunca é chamado propriamente Luz, o Novo Testamento diz que Jesus é a "Luz do Alto, a fim de iluminar aqueles que se encontram nas trevas e na sombra da morte" (Lc 1,68-69; Lc 2,30-32).

Os textos que narram a infância de Jesus estão cheios de luz e de música celeste. Por isso, se deveria valorizar a festa da Apresentação de Jesus no Templo (celebrada a 2 de Fevereiro) como a festa da luz de Cristo, que veio iluminar as trevas do coração dos homens de todas as latitudes e épocas da História.

Logo no início da vida pública, Jesus é apresentado como Aquele que, no cumprimento das profecias, vem dar a luz aos olhos cegos, numa luta incansável contra as trevas do mundo (Mt 4,16; Lc 4,18).

Cristo define-se a si próprio como luz (Jo 8,12). A luz identifica-se com a vida que Jesus comunica (Jo 1,4) e se o cristão recebeu a luz de Deus por meio de Cristo, torna-se uma chama divina e responsável por iluminar o mundo com essa mesma luz (Mt 5,14-16; 2Cor4,6). Também S. Paulo nos aconselha a sermos luz (Ef 5,14; Col 1,12; Rom 13,12-13).

(artigo de Herculano Alves, Revista Bíblica nº 229. Imagem retirada de http://nia7.blogs.sapo.pt/arquivo/Luz.jpg)