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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

O cristão e a oração

18.02.08 | ssacramento
Ser cristão exige saber dialogar com o Pai. Precisamos de aprender a rezar, rezar mais e melhor. Como cristãos temos a obrigação de caminhar na vida interior, descobrir novos modos de oração, deixar que o Espírito nos ensine a rezar, sermos seduzidos pela presença trinitária no nosso interior.

Criado por Deus e para Deus, o homem só n'Ele encontra verdadeira felicidade. A oração não é fuga do humano, do terreno, do material. Não é alienação própria dos fracos. É caminho de verdadeira realização, é encontro com o Absoluto, é diálogo com o Pai. Expressa em louvor ou em súplica, em agradecimento ou contrição, a oração centra-nos em Deus, leva-nos à fonte da Vida, da Paz, da Alegria.

O cristão não reza para fugir do mundo e das suas obrigações, não vai à oração para não estar com os homens, não fala com Deus porque não quer ou não gosta de falar com os outros. O cristão não vai à oração só porque está desiludido com os homens, com a técnica, com a ciência, a política, a vida social. A oração é fruto do amor, da amizade.

Quem ama gosta de conversar com o amado e busca ocasiões de diálogo e, se possível, de presença. Olhar-se, conversar, trocar impressões, desabafar, conhecer-se, são necessidades próprias de quem ama, de quem é amigo. E é deste dinamismo de amor, próprio da vida cristã, vida alicerçada na certeza do amor que Deus nos tem, que nasce a oração, a alegre necessidade de dialogar com o Amado.


(PEDROSO, Dário - Vida em Oração. Braga: Editorial A.O., 1988)

Acolhe a diversidade: abre portas à igualdade

17.02.08 | ssacramento

Hoje inicia-se a Semana Nacional da Caritas, cujo tema é "Acolhe a Diversidade -  Abre portas à Igualdade".

Apesar de 2007 ter sido um ano dedicado à igualdade de oportunidades para todos, mantêm-se muitas das desigualdades de tratamento, género e apoio. Continuam os desempregados jovens e de longa duração, os idosos sem família, menores abandonados, deficientes discriminados,.... Por isso, é que o Presidente da Cáritas
Portuguesa, na sua Mensagem para esta Semana Nacional da Cáritas de 2008, escreve que "é preciso educar o olhar! A nível da acção social da Igreja urge uma nova pedagogia do olhar desde as famílias, passando pelas nossas comunidades cristãs para chegar às escolas e autarquias. A caridade cristã também depende do olhar!".

O nosso olhar para os outros não é o mesmo olhar de Deus para a Humanidade! "Ele é o Deus que não faz acepção de pessoas (Gal 2,6). O seu olhar não discrimina ninguém".

A Quaresma é um tempo privilegiado para "educar o olhar", para "abrir portas à igualdade", para sermos "fiéis à ética do olhar que não discrimina, mas que a todos escuta, acolhe e auxilia com inteligência".


A mensagem integral do Presidente da Cáritas Portuguesa pode ser consultada aqui.

A Transfiguração

16.02.08 | ssacramento
No passado domingo, o Evangelho referia-nos que Jesus foi levado a dois lugares altos (pináculo do templo e um monte muito alto) onde manifestou o Seu domínio sobre o Mal. No 2º domingo da Quaresma, Ele próprio conduz três Apóstolos ao Monte da Transfiguração. Este monte é o ponto alto de uma caminhada: começou na confissão de fé de Pedro (Mt 16,16) e termina neste texto da Transfiguração de Jesus, com outra profissão de fé implícita na sua divindade.

O fenómeno da "transfiguração" de Jesus encontra-se também no Antigo Testamento, sobretudo em Moisés, na montanha do Sinai, mediante os símbolos da luz, brancura, nuvem e sol (Ex 24,16-17). Mas Jesus não resplandece apenas na face: é toda a sua pessoa que irradia a luz divina significada na nuvem que, por sua vez, significa a presença do próprio Deus: sendo o Filho, irradia toda a luz do Pai.

Jesus vai estar com Moisés e Elias, aqueles que tiveram maior contacto com a glória de Deus no Antigo Testamento e ambos subiram aos céus. Representam a Lei de Deus (Moisés) e o profetismo (Elias).

Com as palavras de Pedro, "Como é bom estarmos aqui!", Mateus pretende dizer aos discípulos de todos os tempos que o melhor reconhecimento de Jesus como Messias é, sobretudo, escutar a Sua Palavra como palavra salvadora para a humanidade.


(Revista Bíblica, Janeiro/Fevereiro 2008)

As montanhas da vida

15.02.08 | ssacramento

O Deus da História manifestou-se primeiro na Natureza e o cume das montanhas foi sempre um lugar privilegiado de encontro.

Na montanha, Abraão encontrou a força para deixar a terra natal, a família, os bens e pôr-se a caminho "para a terra que Eu te indicar" (Gn 12,1-9).

Na montanha, Elias ouviu o trovão de Deus a apelar à paciência para com o povo que se tinha deixado contaminar pela ambição (Ex. 31-32).

Na montanha, Elias rezou com o rosto por terra e a chuva caiu abundante como bênção para o povo (1Rs 18,44).

No monte das Oliveiras, S. Mateus diz que Jesus proclamou as bem-aventuranças (Mt. 5,1-12).

A Bíblia fala de muitas outras montanhas, que são presença de Deus no peregrinar do povo. O que significam? Deus tanto fala na montanha como na planície (ao contrário de Mateus, Lucas coloca as bem-aventuranças na planície). Porém, o Homem, só quando se eleva é que consegue distinguir os sons divinos. As montanhas são o apelo à desinstalação das rotinas e conformismo horizontal. Hoje a montanha é um convite a libertar-se do mundo provisório, de horizontes curtos e monótonos e deixar-se conduzir à nuvem da aventura e mistério, lugar onde Jesus montou a tenda da nossa transfiguração.


(Revista Bíblica, Janeiro/Fevereiro 2008)

Amor a Deus e ao próximo

14.02.08 | ssacramento

No dia 14 de Fevereiro celebra-se o dia de S. Valentim ou dia dos Namorados.

Há várias teorias relativas à origem de São Valentim e à forma como se tornou o patrono dos apaixonados. Uma delas afirma São Valentim como um mártir romano que, em meados do século iii, se recusou a abdicar da fé cristã que professava e, consequentemente, foi decapitado. Outra sustenta que o imperador romano teria proibido os casamentos de modo a ter mais homens para as frentes de batalha. Um sacerdote cristão, de nome Valentim, teria violado este decreto imperial e realizava casamentos em segredo. Este segredo teria sido descoberto e Valentim teria sido preso, torturado e condenado à morte.

Ambas as teorias apresentam factores em comum. São Valentim foi um sacerdote cristão ou um mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269, por não abdicar das suas convicções: o amor aos homens e a Deus. Foi um mártir do amor.

 
Amar! É isto o que Deus faz por nós e é o que Ele quer que nós façamos por Ele. E amar é a entrega incondicional, que gera vida e felicidade. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Deus deu-nos o exemplo, para que nós possamos aprender o verdadeiro sentido do amor que é sempre uma entrega total e incondicional ao outro. Assim, para nós cristãos, a origem e o fundamento do amor encontra-se em Deus, que nos amou, que nos convida a amá-l’O, e que nos apresenta como mandamento fundamental que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (Mt 22, 37-39).

 
O amor é o princípio que sustenta, qualifica e dignifica as relações humanas. Há vários tipos de amor, com várias intensidades e tonalidades mas que no fundo revelam um único sentimento: o carinho, o encanto, a admiração e o respeito pelo outro. O amor, assim como todos os valores, não é uma coisa concreta e palpável, mas manifesta-se e expressa-se através de coisas concretas e palpáveis: os gestos. O amor, por sua própria natureza, jamais se esgota. Podemos sempre amar mais e melhor. Acima de tudo, o amor cria um norte nas nossas vidas, funciona como uma bússola para os nossos sentimentos, pondo em ordem o nosso caos emocional. É através dele que conseguimos discernir o que há de mais importante e o de menos importante.


Artigo de Abel Dias, na Revista Audácia Fevereiro/2008. Veja a Apresentação Multimédia (Powerpoint) Amor.pps

Dia Mundial do Doente

11.02.08 | ssacramento
Celebra-se hoje, 11 de Fevereiro, o XVI Dia Mundial do Doente. Na sua mensagem para este dia, o Papa Bento XVI refere que é uma "ocasião propícia para reflectir sobre o sentido do sofrimento e sobre o dever cristão de o assumir em qualquer situação onde ele estiver presente".

Escolhendo como tema
"A Eucaristia, Lourdes e o cuidado pastoral dos doentes", o Papa associa o Dia Mundial do Doente ao sesquicentenário das aparições da Imaculada em Lourdes e à celebração do Congresso Eucarístico Internacional em Québec, no Canadá, já que há uma "estreita ligação (...) entre o Mistério eucarístico, a função de Maria no projecto salvífico e a realidade da dor e do sofrimento do homem." É que meditar sobre Maria "é deixar-se atrair pelo "sim" que a uniu admiravelmente à missão de Cristo, Redentor da humanidade; é deixar-se arrebatar e orientar pela mão dela, para pronunciar por sua vez o "fiat" à vontade de Deus com toda a existência impregnada de alegrias e tristezas, de esperanças e desilusões, na consciência de que as provações, a dor e o sofrimento tornam rica de sentido a nossa peregrinação na terra. (...)

Não se pode contemplar Maria, sem ser atraído por Cristo e não se pode contemplar Cristo sem sentir imediatamente a presença de Maria. Existe um laço inseparável entre a Mãe e o Filho gerado no seu seio, por obra do Espírito Santo, e sentimos este vínculo de maneira misteriosa no Sacramento da Eucaristia. (...) Associada ao Sacrifício de Cristo, Maria
Mater Dolorosa, que aos pés da Cruz sofre com o seu Filho divino, é sentida particularmente próxima da comunidade cristã que se reúne à volta dos seus membros sofredores, que trazem em si os sinais da paixão do Senhor. Maria sofre juntamente com aqueles que vivem na provação, com eles espera e representa o seu conforto, sustentando-os com a sua ajuda materna.

[Por outro lado,] o Encontro eucarístico internacional será uma ocasião para adorarmos Jesus Cristo presente no Sacramento do altar, para nos confiarmos a Ele como a Esperança que não engana, acolhendo-O como remédio da imortalidade que cura o físico e o espírito. Jesus Cristo redimiu o mundo com o seu sofrimento, com a sua morte e com a sua ressurreição, e desejou permanecer connosco como "pão de vida" na nossa peregrinação terrestre."


O Dia Mundial do Doente é, pois, "uma circunstância propícia para invocar, de forma especial, a protecção maternal de Maria sobre quantos são provados pela doença, sobre os agentes que trabalham no sector da assistência médica e sobre aqueles que desempenham funções no campo da pastoral da saúde."



(Mensagem do Papa Bento XVI para o XVI Dia Mundial do Doente - 2008)

 

Na nossa Paróquia, este dia será lembrado com uma celebração eucarística (às 15 horas), seguida por um convívio fraterno entre os utentes do Centro de Convívio da Junta de Freguesia de Massarelos e os do Centro Social Paroquial do Santíssimo Sacramento.

As tentações de Jesus

09.02.08 | ssacramento
Desde os primeiros séculos, os cristãos determinaram um tempo de penitência antes da Páscoa. Os 40 dias da Quaresma estão ligados às três tentações de Jesus, pois os Evangelhos referem que, antes de ser tentado, Jesus foi para o deserto onde jejuou 40 dias, pretendendo significar que Jesus é o novo Moisés, que vem para fundar um novo povo (a relação entre Moisés e Jesus é vísivel nos 40 dias no Sinai e nos 40 anos de viagem no deserto, o alimento milagroso do maná, o jejum e a palavra de Deus).

Só Mateus e Lucas narram as tentações concretas; Marcos apenas diz que Jesus foi tentado e João não fala nestas tentações. O texto de Mateus situa-se depois do Baptismo, com que Jesus inaugura a sua vida pública e é um modo de dizer quem é Jesus (o Filho de Deus feito verdadeiro homem). Não é, pois, uma tentação como as nossas. Mateus narra-as em três cenas e uma conclusão: uma tem lugar no deserto e as outras duas em lugares altos.

Em 11 versículos, o Adversário de Jesus é citado seis vezes com o nome de Diabo, Tentador e Satanás. Quem é ele? É um personagem que caracteriza as forças do Mal, neste caso, tudo o que se opõe ao projecto messiânico de Jesus, que veio salvar a humanidade decaída, não com as honrarias que o Adversário lhe promete, mas dando a vida por todos. Jesus, Filho de Deus, defrontou e venceu o seu Adversário.

Em cada um de nós travam-se também batalhas semelhantes, entre o projecto que Deus tem para nós e os projectos pessoais e egoístas que nós arranjamos. A qual dos dois projectos queremos obedecer?

(Revista Bíblica, Janeiro/Fevereiro 2008)


Pode obter mais informações sobre As Tentações de Jesus aqui. Consulte também a Nota Pastoral do Bispo D. António Sousa Braga, sobre a Quarentena Penitencial
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