Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Para ler o Evangelho segundo Mateus

08.02.08 | ssacramento
Para ler o Evangelho segundo Mateus há que ter em conta a forma como encaramos esta narrativa, quer dizer, não podemos lê-lo com os olhos do presente. Vejamos melhor dois pontos que nos ajudam a esclarecer esta ideia.

1. Ao analisarmos uma narrativa encontramos, pelo menos, dois tipos de retórica: a greco-romana e a hebraica. Assim, enquanto a primeira questionará o que é que verdadeiramente aconteceu, a segunda (a hebraica) terá em conta o que é que isto significa. Resumindo, os autores dos livros sagrados não quiseram responder à pergunta "o que é que aconteceu?", mas sim "o que é que isto significa?". Deste modo, por exemplo face ao acontecimento do baptismo de Jesus, a mentalidade greco-latina (da qual somos herdeiros) questiona quando foi, onde foi, como foi... Por outro lado, no caso dos hebreus interessa é perguntar porque é que Jesus foi baptizado por João Baptista. É, pois, importante que ao interrogarmos o texto bíblico tenhamos em conta quais as mensagens que o mesmo pretende transmitir e não procuremos informação factual e histórica para perguntas que colocamos no presente.

2. Nos textos há também dois tipos de racionalidade: a linear (greco-romana) e a concêntrica (hebraica). Na linear, estabelecemos silogismos e tiramos conclusões em que estas não podem ser maiores que as permissas. Porém, um semita não pensa como nós; a sua racionalidade é concêntrica, pensa em círculo e, assim, um texto expande-se do centro para as extremidades.

De uma forma muito simples podemos dizer que o hebreu mostra e o grego demonstra. A lógica grega pretende convencer e arranja argumentos neste sentido; a lógica semita pretende mostrar, implicando a mudança de vida.

Vejamos um exemplo concreto desta lógica do Médio Oriente, neste caso usando o Evangelho de João. Filipe encontra Natanael e diz-lhe ter encontrado Aquele sobre quem estava escrito nas Escrituras. "Então disse-lhe Natanael: De Nazaré pode vir alguma coisa boa? Filipe respondeu-lhe: Vem e vê!" (Jo 1,46). Repare-se que Filipe não demonstra, diz apenas "vem e vê", o que significa "experimenta" (a tal mudança de vida). Se fosse um grego a responder à pergunta, argumentava dizendo que era "por isto... por aquilo...". São, pois, duas metodologias diferentes de apresentar a narração e, no caso da Bíblia, a história é-nos mostrada, nunca demonstrada.

O que é a Quaresma?

07.02.08 | ssacramento
A Quaresma é o tempo do Ano Litúrgico preparatório da Páscoa e que vai da Quarta-Feira de Cinzas até Quinta-Feira Santa (a Quinta-Feira Santa já pertence ao Tríduo Pascal).

A Quaresma surgiu no séc. IV, a seguir à paz de Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja. Duas instituições a ela estão ligadas; a penitência pública e o catecumenado. Daí o seu duplo carácter penitencial e baptismal. Inicialmente durava 3 semanas, mas depois, em Roma, foi alargada a 6 semanas (40 dias), com início no actual I Domingo da Quaresma (na altura denominado Quadragesima die, entenda-se 40.º dia anterior à Páscoa).


O termo Quadragesima (que deu a nossa "Quaresma") passou depois a designar a duração dos 40 dias evocativos do jejum de Jesus no deserto a preparar-se para a vida pública. Como, tradicionalmente, aos Domingos nunca se jejuou, foi necessário acrescentar alguns dias para se perfazerem os 40. Daí a antecipação do início da Quaresma para a Quarta-Feira de Cinzas.


A Quaresma é um tempo forte de penitência. Para assegurar expressão comunitária à prática penitencial, sobretudo no tempo da Quaresma, a Igreja mantém o jejum e a abstinência tradicionais. Em Portugal, são dias de jejum para os fiéis dos 18 aos 59 anos (a menos de dispensa, por doença ou outra causa) a Quarta- Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa (convidando a liturgia a prolongar o jejum deste dia ao longo de Sábado Santo). E são dias de abstinência de carne, para os fiéis depois dos 14 anos (embora seja bom que a iniciação nesta prática se faça mais cedo), as Sextas-feiras do ano (a menos que cesse a obrigação pela coincidência com festa de preceito ou solenidade litúrgica), com possibilidade de substituição por outras práticas de ascese, esmola (caridade) ou piedade, embora seja aconselhado manter a prática tradicional nas sextas-feiras da Quaresma.


No que respeita à esmola, ela deve ser proporcional às posses de cada um e significar verdadeira renúncia, podendo revestir- se da forma de "contributo penitencial" (ou "renúncia quaresmal") com destino indicado pelo bispo.


 


(Artigo de D. Manuel Falcão, in Enciclopédia Católica Popular - Ecclesia)

 

A esmola nesta Quaresma

06.02.08 | ssacramento
"Todos os anos, a Quaresma oferece-nos uma providencial ocasião para aprofundar o sentido e o valor do nosso ser de cristãos, e estimula-nos a redescobrir a misericórdia de Deus, a fim de nos tornarmos, por nossa vez, mais misericordiosos para com os irmãos. No tempo quaresmal, a Igreja tem o cuidado de propor alguns compromissos específicos que ajudem, concretamente, os fiéis neste processo de renovação interior: tais são a oração, o jejum e a esmola." 

Continuando o seu discurso, o Papa Bento XVI, na sua mensagem quaresmal, analisa a prática da esmola, realçando alguns aspectos, nomeadamente:
  • "Não somos proprietários mas administradores dos bens que possuímos: assim, estes não devem ser considerados propriedade exclusiva, mas meios através dos quais o Senhor chama cada um de nós a fazer-se intermediário da sua providência junto do próximo."
  • "O Evangelho ressalta uma característica típica da esmola cristã: deve ficar escondida" e "tudo deve ser realizado para glória de Deus, e não nossa"
  • "A Escritura ensina-nos que há mais alegria em dar do que em receber", porque "todas as vezes que por amor de Deus partilhamos os nossos bens com o próximo necessitado, experimentamos que a plenitude de vida provém do amor e tudo nos retorna como bênção sob forma de paz, satisfação interior e alegria. O Pai celeste recompensa as nossas esmolas com a sua alegria."
  • "A esmola educa para a generosidade do amor."
Deste modo, "a Quaresma convida-nos a «treinar-nos» espiritualmente, nomeadamente através da prática da esmola, para crescermos na caridade e nos pobres reconhecermos o próprio Cristo. (...) Que este período se caracterize, portanto, por um esforço pessoal e comunitário de adesão a Cristo para sermos testemunhas do seu amor."


Pode consultar toda a mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2008 aqui.

Bater à porta

05.02.08 | ssacramento
Estamos habituados a considerar a oração como um bater à porta para sermos atendidos. Foi Jesus que nos disse "batei e abrir-se-vos-à" referindo-se à perseverança da súplica. É menos conhecida a frase do Apocalipse (3,20) "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele Comigo".

Não somos só nós que batemos à porta. Deus também bate e deseja que abramos, pois quer entrar em intimidade. O simbolismo da refeição quer indicar a comunhão, a amizade, a partilha da vida, do amor de Deus. Antes de nós batermos à porta é Ele, o Senhor que bate, pois quer entrar para estar connosco.

Queixamo-nos, muitas vezes, que Deus não nos ouve, mas o Senhor poderá queixar-se infinitamente mais da nossa surdez em ouvi-Lo, da nossa inércia em abrir a porta, do nosso pouco gosto em O deixar penetrar na nossa casa para O receber e entrar em diálogo, em partilha, em refeição fraterna e amiga.

(PEDROSO, Dário - Senhor ensina-nos a rezar. Braga: Editorial A.O.,1987)

Tu falas, Senhor...

04.02.08 | ssacramento



(PEDROSO, Dário - Senhor ensina-nos a rezar. Braga: Editorial A.O.,1987)



Desde ontem, domingo, a partir das 19 horas, e até às 12 horas de amanhã, terça-feira, o Santíssimo Sacramento encontra-se exposto, dia e noite, na Igreja desta Paróquia, à R. Guerra Junqueiro (Porto). São 40 horas de adoração. Não falte a este momento de oração.


A Palavra é como a chuva

03.02.08 | ssacramento
Meditar pode ser para muitos uma arte difícil. Porém, saborear a Palavra de Deus, ponderá-La com o coração, permite o nosso crescimento na fé. É preciso ouvir a Palavra, escutá-La no mais profundo de nós próprios; dar-Lhe voltas no coração.

"Está a chover. Coloca-te à janela a ver cair a chuva. Esta vai penetrando a terra para a fazer produzir fruto. Sem a água teríamos terra ressequida, infrutífera. Ou então pega numa vasilha com água e vai deitando esta num vaso com terra. A água vai penetrando a terra, vai ensopando a terra. A humidade será a fonte da vida da planta, que irá dando folhas e flores. Com a evaporação, a água transformada em vapor, subirá novamente. Voltará a cair, feita chuva, para novamente regar a terra e a fazer germinar. É assim a Palavra de Deus.

(...) Pega agora na Bíblia e lê: 'Assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para lá, senão depois de empapar a terra, de a fecundar e fazer germinar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, o mesmo sucede com a Palavra que sai da minha boca; não volta sem ter produzido o seu fruto, sem ter executado a Minha vontade e cumprido a Sua missão' (Is 55,10-11).

Depois, sente essa terra que se deve deixar empapar da Palavra. Esta deve chegar ao coração, à inteligência, à vontade, como a água chega às raízes mais profundas que fazem frutificar a árvore. E fica a pedir esta graça: que a Palavra, penetrando o teu ser, dê fruto em abundância. E vai-te lembrando doutra palavra de Isaías: 'a erva seca, a flor murcha, mas a Palavra do nosso Deus permanece eternamente' (40,8)."


(PEDROSO, Dário - Vida em Oração.Braga. Editorial A.O., 1988)




Os "agrafos" do Evangelho de Mateus

02.02.08 | ssacramento
O Evangelho de Mateus apresenta-nos duas partes: o relato (a vida de Jesus) e o anúncio da notícia (a parte essencial do Evangelho). Essa notícia é que Jesus ressuscitou. Grande parte do Evangelho refere-se ao relato da vida de Jesus e só depois vem a Ressurreição, porém o que foi anteriormente escrito no Evangelho aparece em função dessa Ressurreição. Deste modo, verificamos que há uma discrepância em termos cronológicos e lógicos. Por outras palavras, cronologicamente o Evangelho apresenta-nos primeiro a vida de Jesus e só depois a Ressurreição, mas quanto à lógica foi a Ressurreição a novidade, o facto essencial e primeiro, e só depois se vê a vida de Jesus e as suas mensagens em função deste acontecimento.

Este Evangelho é o primeiro na ordem canónica (é o que nos aparece em primeiro lugar no Novo Testamento), no entanto não foi o primeiro a ser escrito (o primeiro terá sido o de Marcos). As primeiras comunidades cristãs apreciavam e liam muito este Evangelho, talvez devido à sua forma bem estruturada em cinco grandes discursos. Por outro lado, este Evangelho tem um bom sistema de encaixe com o Antigo Testamento, sendo fácil agrafá-lo às "Escrituras".  Então, que encaixes ou agrafos são esses?
  1. O texto foi composto em função de cinco discursos, o que pode ser comparado com o Pentateuco ou Tora dos judeus (não nos esqueçamos que Mateus saiu de uma comunidade judaica).
  2. No início do seu livro, Mateus apresenta uma genealogia desde Abraão até Jesus, indo buscar todos os grandes nomes do Antigo Testamento. Trata-se de uma forma de harmonizar este Evangelho com os restantes livros, dando-lhe seguimento, não o tornando marginal.
  3. Para além de diversas citações implícitas e de ir buscar figuras do Antigo Testamento, Mateus apresenta 10 citações explícitas das Escrituras, tendo o cuidado de identificar essas citações do Antigo Testamento. Por vezes são mesmo citações grandes, como o caso de Is 42, 1-4 onde são quatro os versículos apresentados na íntegra.
São, pois, estas as razões que levaram a que este livro se tornasse o primeiro Evangelho do Novo Testamento, fazendo o ponto de ligação às Escrituras antigas e permitindo a continuidade de outros livros.





Neste dia de aniversário do nosso pároco, aqui fica também o agradecimento e reconhecimento da paróquia ao trabalho realizado pelo Padre Jorge. Que o Senhor mantenha por muitos anos acesa a chama do seu viver e derrame sobre ele a luz da Sua benção, continuando a iluminá-lo no desempenho da sua missão sagrada.

Cinco minutos com Deus

01.02.08 | ssacramento
Estamos a iniciar o segundo mês do ano. Os dias vão passando, o tempo vai correndo e com ele a nossa vida. As pessoas comuns só pensam em passar o tempo. As pessoas de talento, pelo contrário, pensam em aproveitá-lo, porque, entre o passado, que já não é, e o futuro, que ainda não é, está o presente em que se situam os nossos deveres e que está sob a nossa responsabilidade.

Uma coisa é perder o tempo; outra é utilizá-lo. Tempo perdido é aquele que passa sem ser útil, nem a Deus nem ao próximo. Às vezes perguntamo-nos qual teria sido o dia mais feliz da nossa vida. Não é difícil responder: cada novo dia é o mais feliz, porque em cada dia se nos apresenta a oportunidade de o utilizar melhor no serviço de Deus e dos outros. É nesse serviço que radica a nossa felicidade e a dos outros.

(MILAGRO, Alfonso - Os Cinco Minutos de Deus. Cucujães: Editorial Missões, 2005)






Consulte na Folha Pão e Vida nº 445 algumas indicações sobre as 40 horas de Adoração ao Santíssimo Sacramento e outras informações.

Pág. 3/3