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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Olhamos mas não vemos

Olhamos o mundo mas não vemos Deus a agir e o seu amor a recriar maravilhas. Olhamos o nosso interior mas não vemos o pecado e o mal que está em nós. Olhamos os outros mas não descobrimos, em cada um, o rosto de Cristo. Olhamos o crucifixo mas não vemos o Cristo sofredor a pedir-nos fidelidade. Olhamos o Evangelho mas não vemos as suas exigências, as suas interpelações. Olhamos o sacrário mas não vemos, não caímos na conta de que está ali o nosso Deus. Olhamos a beleza das criaturas mas não vemos, não nos lembramos do Criador de todas elas. Olhamos o exemplo dos santos mas não vemos que há aí um caminho  a seguir, uma vida interior a imitar. Olhamos o pobre e o marginal mas não vemos o rosto sofredor de Jesus a clamar pão e amor. Olhamos o Sol e a Lua mas não vemos a Luz que é Cristo.

 

Uma nuvem densa de poeira faz que olhemos mas não vejamos. Olhamos mas a nuvem de poeira não nos deixa ver caminhos de mais amor, mais dom, mais serviço, mais entrega, mais generosidade. Precisamos de lutar contra a poeira que nos invade e vai assolando o mundo à nossa volta, para podermos ver com um olhar límpido as maravilhas de Deus e do seu amor.

 

 

(PEDROSO, Dário - Nuvem de Poeira. Braga: Editorial A.O., 2006)

O silêncio do coração

Muitas pessoas pensam que fazer silêncio, guardar silêncio, significa apenas não falar, não fazer ruído exterior. Contudo, a verdade é bem diferente. É que há duas categorias de silêncio: o exterior e o interior. E para que a oração seja como deve ser, não basta observarmos o primeiro; precisamos de atingir também o segundo.

 

Silêncio exterior é, de facto, a ausência de palavras, a ausência de qualquer ruído. Já o silêncio interior é mais difícil, mais exigente e indispensável à oração. É um apaziguar de almas e de coração, o fazer calar vozes e ídolos  interiores, um afastamento de imagens, de preocupações, de curiosidades que nos impedem de rezar e de ouvir a Deus.

 

Fazer silêncio interior é centrar em Deus o nosso coração, a nossa alma, fazendo calar tudo o mais que nos impeça essa união, este «estar com o Senhor». O silêncio é, sobretudo, desejo do coração. Se há desejo de ver, de estar atento à voz do Senhor, de O contemplar presente nas coisas, nos homens, em nós, então faz-se silêncio.

 

Exige de nós também uma purificação. Implica vermo-nos tal como somos encontrarmo-nos, pôr-nos em causa. Isto é difícil, leva a ter medo do silêncio. Porém, quando conseguimos submeter-nos ao silêncio, não só dos lábios mas do «coração», então nasce em nós a inspiração verdadeira das palavras, das orações justas, sólidas, enraizadas n' Ele; então, estamos dispostos a produzir fruto em abundância. «Os verdadeiros activos são os silenciosos». «Aqueles que no silêncio atingem as zonas mais profundas do seu ser, aí encontram os outros e o universo».

A língua materna de Jesus - I

Quando Jesus nasceu, a língua falada em Israel era o aramaico. Foi, pois, o aramaico que Ele aprendeu a falar dos lábios de sua mãe, Maria. Foi em aramaico que contou as parábolas, pronunciou os sermões, realizou os milagres e curou os doentes. O evangelista Marcos refere quatro frases de Jesus em aramaico. As frases eram tão intensas, que foram conservadas na língua original, sem serem traduzidas, quando os Evangelhos foram compostos em grego.

  • A primeira foi a que Jesus pronunciou para ressuscitar a filha de Jairo. Pegou-lhe na mão e disse: «Talita cúmi», que, em aramaico, significa «Menina, levanta-te» (Mc 5,41);
  • A segunda pronunciou-a para curar um surdo-mudo. Marcos relata-nos que lhe pôs os dedos nos ouvidos, lhe tocou na língua com a saliva e, olhando para o céu, disse: «Efatá», que quer dizer«abre-te» (Mc7,34), restituindo-lhe o ouvido e a fala.
  • A terceira frase em aramaico de Jesus é a angustiosa oração que dirigiu a Deus no horto de Getsémani, quando O chamou Abbá, que significa «Pai».
  • Finalmente, temos a oração que Jesus pronunciou na cruz: «Eloí, Eloí, lamá sabactâni» que significa «Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?».

 No entanto, Jesus, por ter passado a infância em Nazaré, falava com sotaque galileu, bem como os apóstolos, que eram todos dessa zona, à excepção de Judas. Assim se entende que, quando estavam a julgar Jesus, em casa do sumo sacerdote Caifás, os ali presentes dissessem a Pedro: «É claro que também és um deles; vê-se logo pelo modo de falar» ( Mt 26,73). Pedro jurou que não O conhecia. Mas essa afirmação deve ter soado no dialecto galileu, confirmando, com a pronúncia, o que os lábios negavam.

 

 

(VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia? IV. Apelação: Paulus, 1998)

Amar o próximo

Deus não nos pede que vamos assinalando, com o lápis, as vezes que cumprimos ou falhamos no cumprimento deste ou daquele preceito. O que o Senhor deseja de nós é que tenhamos um coração grande, cheio de imaginação que inspire o agir da nossa liberdade.

 

Jesus viveu, assim, a sua passagem pela terra: bem ancorado na vontade do Pai (amor a Deus), amou os homens, de graça, isto é, impelido pela força interior, não interesseira, que nos diz que façamos aos outros o que desejaríamos que nos façam a nós.

 

Obrigados pela Lei, fazem-se coisas, porque tem que ser. Com o amor a temperar o agir, faz-se talvez exactamente o mesmo, mas com um sorriso. A lei do amor não elimina outras leis, que têm de existir porque, infelizmente, nem sempre se é correcto, espontaneamente.

 

Primeiro, Deus e os outros, rezar e servir os irmãos: assim se cumpre o que Deus quer. E é isso que nos garante a liberdade e nos faz bem, tornando-nos mais felizes.

 

 

(Revista Mensageiro do Coração de Jesus, Outubro/2008)

Um ano a caminhar com São Paulo: "Que homem miserável eu sou!"

Paulo, além de falar dos males da humanidade sem Deus, também descreve o drama interior de cada pessoa quando está escrava do pecado (ver Rm 7, 7-24).

 

São 3 os intervenientes no drama:

  • o eu, do leitor ou de cada homem pecador, que se sente sozinho devido à sua condição de criatura carnal, frágil e limitada. É essa condição que terá de ser ultrapassada para viver, abrindo-se ao transcendente.
  • a Lei de Deus, resumida no Decálogo que diz por onde devemos ir, mas também que é a Deus que devemos recorrer. Se nos abrirmos a Deus viveremos, caso contrário "de morte morrerás" (Gn 2,17). Essa morte implica ruptura com Deus, com os outros e até connosco próprios.
  • o pecado, que é a ruptura. Mas também ele faz parte da minha condição de criatura e do esforço para ultrapassar as minhas limitações. É na luta pela vida que o pecado se manisfesta, quando procuramos a vida num grau e modo incompatíveis com o Homem.

Nos nossos dias, há muitas espécies de drogas, de frutos proibidos, que arruinam a vida humana. As mais comuns têm a ver com a riqueza e o poder. O ter e o ser de que preciso para viver, mas que, quando são endeusados e adorados, dão origem a inúmeros males.

 

O pecador não tem culpas do seu pecado? Ele é culpado da cedência às suas tentações e ainda mais culpado é se não aceita a salvação que lhe é oferecida por Deus, no amor manifestado em seu Filho Jesus Cristo. Se dele já participamos, demos graças a Deus.

 

 

(OLIVEIRA, Anacleto - Um ano a caminhar com S. Paulo. Palheira: Gráfica de Coimbra,2008)

Parece um sonho

Quando alguém chora, devemos chorar com ele, e quando alguém sorri, sorrir com ele. É S. Paulo quem dá este conselho. Ele garante que assim a alegria se multiplica. Tornar-se um com o próximo é o caminho para tornar-se um com Deus. É fundir num só os dois grandes mandamentos: amar a Deus e os irmãos.

 

Tornar-se um com o próximo. Quem tem este objectivo não diz tudo aquilo que poderia dizer porque não seria do agrado do irmão. A caridade é o testamento de Cristo. Que bom seria se ele se realizasse totalmente entre os cristãos. Parece um sonho, mas é a única norma que assegura a paz no mundo e garante a vida nos lares.

 

Cristo é amor e luz para todo aquele que busca uma saída, que deseja não apenas rotina e voos rasteiros, mas algo mais consistente, pelo menos uns momentos de paz e de compromisso no meio dos dias tensos que a humanidade vem enfrentando.

 

É preciso acreditar com determinação, dizia Santa Teresa. Precisamos de ter uma chamazinha na cripta da alma e momentos de reanimação. O cristão não pode ser outra coisa senão tudo isto.   

 

  

( BAGGIO, Antonio - Tudo Tranformar em Cada Amanhecer. Lisboa: São Paulo, 1993)

A língua materna de Jesus

Muita gente pensa que a língua materna de Jesus era o hebraico. Quando Jesus nasceu, há muito tempo que o hebraico desaparecera como língua corrente. Fora substituída por outra: o aramaico. O hebraico que hoje se fala em Israel é uma língua moderna. Inventou-a um judeu da Lituânia chamado Eliezer ben Yehuda, em 1880. Baseando-se numa Bíblia bebraica que possuía, criou as palavras novas que precisava.

 

Abraão, pai do povo hebreu, não falava hebraico. Vindo da baixa Mesopotâmia, devia falar algum dialecto semita. Ao chegar a Canaã, reparou que os cananeus falavam uma língua mais evoluída. Pouco a pouco, os seus descendentes foram assimilando esta língua cananeia. Por isso, à língua «cananeia» chamou-se «hebraico», já que o povo hebreu a usou amplamente.

 

Foi a língua em que se pôs por escrito a Lei de Moisés: era nela que David cantava os seus Salmos e que Salomão emitia as suas sábias sentenças. Mas, no ano de 587 a.C., o povo hebreu sofreu uma terrível catástrofe. Nabucodonosor, rei da Babilónia, invadiu o país, destruiu Jerusalém, incendiou o templo construído por Salomão e levou cativa uma grande parte da população. Na Babilónia, o povo hebreu, permaneceu desterrado durante 50 anos, até que um novo rei, Ciro o Grande , lhe permitiu regressar, no ano 538 a.C.

 

Quando o povo de Israel voltou do exílio para a Palestina, as novas gerações que regressaram já se tinham esquecido praticamente do hebraico e tinham aprendido a língua que se falava na Babilónia - o aramaico. Por isso, com o andar dos tempos, o aramaico foi adquirindo importância e o hebraico foi-se eclipsando lentamente. Até que, por volta do ano 200 a.C., o hebraico só era entendido pelas pessoas cultas, os escribas e os letrados.

 

 

(VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia? IV. Apelação: Paulus, 1998; Imagem disponível em http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/19/Cefalu_Christus_Pantokrator_cropped.jpg)  

5 minutos com Deus

Actualmente, fala-se muito de complexos, que afectam a vida do homem. Uns têm complexos de inferioridade que os anulam. Outros, complexos de timidez que os inibem. Não falta quem tenha o complexo de superioridade ou de domínio, que os lança em trabalhos desproporcionados que, indubitavelmente, vão acabar em facassos desanimadores.

 

Dizem os psicólogos que, uns mais outros menos, todos somos abrangidos por algum complexo. Sendo assim, porque não havemos de ter o complexo de Deus? Ao fim e ao cabo, é o único complexo verdadeiramente libertador, o único que não esmaga, que anima, o único que não corta asas mas que as estende e que aumenta a sua potencialidade.

 

Ver Deus em tudo, não destrói a própria personalidade; pelo contrário, reafirma-a, orienta-a, fundamenta-a e robustece-a.

 

 

(MILAGRO, Alfonso - Os cinco minutos de Deus. Cucujães: Editorial Missões, 2005)

A riqueza da Bíblia

A Bíblia é, entre nós, pouco conhecida e pouco lida. As estatísticas deixam-nos alarmados perante o número de católicos que respondem que não lêem a Bíblia. Ela é o nosso livro por excelência, o livro da Palavra de Deus.

 

A Bíblia não é um livro, mas uma pequena biblioteca com 73 livros, dos quais 46 são do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Os do Antigo Testamento levaram cerca de 900 anos a ser escritos. Começaram a ser escritos pelo ano 950 a.C, no reinado do Rei Salomão e terminaram 50 anos antes de Cristo. Anteriormente, a Palavra era transmitida por tradição oral.

 

Sabe-se hoje que o livro do Génesis não foi o primeiro a ser escrito, apesar de estar em primeiro lugar. Também o livro dos Salmos não foi todo escrito por David. Estes dados ajudam-nos a perceber a complexidade da «biblioteca» que é a Biblia.

 

O Novo Testamento levou menos tempo a ser escrito, pois no final do primeiro século depois de Cristo, estava todo escrito. O primeiro livro do Novo Testamento a ser redigido foi a primeira carta de S. Paulo aos Tessalonicensses e o último foi o Evangelho de S. João, cerca do ano 100.

 

A ordem em que estão colocados nas nossas Bíblias não é uma ordem cronológica, mas uma ordem lógica. Por isso, o Evangelho de S. Mateus, que nos aparece em primeiro lugar, não foi o primeiro a ser escrito, assim como o Apocalipse, o último livro da Bíblia, não foi o último a ser escrito. Algumas cartas atribuídas a S. Paulo, como a carta aos Hebreus, não terão sido escritas por ele. 

 

O Antigo Testamento foi todo escrito em hebraico, excepto o livro de Sabedoria, e o Novo Testamento foi escrito em aramaico, a língua de Jesus, e em grego. Houve um esforço para traduzir o Antigo Testamento para grego, a chamada tradução dos Setenta. No entanto, foi S. Jerónimo, em Belém, perto do ano 400, quem traduziu toda a Bíblia para latim, tradução que tomou o nome de Vulgata. Estevan Langton, arcebispo de Cantuária, considerando que a Bíblia era de difícil leitura, dividiu-a em capítulos. Robert Etiene dividiu o Novo Testamento em versículos (1551). Anos depois, em 1565, Teodoro de Beza dividiu toda a Bíblia em versículos.

 

Acreditamos na graça da inspiração dos livros da Bíblia, ou seja, os autores escreveram, com as suas qualidades, cultura e talento, mas inspirados pelo Espírito Santo. Daí que a Bíblia, como texto inspirado, tem a graça da sabedoria divina, é Palavra viva e eficaz. Estamos perante o mistério da inspiração e aceitamos que a Palavra é antes de mais uma Pessoa, Jesus, o Verbo do Pai, a sua Palavra que encarnou no seio da Virgem Maria.

 

(Artigo de Dário Pedroso, Revista Mensageiro do Coração de Jesus, Outubro/2008)

 

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