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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Pequenas coisas

22.01.09 | ssacramento

No caminho que estás a percorrer, há flores perfumadas e belas paisagens, mas também há espinhos e silvas, tigres e panteras; há amigos, mas também inimigos. Haverá períodos de chuva, mas também períodos de canícula. Tudo isso é inevitável. Continua a caminhar com o Senhor, como São Francisco, Cirilo e tantos outros; não te detenhas, não percas tempo. Não receies as críticas, não andes sempre em busca de louvores.

 

Quando te sentes esmagado pelo sofrimento, levanta o olhar para a cruz, abraça-a e fica em silêncio, como Maria. No meio das provas repete a ti próprio que esse sofrimento não é nada comparado com o Paraíso. Foi isso que nos ensinou o Senhor: "Bem-aventurados os pobres, bem-aventurados os que choram, bem-aventurados os que sofrem perseguições, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5,3-10).

 

Nos períodos de sofrimento, há algumas coisas a evitar:

  • não perguntes de quem é a culpa, mas agradece a Deus por essa pessoa de que Ele se serve como instrumento para te santificar;
  • não procures apenas a consolação humana. É sobretudo ao Senhor, no Santíssimo Sacramento e a Maria que deves confiar os teus problemas;
  • quando tiver passado o momento difícil, abandona toda a recriminação e todo o rancor. Esquece, não fales mais disso, e canta: "Aleluia!".

 

(VAN THUAN, F.X. Nguyen **- O caminho da esperança. Testemunhar com alegria a pertença a Cristo. Prior Velho: Paulinas, 2007)

 

** D. Francisco Xavier Nguyen Van Thuan foi bispo de Nhatrang (Vietname) desde 1967 e arcebispo coadjutor de Saigão (actualmente Ho Chi Minh Ville) em 1975. Poucos meses depois foi preso, tendo passado 13 anos na prisão (9 dos quais em isolamento), altura em que redigiu algumas meditações que estão compiladas no livro acima mencionado.

Não se vive sem fé

21.01.09 | ssacramento

A palavra fé está ligada aos verbos crer e acreditar, significando a adesão a algo ou alguém que não vemos e não é facilmente captado pelos nossos sentidos físicos. Temos por existente, verdadeiro e autêntico, aquilo em que cremos.

 

Antes do seu significado religioso, a fé é uma atitude humana fundamental para a vida. Ninguém pode viver sem ela. O seu contrário é a desconfiança, a dúvida persistente, o medo. É a fé humana que nos permite, por exemplo, comer sem analisar se os alimentos não têm veneno, ou passar debaixo de uma ponte sem verificar se ela não está para cair. A mesma fé é necessária para as relações com os outros, quer os conheçamos ou não.

 

Num mundo em que se cultiva o individualismo, tornam-se mais difíceis as relações e a confiança entre as pessoas, os grupos e as sociedades. A desconfiança toma conta de todos.

 

A fé constitui uma convicção de que existe algo de positivo para além do visível e sensível. Esta fé humana é diferente da fé religiosa, embora se relacione com ela. Porém, sem a fé religiosa, sem a relação com o divino, a fé humana enfraquece e corrói-se. Ela é a luz e energia que nos move e ajuda a construir a nossa vida e as nossas relações, olhando o futuro e esperando dele o melhor.

 

 

(Pe Jorge Guarda, Vigário Geral da Diocese de Leiria-Fátima, in Mensageiro)

Viver o tempo comum

20.01.09 | ssacramento

Viver o comum de um modo não comum, com a consciência humana e cristã do valor da nossa vida, do que fazemos, do que rezamos, do que sentimos, do que sofremos, do que vivemos.

 

Viver o comum de um modo não comum, dando solenidade a cada momento presente, momento de graça, onde Deus está e nos atinge com o dom da sua graça e do seu amor infinito, para que tenhamos vida e vida em abundância.

 

Viver o comum de um modo não comum, mergulhando a nossa vida na Eucaristia, fazendo de nós próprios "hóstias vivas", querendo oferecer-nos com Cristo ao Pai, pela acção do Espírito, que tudo salva e redime, converte e purifica.

 

Viver o comum de um modo não comum, para que a nossa vida seja um evangelho em miniatura, para que cada momento seja uma página do evangelho escrita com amor, porventura com sangue do martírio quotidiano.

 

Viver o comum de um modo não comum, para não banalizar nada, para não cair na rotina, para que tudo tenha o selo evangélico, para que tudo seja marcado pelo fogo do Espírito, para que tudo tenha sabor ao divino que está em nós.

 

 

(PEDROSO, Dário; COUTO, Elias - Aumenta a nossa fé! Temas para cultivar a fé. Braga: Editorial A.O.,2006

Um ano a caminhar com São Paulo: "Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?"

19.01.09 | ssacramento

Em 1Cor 3,5-17, Paulo refere-se às divisões da comunidade, causadas pela adesão exclusivista dos seus membros, uns a Paulo, outros a Apolo, (um missionário vindo para Corinto), outros a Pedro. Como se apenas num deles estivesse Cristo. Daí as perguntas: Estará Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós?

 

No texto, tudo conflui para os versículos 16 e seguintes em que se identifica a Igreja como templo de Deus. É de Deus, porque lhe pertence. Não é uma comparação. A Igreja é, na sua essência e existência, propriedade de Deus. Nela habita o Espírito Santo, o mesmo que ressuscitou Jesus Cristo.

 

Esta mediação de Cristo é fundamental, pois pela Sua morte, tornou-se definitivamente o lugar de encontro com Deus. Assim, os que n'Ele crêem são por Ele purificados e santificados. O Espírito que nos une a Deus, une-nos uns aos outros, em comunhão de santos.

 

Paulo serve-se de duas actividades fundamentais à vida humana para referir os critérios que devem reger e ser vistos como contributos para a fundação e crescimento da Igreja:

  • o trabalho agrícola, para indicar o que devem ser os semeadores do Evangelho. Todos eles são diáconos, tendo uma missão de serviço, a quem os envia e a quem são enviados. Quer Paulo, que o anunciou, quer Apolo, que aprofundou o anúncio, são um só, na sua condição de servidores. E a comunidade é exclusiva propriedade de Deus;
  • o trabalho da construção, para ilustrar os sucessivos contributos para a edificação da Igreja. Jesus Cristo é o único alicerce, sobre o qual assenta a comunidade. Substituir este alicerce por outro é condenar a comunidade à ruína.

 

(OLIVEIRA, Anacleto - Um ano a caminhar com S. Paulo. Palheira: Gráfica de Coimbra, 2008)

5 minutos com Deus

18.01.09 | ssacramento

Todo o extremismo é vicioso. O equilíbrio é o mais justo. A virtude está no meio. Podemos pecar por excesso de optimismo ou por deficiência, no caso do pessimismo. Mas se não podemos ou não sabemos guardar o justo equilíbrio de um são realismo, é preferível inclinarmo-nos para o optimismo.

 

É mais agradável apresentarmos a vida a cores do que a "preto e branco". É mais simpático espalhar sorrisos do que apresentar sobrolhos carregados. É mais atraente a tarde soalheira e e serena do que a tempestade devastadora ou a noite sibilante. A prudência é a virtude que governa todas as outras virtudes. "Feliz o homem que encontrou a sabedoria, que adquiriu o entendimento" (Prov. 3,13).

 

 

(MILAGRO, Alfonso - Os cinco minutos de Deus. Cucujães: Editorial Missões, 2005)

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

17.01.09 | ssacramento

Em 1908, por iniciativa do reverendo Paul Wattson, da Igreja Anglicana, realizou-se a primeira semana de oração pela unidade dos cristãos, que também foi chamada de oitavário. Esta semana celebra-se anualmente entre 18 e 25 de Janeiro e este ano tem como tema uma frase do profeta Ezequiel "Estarão unidos na tua mão" (Ez. 37,17). A proposta é das Igrejas cristãs da Coreia do Norte e do Sul que prepararam os textos e as orações para estes oito dias. Tal como Ezequiel viveu num país tragicamente dividido e que desejava a unidade para o seu povo, o mesmo sucede com os cristãos coreanos.

 

O movimento ecuménico quer que os crentes se sintam unidos nas suas diferenças, deixando de lado ódios, desconfianças, para que, seguindo cada qual as suas fórmulas e os seus gestos de fé, enriqueçam os demais, através do trabalho comum, da troca de experiências e conhecimentos a nível da catequese e pastoral, na ajuda fraterna e oração. Praticar o ecumenismo é deixar de fazer concorrência; é entusiasmar cada pessoa a ser melhor crente.

 

Para as Igrejas é hoje consensual que ser cristão é ser ecuménico. Trata-se de uma exigência, porque todos estão unidos por um baptismo em Cristo (embora o rito possa ser diferente, o fruto do sacramento é igual: tornar-se membro do Corpo Espiritual de Cristo). Todos escutamos a mesma Palavra de Deus e deixamos que o Espírito Santo opere em nós e através de nós.

 

(Revista Audácia, Janeiro/2009; Imagem disponível em http://www.ongffi.org/wp-content/uploads/2007/08/ecumenismo.jpg)

 

 


 

Amanhã, dia 18, entre as 13 e as 14 horas, realizar-se-á na nossa Igreja paroquial mais uma cadeia de oração diocesana pelas vocações sacerdotais, com a exposição do Santíssimo Sacramento no final da missa das 12 horas.

Meditando o Evangelho de hoje

16.01.09 | ssacramento

"Levanta-te", diz Jesus ao paralítico no Evangelho de hoje. É uma palavra de ressurreição. De pé! Os teus pecados são-te perdoados. Vive, ressuscita!

 

Estar de pé é um grande sinal de vida. Os pais espreitam o momento enternecedor em que o bebé, finalmente, se segura nas pernas. Conseguir pôr-se de pé, após um mês de internamento hospitalar, é uma alegria imensa para o doente e para aqueles que o rodeiam.

 

Na Bíblia, Deus diz muitas vezes: "Ergue-te!", quando o primeiro movimento é prostrar-se. Trata-se de enfrentar a vida. Mesmo prostrados pela doença, conservamos o coração de pé. A cura do paralítico une estreitamente os dois sentidos de "Levanta-te": o ressurgimento físico e o aprumo moral. Todas as manhãs, a oração coloca-nos duplamente de pé: levantamo-nos para recomeçar a vida; levantamo-nos para melhor a utilizarmos, vivendo-a a fundo com Deus.

 

Por causa de pequenas demissões e preguiças, corremos o risco de cair numa vida da qual não nos orgulharíamos. Qualquer ressurgimento corajoso faz-nos reassumir o desejo de não malbaratar as horas preciosas que nos são dadas. Apressemo-nos a pôr-nos de pé.

 

 

(SÈVE, André - O Evangelho dia a dia. Coimbra: Gráfica de Coimbra, 1999; Imagem disponível em http://lh3.ggpht.com/_zu1NI4kZfEw/Ric9kZCyHLI/AAAAAAAAAbI/K5bfZ5yygvs/je46.jpg - Picasa Web Albums)

O Tempo Comum

15.01.09 | ssacramento

Tempo Comum é um título estranho; quer significar que devemos viver o Tempo Comum, da vida e da liturgia, de um modo não comum, ou seja, dando uma dimensão divina ao quotidiano, mergulhando Deus na vida e a vida em Deus, procurando fazer cada acção, por mais simples que seja, com a máxima perfeição. Não cairmos na rotina, no monótono do quotidiano, não se deixar vencer pelo que é sempre igual. Precisamos de uma audácia muito grande, de uma determinação ousada para dar valor divino a tudo o que é quotidiano, sempre igual, sem novidade.

 

As muitas semanas do Tempo Comum são um desafio à nossa criatividade, à nossa teimosia de viver em plenitude cada momento da vida, do trabalho, da dor e da alegria, da oração, da vida social, .... O Espírito quer ser, em nós, contínua divinização de tudo. Precisamos de descobrir essa maravilha na nossa vida de cada dia e, depois de a descobrir, tentar actualizá-la pelo esforço do nosso coração, do nosso ser. Encantar-nos e fascinar-nos pelo divino que está em nós, nos outros e no mundo. Apaixonar-nos por esta descoberta que nos levará às sendas eternas e nos mergulhará em Deus.

 



(PEDROSO, Dário; COUTO, Elias - Aumenta a nossa fé! Temas para cultivar a fé. Braga: Editorial A.O.,2006; Imagem disponível em http://lh6.ggpht.com/_zu1NI4kZfEw/R3N2RaV9TBI/AAAAAAAAHnU/Cb4-odFvJPc/s640/tierra_reflejos%20%2893%29.jpg - Picasa Web Albums)

O Baptismo de Jesus (IV)

14.01.09 | ssacramento

O movimento que se iniciou em torno de João Baptista atingiu a Ásia Menor e Éfeso. Os Actos dos Apóstolos contam que Paulo encontrou discípulos de João Baptista (19,1-3). Esta seita chegou a competir de tal maneira com os cristãos que se tornou uma verdadeira ameaça para a vida dessas comunidades.

 

Quando o evangelista João compôs o quarto e último Evangelho, precisamente em Éfeso, onde as comunidades joaninas eram fortes, decidiu cortar o mal pela raiz e fez o que nenhum outro evangelista se atrevera a fazer: suprimiu o relato do baptismo de Jesus. Somente o pressupõe. Diz que, em certa ocasião, João Baptista avistou Jesus que Se aproximava. Então disse à multidão: Esse que aí vem é "o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo. Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre Ele" (Jo 1,29.32). Acerca do conflituoso problema do baptismo, prefere guardar um prudente silêncio.

 

Foi assim que um facto histórico, realmente acontecido na vida de Jesus, foi contado de modo diferente pelos quatro evangelistas, segundo as vicissitudes por que passaram e os problemas que tinham as comunidades destinatárias. Sem distorcer a verdade, sem alterar a mensagem, nem modificar o essencial, cada autor adaptou para que os leitores pudessem aproveitar ao máximo a riqueza escondida nesse acontecimento vivido por Jesus.

 

 

(VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia? III. Apelação: Paulus, 1998; Imagem disponível em http://www.wga.hu/art/c/cima/02baptis.jpg)

O Baptismo de Jesus (III)

13.01.09 | ssacramento

Apesar do Evangelho de Mateus sobre o baptismo de Jesus, as contendas sobre a proeminência de Jesus ou do Baptista agudizaram-se. Os evangelhos contêm ecos destas disputas (Lc 7,28; Jo 1,8-9).

 

Perante este panorama de confrontações entre cristãos e joaninos, o baptismo de Jesus torna-se cada vez mais embaraçoso para a Igreja primitiva. Lucas, o terceiro evangelista, não eliminou o acontecimento, devido à importância que o revestia, mas eliminou a figura de João (Lc 3,21).  Deste modo, não refere quem baptizou Jesus. No versículo anterior (3,20) até refere que João estava preso no cárcere por ordem do rei Herodes.

 

Seguidamente, Lucas acrescenta uma nova modificação: Jesus estava a rezar quando ocorreram as três manifestações de Deus, quer dizer, centrou o episódio na figura majestosa orante do Senhor. Por fim, o povo presente nesse dia não só viu os Céus abertos e ouviu a voz, como também viu o Espírito Santo descer sobre Jesus "como pomba". Os três acontecimentos tornaram-se publicamente conhecidos, sendo Jesus o centro e cume da cena.

 

 

(VALDÉS, Ariel Álvarez - Que sabemos da Bíblia? III. Apelação: Paulus, 1998; Imagem disponível em http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/8/80/Fra_Angelico_-_Baptism_of_Christ.JPG)