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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

Um sonho estranho

02.01.09 | ssacramento

"A vivência do Natal e das festas natalícias, quer queiramos quer não, marca-nos muito profundamente. Tanto se fala do Natal, do Menino, dos Pastores, dos Anjos, dos Magos, que algo fica cá dentro de nós, a falar baixinho, a cantar baixinho. E, talvez por isso, tive um sonho um pouco estranho. Dei comigo a conversar com Maria e José, um pouco afastados da manjedoura para não perturbar o Menino.

 

Tudo se passava em cenário de Natal, de curral de animais, de noite santa. Maria, a Mãe do Menino, parecia ter um ar triste e eu, com algum atrevimento, perguntei-Lhe: "Porque estás assim, Senhora, com esse ar triste, se faz anos que nasceu o Menino(...)?". Ela, com ar de bondade, olhou-me e ficou em silêncio. Mas José tocou-me no ombro, chamou-me um pouco ao lado e, com voz baixa, disse-me: "Maria está triste, pois passou o dia de Natal, do aniversário do Menino, e muito poucos Lhe ofereceram uma prenda. Andaram por esse mundo fora a comprar prendas, a dar e a receber prendas, a visitar-se uns aos outros, a trocar presentes e cartões de Boas Festas, mas esqueceram-se do Menino que fazia anos". Fiquei calado, quase envergonhado. (...)

 

Estava tão embaraçado com a situação que nem sabia que mais dizer ou perguntar. Mas José, dando conta do meu embaraço, disse-me: "Alguns tiveram a delicadeza de oferecer ao Menino, um tempo forte de oração. Outros deram-Lhe como prenda a celebração do sacramento da penitência e puderam comungar na Missa do Galo. Outros, fizeram um esforço e partilharam com os pobres, neste Natal, algumas coisas que lhes sobravam outros ainda, comprometeram-se em ajudar famílias em situação difícil. Houve um que nesta quadra de Natal rezou e discerniu que ia entregar toda a sua vida a Jesus, para ser só d'Ele e trabalhar para o seu Reino. Mas a maioria não pensou no Menino, o aniversariante, e não Lhe deu prenda nenhuma". Sem saber muito bem o que fazer e o que oferecer, voltei-me para a Senhora, que entretanto se aproximara, e perguntei-Lhe: "Que prenda gostaria o vosso Filho que eu Lhe desse?". Ela, com suavidade e bondade, olhou-me nos olhos e respondeu-me: "Dá-lhe o teu coração, pois é o que Ele mais aprecia. O teu amor, a tua amizade mais verdadeira e sincera, mais radical e generosa". Beijei a mão do Menino, fiz uma vénia e saí."

 

 

(PEDROSO, Dário - Nuvem de Poeira. Um desafio profético. Braga: Editorial A.O., 2006)

Combater a pobreza, construir a paz

01.01.09 | ssacramento

Da mensagem do Papa Bento XVI para este dia Mundial da Paz destacamos algumas ideias para reflectirmos:

 

  • a pobreza está entre os factores que favorecem ou agravam os conflitos. Os conflitos armados alimentam trágicas situações de pobreza;
  • combater a pobreza implica analisar o fenómeno da globalização, que deve revestir um significado espiritual e moral: devemos olhar os pobres cientes de que todos somos participantes de um único projecto divino e somos chamados a constituir uma única família fraterna e responsável;
  • há pobreza material e imaterial. Por exemplo, há pessoas que, apesar do bem-estar económico, vivem diversas formas de transtorno;
  • a pobreza aparece muitas vezes associada ao desenvolvimento demográfico, criando-se campanhas de redução da natalidade até com métodos que não respeitam a dignidade da mulher, nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o número de filhos, nem respeitam a vida humana;
  • as pandemias (como a malária, tuberculose e SIDA), ao atingirem os sectores produtivos da população, também agravam a pobreza. Deverão fomentar-se campanhas de educação para uma sexualidade respeitadora da dignidade da pessoa humana e colocar à disposição das populações pobres os remédios e tratamentos necessários;
  • quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as suas principais vítimas, sendo prioritário investir nos cuidados maternos, na educação, no acesso às vacinas, cuidados médicos e água potável, na defesa do ambiente e da família;
  • o excessivo aumento da despesa militar acelera a corrida aos armamentos, sendo factor de instabilidade, tensão e conflito. Os recursos que se pouparem nesta área poderiam ser canalizados para projectos de desenvolvimento das pessoas e povos mais pobres e necessitados;
  • a crise alimentar actual, devido à insuficiência de alimento e sobretudo à dificuldade de acesso ao mesmo e a fenómenos especulativos, implica graves danos psicofísicos nas populações, alargando as desigualdades;
  • é preciso uma solidariedade global entre países ricos e pobres, e também internamente em cada nação;
  • a luta contra a pobreza requer uma cooperação económico-jurídica, a nível internacional, de modo a enfrentar os problemas globais e comuns, lutando também contra a criminalidade e promovendo uma cultura de legalidade;
  • à comunidade cristã compete também a solidariedade, não só partilhando o supérfluo, mas alterando estilos de vida, modelos de produção e consumo e as estruturas de poder que regem actualmente as sociedades. Trata-se de um convite a alargarmos o coração às necessidades dos pobres e a fazermos tudo o que for concretamente possível para ir em seu socorro, porque "combater a pobreza é construir a paz".

A mensagem do Papa pode ser consultada na totalidade aqui.

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