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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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Darfur: a balas e fogo

25.06.07 | ssacramento
Awad é agricultor e anda nos 30 anos. É casado, tem um filhote e... são de Darfur, a província ocidental do Sudão. As milícias árabes atacaram a sua aldeia, Khur el Bashar: casas queimadas, mulheres violadas, dezenas de mortos, gado roubado. Os sobreviventes refugiaram-se em Manauachi. Três meses depois decidiram voltar. Pensavam que o furacão da morte tinha passado, mas enganaram-se: os ginetes (janjauid) voltaram montados em camelos e cavalos para secar a aldeia da sua gente. Três anos depois do último ataque, esta aldeia, como muitas outras de Darfur, é um leito seco sem vivalma. Awad vive agora no campo de deslocados de Dereje.Todos os dias vai a Nyala à procura de trabalho, mas não é fácil porque a cidade está cheia de desempregados como Awad e a sua família. Porém, a maioria dos deslocados limita-se a ficar no campo por fraqueza, doença ou pela idade.

A guerra civil do Darfur começou em Fevereiro de 2003. Rebeldes do Exército de Libertação do Sudão (SLA) e depois o Movimento de Justiça e Igualdade (JEM) pegaram em armas contra Cartum, acusando o governo do Sudão de descriminar os agricultores negros em favor dos pastores árabes. O governo de Omar el Bashir respondeu com as milícias "janjauid". Em quatro anos, mais de 200 mil pessoas morreram, 2,5 milhões foram deslocados e 4 milhões precisam de ajuda. Cerca de 1500 aldeias foram apagadas do mapa.

Os janjauid atacam para além das fronteiras e o genocídio já alastrou ao Chade e à República Centro-Africana. Todos fogem da limpeza étnica dos janjauid.

As Nações Unidas montaram no Darfur uma operação humanitária, com 14.000 funcionários para as 4 milhões de vítimas deste conflito, mas a sua acção é limitada pela segurança.

Há muitos interesses em jogo no Darfur. Os EUA denunciaram o genocídio, mas limitaram-se a ameaças; o Sudão é uma fonte importante de informação e um aliado na luta contra o terrorismo. A China, com o direito de veto, protege Cartum das sanções da ONU; o Sudão é o seu maior fornecedor de petróleo e parceiro económico importante.

Cabe à sociedade civil europeia pressionar os seus líderes para porem termo ao genocídio no oeste do Sudão.

(artigo de José Vieira - jornalista no Sul do Sudão - e Feliz Martins - Missionário Comboniano no Darfur -, in revista Encontro, Junho/2007)



Conhecer já é denunciar.