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Blogue da Paróquia do Santíssimo Sacramento

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A água no Evangelho de S. João (Papa Bento XVI): Nicodemos, a Samaritana

30.10.07 | ssacramento
"O simbolismo da água permeia o evangelho [de S. João] do princípio ao fim. Encontramo-lo pela primeira vez no colóquio com Nicodemos, no capítulo terceiro: para poder entrar no reino de Deus, o homem deve renovar-se, tornar-se outro: deve renascer da água e do Espírito (3,5). O que é que isto significa?
O baptismo, enquanto ingresso na comunidade de Cristo, é interpretado como um novo nascimento, (...) analogamente ao nascimento natural a partir da inseminação masculina e da concepção feminina (...).
Por outras palavras, para o renascimento requer-se o poder criador do Espírito de Deus, mas, no caso do sacramento, requer-se também o seio materno da Igreja que acolhe e aceita. (...) Espírito e água, céu e terra, Cristo e Igreja estão juntos: é assim que acontece o "renascimento". A água simboliza, no sacramento, a terra mãe, a santa Igreja que acolhe em si a criação e a representa.
Imediatamente a seguir, no capítulo quarto, encontramos Jesus junto do poço de Jacob: Ele promete à Samaritana uma água capaz de transformar-se, naquele que a bebe, numa nascente que jorra para a vida eterna (4,14) e, deste modo, quem beber dela nunca mais terá sede. Aqui o simbolismo do poço está ligado à história da salvação de Israel. Já na vocação de Natanael, Jesus Se tinha revelado como um novo e mais importante Jacob (...). Aqui, no episódio da Samaritana, encontramos Jacob como o grande patriarca que, com o poço, deu a água, o elemento fundamental da vida. Mas, no homem há uma sede maior; não lhe basta a água do poço, porque procura uma vida que está para além da esfera biológica. (...)
Verifica-se (...) uma correspondência entre a promessa da nova água e a do novo pão [Moisés ofereceu o maná, o pão terreno; o novo Moisés dará o verdadeiro pão do céu]; ambas correspondem à outra dimensão da vida, de que o homem inevitavelmente sente um grande desejo. (...) No diálogo com a Samaritana, a água torna-se mais uma vez (...) símbolo do Pneuma, do verdadeiro poder vital que sacia a sede mais profunda do homem e lhe dá a vida total por que anela sem a conhecer."

(RATZINGER, Joseph - Jesus de Nazaré. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2007, pág. 304-306)

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